Nº 128 JANEIRO/FEVEREIRO DE 2007 | ENGLISH | ESPAÑOL
Panamá texto ◦ Cláudio Lovato Filho     fotos ◦ Luciano Andrade
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Horizonte ampliado

Projeto de Irrigação Remigio Rojas e Autopista Cidade do Panamá-Colón
são as duas primeiras obras da Odebrecht no Panamá


Santiago Esquivel planta arroz e cana-de-açúcar em sua propriedade de 94 hectares em Alanje, Província de Chiriquí, no Panamá, região de fronteira com a Costa Rica. No total, são 80 ha cultivados: 53 ha de arroz e 27 ha de cana. Aprendeu quase tudo o que sabe com o pai, Nicolás Esquivel, que hoje vive em David, capital da província e terceira principal cidade do país. A luta de Santiago e seus companheiros agricultores não tem sido fácil porque, entre outros obstáculos, enfrentam um clima que se caracteriza por oito meses de muita chuva, com precipitações diárias, sobretudo em outubro e novembro, e quatro meses da mais rigorosa seca. É uma vida de extremos.

O sonho de Santiago Esquivel, de sua esposa Vielca, das pequenas Yulisa e Alejandra, suas filhas, e de outras 214 famílias tem um nome: equilíbrio. E é esse sonho que o Projeto de Irrigação Remigio Rojas, a primeira obra que a Odebrecht executa no Panamá, tornará realidade. Iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agropecuário (Mida), com sua construção iniciada em setembro de 2006, o projeto tem como elemento central o Rio Chico, capaz de sair de seu leito durante os meses chuvosos a uma velocidade inacreditável, devastando o que estiver pela frente. “É um rio agressivo”, diz Santiago Esquivel, os olhos no horizonte, denunciando as experiências, muitas delas amargas, vividas desde criança.

Remigio Rojas foi um agricultor que nasceu e passou toda a sua vida em Chiriquí, no século XIX. Sua história de trabalho e persistência inspirou o Governo do Panamá a batizar com seu nome o projeto que vinha sendo reivindicado pela população havia quase três décadas. É o maior dos quatro projetos que fazem parte do Plano Nacional de Irrigação do Panamá. Abrange uma área total de 3.200 ha e beneficiará 214 propriedades, onde vivem as famílias que integram a Associação de Usuários do Sistema de Irrigação Remigio Rojas – o coração do empreendimento.

A obra é formada por uma represa na qual será captada a água do Rio Chico, um canal de condução, com 4.634 m; um canal principal, com 3.317 m; quatro canais secundários com 22.047 m, no total; e uma rede de canais terciários totalizando 29 mil m. Essa, porém, é apenas a face tangível do projeto. Existe uma outra parte que se refere a um amplo programa de capacitação e organização dos usuários e à implementação de uma estratégia de comercialização de seus produtos nos mercados interno e externo. Este trabalho, também a cargo da Odebrecht, está sendo executado em conjunto com a Associação de Usuários, que tem Santiago Esquivel como Presidente. A entidade recebe apoio da empresa especializada Projetec, do Brasil, contratada pela Odebrecht e que leva aos agricultores uma visão empresarial do seu negócio.

“Das propriedades que compõem os 3.200 hectares beneficiados pelo projeto, 90% têm menos de 10 hectares”, salienta Santiago Esquivel. São pequenos agricultores familiares que poderão começar a cultivar outros produtos, como melão, feijão e milho, em alternativa ao arroz, cultura tradicional da região. “Estamos nos capacitando para usar a tecnologia e, no futuro, para exportar nossa produção. É como aprender a caminhar.”

O Panamá tem 270 mil ha aptos para a irrigação. Deste total, apenas 30 mil ha são beneficiados atualmente. O Governo panamenho tem pressa em mudar essa realidade. É um contexto no qual o Remigio Rojas assume a condição de referência para os próximos passos. “É um projeto emblemático”, afirma Héctor Pérez, Diretor Nacional de Engenharia e Irrigação do Mida. “É um modelo para o que seguirá sendo feito e, por isto, está despertando um enorme interesse no país, do Presidente da República aos técnicos que participam do projeto. Para nós, é muito positivo contar com a participação da Odebrecht, uma empresa experiente, preocupada com sua imagem, com a qualidade de seu relacionamento com a comunidade e com a qual temos uma relação de muita confiança.”

Aos 33 anos, em sua primeira experiência como Diretor de Contrato da Odebrecht – justamente na primeira obra da empresa no Panamá –, Yuri Kertzman recebe o comentário de Héctor Pérez com satisfação. E procura fazer disso um fator a mais de motivação. “Nossa imagem vem da qualidade do trabalho, da incessante busca da excelência e da relação que temos com o cliente e com a comunidade”, afirma Yuri. Sua equipe direta é predominantemente jovem e sobretudo multinacional. Há brasileiros, equatorianos, colombianos. E, apesar de ser o primeiro projeto da Odebrecht no país, também há panamenhos.

Autopista
É a estréia da empresa em obras no Panamá, mas a presença já completou dois anos. Na Organização desde 1988, André Rabello foi o pioneiro no país. Chegou em setembro de 2004, para prospectar negócios, convidado pelo Diretor-Superintendente Marco Cruz (à época DS da América Central e Caribe, hoje DS do Equador e Panamá, em substituição a Fernando Reis, atualmente Responsável por Exportações/Projetos Estruturados na CNO). André contribuiu de forma destacada para a conquista do primeiro contrato. “O Remigio Rojas vai nos permitir dar início à integração e formação de integrantes panamenhos”, ele destaca.

Hoje, porém, há um outro projeto absorvendo a maior parte das atenções de André: a Autopista Cidade do Panamá-Colón, ligando as duas principais cidades do país. O contrato está em fase final de estruturação e trâmites legais, e André será seu Diretor. A autopista começou a ser construída em 1994, por uma empresa mexicana, através de um contrato de concessão. A obra, porém, foi interrompida quando apenas 14 km (do total de 56 km) estavam concluídos, entre a Cidade do Panamá e Maden. Um acordo de cessão – permitido contratualmente – entre a empresa mexicana e a Odebrecht, assinado em junho de 2006, possibilitou ao Governo do Panamá dar seqüência a um de seus projetos prioritários. A Odebrecht montou uma nova estrutura financeira e jurídica para o empreendimento, que terá financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Citibank e Banco Nacional do Panamá (BNP).

Os 42 km do trecho Maden-Colón começarão a ser construídos nos primeiros meses de 2007. Os trabalhos se estenderão até o primeiro semestre de 2009. Serão três frentes de serviço simultâneas, nas quais as equipes da Odebrecht enfrentarão desafios como a acidentada topografia da região, uma grande quantidade de rios (o que exigirá a execução de muitas obras de arte) e, sobretudo, os oito meses de chuva no Panamá ao longo do ano.

A autopista ligará as duas principais economias do Panamá: a capital, Cidade do Panamá, na costa do Pacífico, onde vive 1 milhão de pessoas, e Colón, às margens do Atlântico, que abriga a maior zona livre de comércio da América Latina e uma população de 210 mil habitantes, além de concentrar os três maiores portos do país. “Por sua importância, essa rodovia é chamada aqui de ‘Canal Seco do Panamá’”, conta André Rabello. Ele acrescenta que a obra, em virtude de sua proximidade com os maiores centros técnicos e universitários do país, ambientará um programa especial para integração de jovens parceiros panamenhos à Organização.

A antiga rodovia entre a Cidade de Panamá e Colón – que corre paralela e bem próximo do Canal do Panamá – tem 80 km, foi construída pelos norte-americanos em 1944 e batizada de Transistmica. Seu traçado é sinuoso porque foi concebido tendo como prioridade absoluta a segurança: há trechos, por exemplo, protegidos por morros; outros, ocultos pela vegetação. A época era de guerra e o Canal do Panamá tinha de ser protegido. A antiga estrada será uma alternativa à nova autopista.

Canal
Se a construção da autopista está chamando a atenção de todo o país, não é exagero afirmar que o projeto de ampliação do Canal do Panamá vem despertando o interesse do mundo. O Canal foi construído entre 1904 e 1914 pelo Governo dos Estados Unidos – depois de duas tentativas francesas, nas décadas de 1880 e 1890. Em 22 de outubro de 2006, um referendo popular – conforme determina a Constituição do país, tudo o que se refere ao Canal deve ser decidido desta forma – aprovou o projeto de construção do terceiro jogo de eclusas em cada um dos três conjuntos de eclusas existentes: Miraflores e Pedro Miguel, no Pacífico, e Gatún, no Atlântico.

O projeto duplicará a capacidade do Canal e permitirá a captação da demanda crescente de comércio marítimo que usaria a rota pelo Panamá. Navios maiores poderão navegar no Canal. Hoje as dimensões máximas permitidas para as embarcações no Canal são 32,31 m de largura e 294,13 m de comprimento. No futuro, poderão navegar nele navios com capacidade para transportar até 12 mil contêineres. O valor do investimento, a ser feito pelo Governo panamenho através da Autoridade do Canal do Panamá (ACP): US$ 5.6 bilhões.

“Essa obra é considerada um ícone da engenharia mundial”, diz André Rabello. “Viabilizar a participação da Odebrecht na ampliação do Canal é um dos pontos de concentração do nosso programa no Panamá”, ele revela. O processo licitatório deverá ocorrer entre o segundo semestre de 2007 e o primeiro semestre de 2008.

Formação de equipes: marca da atuação internacional

O Diretor-Superintendente Marco Cruz está confiante. Não apenas pela boa perspectiva de participação da Odebrecht nas obras de ampliação do Canal, mas também em virtude dos resultados que já vêm sendo obtidos pela empresa no país, num sentido amplo.

“Estamos aprofundando nossa percepção vale a realidade do Panamá no dia-a-dia, assim como nosso conhecimento do mercado local. Em 2006, conquistamos nossos dois primeiros contratos e as expectativas são as melhores possíveis em relação ao projeto do Canal”, afirma Marco Cruz. “As primeiras obras num país são sempre emblemáticas, porque criam a marca de excelência, demonstram a capacidade de gestão e evidenciam a decisão de integrar pessoas do país, o que fazemos por meio da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO).”


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