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Entrevista: Paulo Tolentino |
texto ◦ Simone Goldberg foto ◦ Luciano Andrade |
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Os desenhos da vida
É difícil lembrar de uma semana, nos últimos anos, em que o assunto Previdência
não tenha recebido destaque nos meios de comunicação. É uma das grandes
preocupações no mundo moderno, não apenas no Brasil.
Atenta a isso, a (Odeprev Odebrecht Previdência) vem, há 11 anos, oferecendo aos integrantes da Organização Odebrecht maneiras seguras de poupar para o futuro.
Um dos desafios da entidade foi elaborar um plano de previdência flexível, um produto diferenciado, que atendesse os milhares de participantes, o que exigiu um profundo conhecimento das suas necessidades. Para isso, foi importante a experiência do Responsável pela Odeprev, Paulo Tolentino.
Ele acumula mais de 30 anos de trabalho na Odebrecht e ajudou a criar a Odeprev.
“Em cerca de 15 anos, tempo em que transito pelo mercado de previdência complementar, nunca vi um plano apoiado financeiramente pela empresa ser tão flexível. Cada participante pode ‘desenhar’ o próprio programa de acumulação do patrimônio. Isto tem a ver com a forma como a Organização Odebrecht espera que cada integrante construa sua carreira: há parceria, apoio, mas qualquer forma de paternalismo é evitada.”
Odebrecht Informa – Como a Odeprev está acompanhando o debate sobre a questão previdenciária e as mudanças que vêm ocorrendo no setor no país?
Paulo Tolentino – A previdência básica brasileira, fornecida pelo Governo, é obrigatória. É um sistema que vem, há muito tempo, dando sinais de que necessita de mudanças profundas. Funciona em um regime de repartição de caixa, sem existência de lastro de capital para pagamento de suas obrigações presentes e futuras, usando os recursos arrecadados, a cada ano, para seus pagamentos. Suas necessidades de recursos anuais se apresentam superiores à sua arrecadação - fenômeno denominado de déficit de caixa e que se mostra crescente ano a ano. Essa lacuna é suprida pelo Tesouro Nacional, à custa de outras fontes de recursos, inclusive os tributários. O uso indevido desses recursos acaba por fazer falta para as demais finalidades orçamentárias públicas, já que um sistema de previdência deve ser custeado, sob controle, por seus beneficiários diretos e indiretos. Nós, na Odeprev, estamos atentos a tal fenômeno e oferecemos aos integrantes da Odebrecht uma alternativa independente e voluntária que não está vinculada aos rumos de uma eventual reforma da previdência pública. Mas que constitui, sem dúvida, numa maneira sólida de poupar para o futuro, aquele momento da vida em que nossa capacidade produtiva natural tende a declinar, ou a mudar de tendência, o qual denominamos, na Tecnologia Empresarial Odebrecht, de pós-carreira.
OI – Que planos a Odeprev oferece a seus participantes? Qual o diferencial em relação a outros planos de previdência complementar do mercado?
Paulo – Aí é que vem a principal peculiaridade da Odeprev. Trabalhamos formalmente para todos os participantes com um único plano, denominado de Plano Odeprev de Renda Programada. No entanto, pelo nosso regulamento, tantas são as cláusulas que o flexibilizam ao gosto de cada um, que podemos dizer que cada participante nosso, a quem vemos como autêntico cliente, pode "desenhar" o próprio programa de acumulação de patrimônio a longo prazo, para passar o seu pós-carreira de acordo com seu planejamento de vida pessoal.
“Pelo nosso regulamento, tantas são as cláusulas que o flexibilizam ao gosto de cada um, que podemos dizer que cada participante nosso, a quem vemos como autêntico cliente, pode ‘desenhar‘ o próprio programa de acumulação de patrimônio a longo prazo”
OI – Como o plano foi desenvolvido? O que mudou desde que a Odeprev nasceu há 11 anos?
Paulo – No início, nosso plano contava com uma contribuição máxima do participante equivalente a 10% de seu salário, e a empresa só contribuía para a conta de previdência nos anos em que apresentasse lucros, segundo uma parcela fixa que era rateada com todos os participantes. Além disso, custeava o programa de seguro de vida, que mais tarde foi mantido, porém com administração direta da Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros. Esse embrião inicial teve a contribuição máxima ampliada, podendo variar, por opção do participante, dentro de uma faixa que se inicia em 1% e termina em 12%. Passaram a existir significativas contribuições pelas empresas, independentes do lucro, e as contribuições esporádicas foram estimuladas e muito bem-aceitas pelos participantes.
OI – Que outras mudanças ocorreram?
Paulo – A idade para aposentadoria passou a ser flexibilizada ao gosto de cada um. Nesse ponto, as contribuições das empresas, a que chamamos de contrapartidas, foram planejadas para que um participante, que durante sua vida ativa de cerca de 35 anos tivesse feito uma contribuição própria de, pelo menos, 8% do salário, acumulasse patrimônio suficiente para ter uma renda de cerca de 60% a 70% do último salário por mais cerca de 20 anos. Para isso, houve um estudo de projeção financeira e atuarial e foi concebido um sistema de contrapartida com três parcelas: uma contrapartida "direta", correspondendo a 10% da contribuição do participante, uma outra parcela, que chamamos de "atuarial" e que varia segundo tabelas de idade, de tempo de serviço nas empresas da Odebrecht e de nível salarial, e uma terceira parcela, que denominamos de "parceria". Esta correspondente ao diferencial de lucro anual da empresa na qual o participante trabalha. Na média, nos últimos anos, as contrapartidas somadas têm correspondido a cerca de 70% das contribuições dos participantes. Em algumas situações, os participantes chegam a ter 90% de contrapartida.
OI – Quantos participantes a Odeprev possui, entre ativos, inativos e aposentados?
Paulo – Éramos, em dezembro de 2006, 4.550 pessoas contribuindo, 80 recebendo renda mensal continuada e aproximadamente 460 que não mais contribuem nem sacam, com saldo disponível para resgatar, mas que preferiram mantê-lo sob nossos cuidados, até decisão posterior.
OI – A política de investimentos da Odeprev é conservadora, moderada ou agressiva?
Paulo – Nossa política de investimento tem sido conservadora, por opção explícita. Há algum tempo estamos estudando a hipótese de conceder ao participante que assim o desejar a opção de ter parte ou todo o seu investimento em um perfil de risco/retorno diferenciado. Sabemos que essa mudança deve ser precedida de uma campanha de esclarecimento, para que o participante, ao fazer uma opção diferente, possa avaliar com clareza o aumento de risco a que estaria submetendo seu patrimônio em troca da possibilidade de uma renda maior.
OI – Como é a administração de riscos?
Paulo – Desde o início da Odeprev, optamos por manter todo o investimento nos mercados financeiro e de capitais sob gestão de empresas especializadas em administração de patrimônio, sempre vinculadas a instituições bancárias de grandes "bandeiras" nacionais ou internacionais, algumas voltadas para investimentos de renda fixa e outra com foco em renda variável (equity). Além disso, temos, permanentemente contratado, um consultor especializado em riscos, que analisa mensalmente nossa carteira, para avaliar a aderência do risco e retorno com os planejados em nossa política de investimentos e com a legislação específica dos Fundos de Pensão.
OI – Você poderia detalhar um pouco a composição da carteira? Por exemplo, quanto, em termos percentuais, está aplicado em renda fixa e quanto em renda variável?
Paulo – Nossa política de investimentos orienta que tenhamos, no máximo, 10% em ações ou fundos de ações; no máximo 10% em fundo multimercados (na soma dessas duas classes, 15%), e no mínimo 85% em renda fixa.
OI – Como é feita a comunicação da Odeprev com seus participantes? Que canais a empresa utiliza?
Paulo – Comunicação é nossa prioridade. Assim, abrimos todas as possibilidades, com a ampla divulgação de nossos números de telefone e endereços de e-mail e do site nos rodapés da correspondência, extratos etc. Respondemos sempre, de forma rápida e individual, às solicitações de informações e comentários que nos chegam, remetidos pelos participantes. Mandamos a todos os integrantes das empresas patrocinadoras pelo menos três informes por e-mail a cada mês: um para divulgar a valorização da quota, outro para informar a disponibilidade dos extratos individuais no site e mais um para informar a conclusão do relatório do mês anterior com envio de seu resumo. Em papel, mandamos trimestralmente os extratos dos participantes, com comentários e comparações e, na periodicidade regulamentar, os demais relatórios legais.
“Nossa política de investimento tem sido conservadora, por opção explícita. Há algum tempo estamos estudando a hipótese de conceder ao participante que
assim o desejar a opção de ter parte ou todo o seu investimento em um perfil de risco/retorno diferenciado”
OI – A Odeprev mantém representantes nas várias empresas da Organização. Como eles se articulam entre si e são coordenados?
Paulo – Cada responsável por apoio de Organização e Pessoas, de cada empresa patrocinadora da Odeprev, tem, entre outras diversas responsabilidades, a nossa "credencial" para atuar como representante da Odeprev. São nossos verdadeiros multiplicadores de comunicação e os vemos como "embaixadores" da Odeprev onde quer que tenhamos participantes atuando ou com potencial para atuar. Quando a Odeprev inicia sua atividade em uma nova empresa, ou quando seus responsáveis percebem oportunidades para campanhas de inscrição de integrantes, são esses representantes que nos mobilizam e lideram nossas campanhas nos locais de trabalho. Todas as nossas mudanças de regulamentos e práticas são previamente testadas e, quando implementadas, são comentadas em encontros periódicos. Afinal, é com esses representantes que mais contamos para nos apresentarmos simultaneamente em mais de 120 diferentes locais de trabalho, inclusive fora do Brasil, sem perda de qualidade na comunicação. Faz parte de nosso dia-a-dia manter comunicação com eles, comunicação intensa e de boa qualidade.
OI – Quem o integrante deve procurar para ajudá-lo a montar seu plano?
Paulo – O representante de cada local de trabalho pode também desempenhar esse papel. No entanto, nós da equipe da Odeprev temos a maior satisfação em poder ajudar a todos que nos procurarem.
OI – Como a Odeprev incentiva os integrantes da Organização a aderirem ao plano de previdência? Há campanhas sistemáticas?
Paulo – Toda a correspondência que mandamos por e-mail aos participantes do Plano são também estendidas aos demais integrantes, assim todos ficam informados. Além disso, fazemos levantamentos periódicos das pessoas que ainda não participam do plano para voltar a convidá-los a aderir. Nossas campanhas são muito focadas em públicos-alvo específicos. Desse modo, concentramos a utilização dos recursos.
“Cada responsável por apoio de Organização e Pessoas, de cada empresa patrocinadora da Odeprev, tem, entre outras diversas responsabilidades, a nossa ‘credencial‘ para atuar como representante da Odeprev”
OI – Qual o patrimônio da Odeprev? E como tem sido a evolução da sua rentabilidade?
Paulo – Em dezembro último, chegamos a atingir o patamar de R$ 306 milhões em reservas patrimoniais administradas. Tenho certa precaução pessoal de falar de um "patrimônio da Odeprev", pois, na mais pura verdade, este é o somatório dos recursos pessoais dos participantes, colocados sob nossa administração. Por outro lado, a respectiva rentabilidade que, como visto, tem risco conservador, vem acompanhando a remuneração da taxa Selic (muito próxima do CDI), evoluindo quase que em paralelo com esta, porém apresentando um modesto diferencial positivo de rentabilidade a longo prazo. Em 2006, o rendimento líquido de nossas aplicações foi de 16,35%.
OI – Qual a estratégia de crescimento da Odeprev e que metas pretende atingir?
Paulo – Como entidade de apoio aos negócios da Organização Odebrecht, com foco nas pessoas que tenham o Brasil como sua base de vida no pós-carreira, nossa estratégia é acompanhar o crescimento do conjunto dessas pessoas e suas necessidades, proporcionando-lhes uma proteção previdenciária segura e confiável. É claro que, com o crescimento da Odebrecht e com o amadurecimento do padrão etário médio das pessoas e da consciência previdenciária, novos padrões quantitativos e sobretudo qualitativos de crescimento serão alcançados. Como nestes 11 anos de operação conseguimos acumular uma boa experiência no assunto, já estamos nos mostrando capazes de ajudar os responsáveis na linha de negócios a selecionar formas adequadas de proteção similar para pessoas operando e com foco de pós-carreira em outros países, observando suas leis e culturas.
“Como entidade de apoio aos negócios da Organização Odebrecht, com foco nas pessoas que tenham o Brasil como sua base de vida no pós-carreira, nossa estratégia é acompanhar o crescimento do conjunto dessas pessoas e suas necessidades”
OI – Como a sua experiência na Odebrecht o ajudou à frente da Odeprev?
Paulo – Comecei em 1975, trabalhando em canteiros de obras nos programas administrativo e financeiro. Posteriormente estive na Odebrecht S.A., quando esta se constituiu e formalizou como empresa holding da Organização Odebrecht, assessorando o Diretor de Planejamento e Desenvolvimento. Em seguida, tive a oportunidade de atuar na CPC (Companhia Petroquímica Camaçari), que mais tarde veio a integrar a atual Braskem. Por menores períodos de tempo, atuei em negócios nos quais a Odebrecht não tem mais participação, como mineração e celulose. Com a felicidade de ter vivido esse aprendizado e tido experiências tão diversificadas, sinto-me capaz de interpretar mais adequadamente as necessidades de companheiros de diferentes perfis em diferentes culturas, natureza e locais de trabalho, tornando a Odeprev flexível.
OI – Que princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht são encontrados na atuação cotidiana da Odeprev?
Paulo – O conceito básico que procuramos seguir desde o desenho do plano até suas práticas é o da confiança nas pessoas e em sua capacidade de produzir resultados através do trabalho. É basicamente com o fruto desse trabalho que cada um irá, via Odeprev, construir seu patrimônio de lastro para renda futura no pós-carreira. Essa confiança passa também pela certeza de que todos temos capacidade de escolher nosso plano de vida, carreira e pós-carreira, optando pelo momento de passar de uma etapa para a seguinte, assim como de elegar a idade de se aposentar e planejar o nível de renda necessário para nossa própria manutenção. Isso é materializado pela transparência permanente do plano, com informações sempre atualizadas, e pelo uso de um simulador de renda futura que dá a cada participante a visão de como seu patrimônio e renda evoluirão. Outro ponto de convergência com a TEO é a ênfase na comunicação direta entre pessoas como a melhor forma de nivelar conhecimentos e propósitos. Além disso, não podemos esquecer que somos “entidade auxiliar” da Organização Odebrecht, na sua macroestrutura organizacional, atuando de maneira descentralizada, utilizando-nos, portanto, de métodos e práticas adequados e desenvolvidos numa história de pertinência ao todo da Odebrecht. Usamos ao máximo serviços terceirizados, contando com uma equipe direta de cinco pessoas, o que, para uma entidade do nosso porte, é um grupo diminuto, que satisfaz as necessidades de nossos clientes com elevada motivação.
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