Nº 135 MARÇO/ABRIL DE 2008 | ENGLISH | ESPAÑOL
 Filosofia Empresarial - Antonio Carlos Gomes da Costa
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Motivo de orgulho nacional brasileiro

“Os valores tangíveis e intangíveis da Odebrecht convergem para que o Brasil e o mundo tenham uma percepção cada vez mais clara dessa Organização”

Na virada do século e do milênio, quando a Visão de Futuro – 2010 da Odebrecht foi concebida, cinco macroobjetivos se tornaram o horizonte político-estratégico da Organização:
• Ser um dos cinco primeiros conglomerados não-financeiros do setor privado no Hemisfério Sul, e o líder nos segmentos em que atua, além de ter uma presença internacional significativa;
• Ser reconhecida como a primeira escolha do cliente devido à sua capacidade de empresariamento, atraindo novos talentos e formando novos empresários-parceiros;
• Ter uma estrutura de capital sólida e servir como benchmark em rentabilidade e em criação de valor para os acionistas;
• Ter uma receita anual acima de US$ 15 bilhões e um valor de mercado superior a US$ 20 bilhões para o conjunto de controladas e coligadas;
• Atingir uma imagem de excelência em todos os locais em que estiver presente e ser motivo de orgulho nacional brasileiro.

Se observarmos esses objetivos, veremos que dois deles – ser reconhecido como a primeira escolha do cliente e ser motivo de orgulho nacional brasileiro – se relacionam à produção de riqueza moral, e não de riqueza material, isto é, relacionam-se mais à esfera do ser do que à do ter. Referem-se a valores intangíveis, mais do que a valores tangíveis. Ser a primeira escolha diz respeito à clientividade, ou seja, à capacidade de identificar, conquistar, satisfazer, surpreender e fidelizar cada vez novos, maiores e melhores clientes, colocando o foco na concorrência como uma lateralidade e concentrando a maior parte de suas forças, energias e talentos naqueles que são a fonte de vida da Organização.

Quanto ao segundo objetivo intangível, ser motivo de orgulho nacional brasileiro, devo admitir que refletir sobre ele fez com que um entranhado sentimento pedagógico me povoasse o espírito. Vamos analisá-lo termo a termo, para melhor compreender seu significado e seu sentido profundos.

A palavra ser nos remete a uma forma de estar e de agir neste mundo. Na filosofia, chamamos o estudo do ser de ontologia. Já a palavra motivo, segundo o educador e pensador italiano Ítalo Gastaldi, é ser fonte de valor – “valor é tudo aquilo que tira o ser humano da sua indiferença”, portanto, a motivação pulsa na raiz de todo processo de valorização positiva ou negativa (valores e contravalores). Ser motivo é tornar-se a razão pela qual as pessoas se posicionam diante dos conteúdos naturais e humanos presentes ou ausentes em seu universo. A expressão orgulho refere-se a uma valorização extremamente positiva de algo. A palavra nacional seguida do adjetivo brasileiro nos dá a ver o âmbito que se pretende imprimir a esse sentimento.

A disciplina filosófica que se dedica a essa questão chama-se axiologia, expressão criada por Wilbur M. Urban, para designar um território de reflexão que pensadores que o antecederam chamaram de teoria dos valores. A palavra axe, em grego, significa eixo; portanto, axiologia significa o estudo dos eixos estruturantes de uma cultura (os modos compartilhados por seus integrantes, de ver, sentir, entender, decidir, agir, interagir e reagir). Tais eixos co-constituem o espírito de uma cultura, isto é, sua visão de homem (ideal antropológico), sua visão de mundo natural e humano (mundividência) e sua visão de conhecimento (epistemologia).

Como transformar a Organização Odebrecht, cada vez em maior medida, em motivo de orgulho nacional brasileiro? Não temos dúvida de que isso só ocorre na medida, e apenas na medida, em que os integrantes da Organização assimilarem (compreenderem, aceitarem e praticarem) o Espírito, que é a essência do universo valórico do Grupo, que está sintetizado na TEO (Tecnologia Empresarial Odebrecht), a qual em sua essência é uma filosofia de vida centrada na educação e no trabalho.

Ser motivo de orgulho de uma Nação é ser para sua consciência social algo de valioso, de estimável, de digno de ser honrado. O caminho para obtenção desse reconhecimento da marca Odebrecht (A grande empresa com espírito de pequena empresa) é posicioná-la de forma afirmativa na consciência, na sensibilidade e na ação de todos os atores econômicos, sociais e políticos que sejam estratégicos para a sua sobrevivência, o seu crescimento e a sua sustentabilidade. Isso ocorre na medida em que os empresários-parceiros, os líderes empresariais, os apoios e todos os demais integrantes da empresa se mostrarem capazes de colocar para circular em suas relações pessoais, econômicas, profissionais, sociais, políticas e ambientais os valores que presidem a estrutura e o funcionamento da Organização Odebrecht e que são, em última análise, os eixos de sua Cultura: a disciplina, o respeito e a confiança. Os valores tangíveis e intangíveis, assim, convergem e se intercomplementam, para que o Brasil e o mundo tenham uma percepção cada vez mais clara dessa Organização e do seu valor imensurável, embora nem sempre suficientemente compreendido.



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