Edição nº137
Filosofia Empresarial
O papel da cultura no desenvolvimento sustentável
A Odebrecht, desde os primórdios da formulação da TEO, sempre se pautou pela ênfase na sustentabilidade econômica, ambiental, social, política e cultural
O desenvolvimento sustentável em seu sentido mais pleno é um fenômeno multidimensional. São várias as suas faces: a econômica, a social, a política, a ambiental e a cultural. Para que uma organização, uma sociedade, uma nação e o Planeta se desenvolvam de modo sustentável faz-se necessário que o ser humano assuma uma atitude básica de cuidado diante da vida em todas as suas manifestações. Se quisermos que isso ocorra, é preciso que se instaure uma cultura de sustentabilidade.
O que é uma cultura de sustentabilidade? Podemos dizer que é uma maneira de ver, entender, sentir, decidir, agir, reagir e interagir compartilhada entre o seres humanos em relação a si mesmos (autocuidado), aos outros seres humanos (altercuidado), em relação ao ambiente natural, econômico, social e político em que se está inserido (ecocuidado) e, finalmente, em relação às crenças, princípios e valores que presidem a dimensão espiritual de nossa existência (transcuidado). Esta concepção tem como base o conceito de ética biofílica cunhado por Erich Fromm em seu livro O Coração do Homem. Como sabemos, bios significa vida em grego e philia, amor, amizade. A ética biofílica, portanto, é uma atitude de amor, zelo, reverência e respeito pela vida que se traduz numa atitude de cuidado diante dela.
A idéia atual de desenvolvimento sustentável tem suas raízes no conceito de ecodesenvolvimento forjado por Ignacy Sachs durante a primeira conferência mundial sobre o meio ambiente realizada em Estocolmo em 1972. Outro marco importante se deu em 1987 com a publicação do relatório O nosso futuro comum, elaborado pela Comissão Brundtland, o qual veio a servir de base para as reflexões e debates realizados durante a ECO-92 no Rio de Janeiro, que teve como produto principal a Agenda 21. Em 1997, na Convenção do Clima (Japão), foi aprovado o Protocolo de Kyoto, com metas concretas de redução dos gases que provocam o efeito estufa. No ano 2000, culminando o Ciclo Social da Organização das Nações Unidas, a ONU realizou em Nova York a Cúpula do Milênio, que resultou na aprovação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, também conhecidos como Metas do Milênio. Em 2002 ocorreu em Johannesburgo a Conferência Rio+10, na qual o Brasil defendeu a posição de que a matriz energética mundial tivesse pelo menos 10% de fontes consideradas limpas, posição que foi derrotada pelo grupo de países com interesses antagônicos a essa proposta. Por fim, em 2 de fevereiro de 2007, foi divulgado em Paris o novo informe de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC). A publicação do documento teve repercussão sem precedentes na mídia e na opinião pública internacional.
Esse breve resumo da trajetória do conceito de sustentabilidade deixa claro que a resposta das políticas públicas, do mundo empresarial, das organizações sociais e das pessoas a esse desafio, como já dissemos, deve ser multidimensional, abrangendo medidas nos campos econômico, social, político, ambiental e cultural.
No que diz respeito ao mundo empresarial, o aquecimento global foi um dos principais temas da edição de 2007 do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça). O Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, formulou um convite ao setor privado para que, juntamente com algumas agências das Nações Unidas e outros atores sociais, contribuísse para a ampliação e aprofundamento da prática da responsabilidade socioambiental corporativa.
Para a Cultura Odebrecht, esse desafio não se constitui numa novidade. A Organização, desde os primórdios da formulação da TEO, sempre se pautou pela ênfase na sustentabilidade econômica (sobrevivência, crescimento e perpetuidade), na sustentabilidade ambiental (amor à natureza traduzido no uso de tecnologias limpas), na sustentabilidade social (ações de desenvolvimento socioambiental responsáveis), na sustentabilidade política (sociedade de confiança) e na sustentabilidade cultural (cultura organizacional e preservação e ampliação do legado cultural das sociedades em que atua).
Assim, o papel da cultura no desenvolvimento sustentável é o de ser a dimensão da sustentabilidade que serve como cimento para assegurar a unidade de todas as demais dimensões. Ela é o resultado da ação transformadora do homem através do trabalho sobre a natureza e os outros homens ao longo de todo o processo civilizatório. Seu conteúdo são os conhecimentos, crenças, valores, atitudes, competências e habilidades acumulados pela Humanidade no curso de sua evolução histórica, conteúdos esses comunicados intergeracionalmente pela educação para, no e pelo trabalho.
Antonio Carlos Gomes da Costa