Edição nº 138

Livro

O administrador-comunicador



Em nove cartas dirigidas a jovens profissionais, Idalberto Chiavenato apresenta as competências que julga essenciais em um administrador e destaca, entre elas, a comunicação

Os livros que compõem a série Cartas a um Jovem..., da Editora Campus Elsevier, pretendem transmitir a jovens profissionais o essencial da experiência de seus autores, sempre grandes especialistas nas áreas enfocadas. Para assinar Cartas a um Jovem Administrador, a editora escolheu Idalberto Chiavenato, consultor de empresas, doutor em Administração pela City University of Los Angeles (EUA) e ex-professor da EAESP-FGV.

No livro, Chiavenato foge da complexidade das abordagens teóricas e do formalismo didático. Em tom ameno, reflete sobre a importância das organizações no mundo moderno, o papel social do administrador e suas principais tarefas, aconselha sobre a construção da carreira e conta um pouco de sua experiência. A intenção é oferecer ao leitor, ao longo de 137 páginas, “uma pequena ampliação daquilo que se costuma aprender na universidade”. Para isso, concentra-se nas competências requeridas de um administrador, não nos aspectos técnicos da atividade.

Nas nove cartas dirigidas aos jovens administradores, o autor demonstra como, por sua própria natureza, a Administração constitui uma arte, muito mais do que uma técnica ou teoria. Desde o início, faz questão de ressaltar que, para além dos conteúdos da administração, os quais funcionam como ferramentas intangíveis, é preciso aprender a aprender; ou seja, aprender a interpretar e relacionar dados, comportamentos, informações, conhecimentos e opiniões.

Entre as competências que considera essenciais, duas se destacam. A primeira é a comunicação: “Comunicar significa a base de sustentação da moderna administração”, diz o autor, para quem a arte de administrar começa pela arte de comunicar; saber ouvir, para apreender o contexto; e transmitir mensagens inequívocas, para liderar. Segundo Chiavenato, o líder deve ser um educador e um motivador; nada parecido com o velho capataz controlador.

O autor sublinha que, de acordo com pesquisas, algo entre 60% e 80% do tempo dos administradores é aplicado em tarefas de comunicação, e, quanto mais alto o nível de atuação, maior é esse percentual. Se a administração envolve tudo o que se relaciona às atividades da empresa, a comunicação deve ser pensada como o meio fundamental de integração que torna as organizações coesas e permite que os esforços de cada um convirjam para a produção de resultados globais.

Na prática, isso implica a necessidade de comunicar-se com diversos públicos, através dos mais variados meios, transmitindo mensagens claras sobre o que deve ser feito e sobre como e por que fazer o que deve ser feito. Nesse contexto, a redundância é mais virtude do que vício, pois a repetição de conceitos funciona mais ou menos como as placas de sinalização ao longo de uma estrada, evitando que a equipe saia do rumo traçado. No entanto, a comunicação que leva à excelência não visa apenas à integração, mas promove a renovação e a transformação, na medida em que educa. E isso nos leva à outra competência destacada por Chiavenato, a liderança.

O autor vê na profusão de livros dedicados ao assunto um sintoma de sua altíssima complexidade. A liderança, a seu ver, pode ser abordada sob quatro prismas: o da pessoa do líder, o das características dos liderados, o da tarefa a ser realizada e o da situação da equipe. A impossibilidade de encontrar uma única resposta residiria no fato de que cada uma dessas variáveis comporta infinitas possibilidades, e todas elas precisariam ser combinadas para que se pudesse abarcar todas as formas de liderança.

Nessas circunstâncias, mais uma vez a solução não estará em contar com um imenso estoque de modelos prontos, mas em desenvolver as habilidades humanas necessárias para ser o líder certo na hora certa. Quanto mais alto for o nível da liderança que se exerça, mais será preciso exercitar o raciocínio abstrato e ter uma visão global, mas em qualquer dos três níveis relacionados pelo autor (operacional, tático e estratégico) o líder deverá, sempre, ser capaz de orientar e motivar sua equipe em direção aos resultados almejados, promover a interação no interior das equipes e entre equipes, influenciar as pessoas, saber escolher e desenvolver continuamente os componentes de sua equipe e inspirar lealdade e confiança.

Sobretudo, Chiavenato valoriza o capital humano e intelectual das organizações, enxergando nele o principal fator de sucesso e criticando a freqüência com que é negligenciado. E alerta: “(...) os administradores não podem se circunscrever a recursos físicos e materiais. Devem se preocupar com ativos intangíveis e saber como transformá-los em riqueza e resultados. Esse é o desafio”.

Isabel Borja