Seguros e Garantias

Os guardiões
do patrimônio

Há 30 anos, a OCS apóia os empresários-
parceiros da Organização, em todos
os negócios e países em que atuam

texto: José Enrique Barreiro
fotos: Luciana De Francesco

Algumas coisas na vida da gente parecem acontecer por puro acaso. Na vida de uma empresa não é diferente. Em certo dia de 1992, Marcos Lima, Diretor Geral da OCS – Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros, encontrou-se com os empresários-parceiros Fernando Barbosa e Roberto Benjamin, nos corredores do escritório da Organização no Rio de Janeiro. Os dois haviam conquistado o contrato para a construção da plataforma marítima semi-submersível Petrobras 18 e, naquele momento, estavam às voltas com as negociações finais do projeto. No bate-papo, disseram a Marcos Lima que tinham obtido o financiamento, mas, em razão do valor elevado, vinham tendo imensas dificuldades em conseguir a indispensável garantia bancária. Pensavam até em desistir do contrato. Foi quando Marcos lhes sugeriu uma nova direção: em vez de garantia bancária, poderiam optar por uma modalidade ainda pouco conhecida no Brasil, o seguro-garantia – espécie de aval de uma seguradora de grande porte de que a Odebrecht concluiria a obra nas condições acertadas. E se apresentou para ir com eles aos Estados Unidos em busca desse aval.

Pouco tempo depois era emitido, por um pool de seguradoras internacionais, o seguro-garantia de US$ 272 milhões – o maior até aquele ano destinado a uma empresa brasileira –, que permitiu a assinatura do contrato e a construção da Petrobras 18. Com capacidade para produzir 100 mil barris diários de petróleo, a plataforma foi um marco na história da luta brasileira pela auto-suficiência nacional em petróleo, e prossegue em plena operação na Bacia de Campos (RJ).

Sim, o acaso acontece na vida. Mas para aproveitá-lo bem é preciso estar preparado. No episódio da Petrobras 18, Marcos Lima e a equipe da OCS estavam, e puderam cumprir seu papel na Organização, assim explicitado pelo fundador Norberto Odebrecht: “A OCS apóia os empresários-parceiros, os homens de linha da Odebrecht, em seu objetivo fundamental: conquistar a confiança de nossos Clientes e Investidores”. A preparação de Marcos Lima e equipe no que diz respeito a seguro-garantia teve início em 1991, quando a Odebrecht começou a atuar nos Estados Unidos. Mas a história da OCS começa muito antes disso.

Nasce a OCS
Desde 1944, quando, com 23 anos, criou sua empresa individual de construção – que deu origem à Organização Odebrecht –, a segurança empresarial sempre foi uma marca dos negócios de Norberto Odebrecht. Ele próprio cuidava dos assuntos de seguros. Aprendeu a fazer isso a partir de um episódio curioso, ocorrido ainda em meados da década de 1940. Certo dia, o único caminhão de sua empresa precisou ir para a oficina, e ele teve a intuição de que, se o perdesse, perderia boa parte de seu patrimônio na época. Decidiu então fazer um seguro do veículo. No dia seguinte, a oficina pegou fogo e o caminhão foi destruído.

"O trabalho desenvolvido pela OCS é um exemplo para o mercado. Não apenas pela atuação dinâmica e proativa da equipe liderada por Marcos Lima, mas pela preocupação constante em buscar as melhores soluções de seguros para as operações da Odebrecht"
Patrick Larraigotti, Presidente da SulAmerica Seguros



Garantir a proteção do patrimônio de sua empresa e cobrir os riscos de engenharia das obras que
realizava passaram a ser duas prioridades permanentes para o empresário. Durante muito tempo, a contratação de seguros foi terceirizada por meio de corretoras regionais, que selecionavam as seguradoras responsáveis pela emissão de apólices. Com o crescimento de sua construtora, que passou a atuar em vários estados brasileiros na década de 1970, Norberto Odebrecht transferiu o assunto para o diretor Walter Caymmi Gomes, que deu início à construção de uma cultura sistematizada de seguros na Organização.

O modelo durou até 1978. Victor Gradin, Membro do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., explica: “No fim da década de 1970, com o crescimento da atuação em Engenharia no Brasil, a diversificação dos negócios e os primeiros contratos no exterior, tornou-se necessário dar um novo tratamento à administração de riscos e à mensuração das coberturas. Daí surgiu, em 1978, a OCS, inicialmente com o nome de FEO – Corretora e Administradora de Seguros”.

A criação de uma empresa para prestar serviços de seguros às demais empresas da Odebrecht provocou uma interessante discussão conceitual entre os líderes da Organização. A idéia era que a nova empresa centralizasse o conhecimento e o gerenciamento do assunto para todo o grupo, o que contrariava a descentralização do empresariamento, um dos princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht.

Gilberto Sá, Membro do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., foi um dos que defenderam a centralização, tendo em vista que a nova empresa estaria lidando diretamente com o patrimônio dos acionistas, para o que deveria uniformizar o tratamento de riscos no âmbito de toda a Organização e reter a sua memória de seguros. “O novo porte da Odebrecht, no fim dos anos 1970, gerou um grande volume de negócios em seguros e garantias, que passaram a ser negociados por uma mesma empresa, o que nos deu musculatura e nos permitiu obter, entre outras vantagens, taxas competitivas e maior flexibilidade e adequação na avaliação de riscos”, conta Gilberto. “Foi uma discussão muito rica, na qual ficou patente que, embora sejamos uma Organização 99% descentralizada, deveríamos centralizar Seguros e Garantias”, diz ele. Criada a corretora, os resultados vieram rapidamente, fazendo com que os Líderes Empresariais e os Empresários-Parceiros percebessem o acerto da decisão. “Hoje ninguém põe o modelo em discussão, mas, naquele momento, a flexibilização dos parâmetros da TEO não duraria 24 horas se os resultados proporcionados pela OCS não tivessem sido satisfatórios”, avalia Gilberto.

Ao longo de 30 anos, e em função da evolução dos negócios da Organização, a OCS foi construindo expertise própria e incorporando novos atributos. Para Alvaro Novis, porém que desde 1998 é o Responsável por Finanças na Odebrecht S.A., a corretora mantém vivo o espírito que norteou sua criação: “A longevidade da OCS tem vários fundamentos, sendo o principal deles o fato de ter nascido em torno de uma diretriz muito bem definida – a de proteção ao patrimônio do acionista – e dela nunca ter se afastado”.

Rio Sul, o primeiro desafio
O primeiro desafio da nova empresa foi segurar as obras do Rio Sul, um complexo de lojas e escritórios que a Construtora Norberto Odebrecht construía no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, e que ainda hoje é referência comercial na cidade. Mas não demorou muito para os desafios aumentarem. Em 1979, a Odebrecht dava início à perfuração de poços de petróleo no mar, por meio da OPL (Odebrecht Perfurações Ltda.), ingressava no setor petroquímico com a aquisição de um terço do capital da CPC – Companhia Petroquímica Camaçari, e assinava seu primeiro contrato internacional, para construção da Hidrelétrica Charcani V, no Peru. No ano seguinte, adquiria a construtora paulista CBPO, que tinha, sob sua responsabilidade, obras de várias hidrelétricas em andamento. A recém-criada empresa de seguros da Odebrecht nascia, assim, em uma época de larga expansão dos negócios da Organização, e tinha de aprender rapidamente, para fazer frente aos riscos, cada vez maiores e mais complexos, que decorriam desse crescimento. Para isso, estruturou-se de acordo com as demandas de seus clientes e compôs suas equipes com especialistas do mercado de seguros.

Vencidos os primeiros desafios, outros logo se sucederam. Em 1984, uma equipe da OCS atravessou o Atlântico para apoiar a Construtora Norberto Odebrecht no contrato da Hidrelétrica de Capanda, em Angola, obra de altíssimo risco e complexidade, em função dos conflitos internos que o país vivia na ocasião, que provocavam riscos físicos e precariedade de suprimentos e logística. Dois anos depois, a OCS participava da contratação das obras da Hidrelétrica de PPL (Pichi-Picún-Leufú), na Argentina, e do Projeto de Irrigação Santa Elena, no Equador. Em 1988, novo vôo sobre o Atlântico, desta vez rumo a Portugal, para apoiar a Odebrecht na aquisição da Bento Pedroso Construções, a BPC, tradicional empresa portuguesa que há 20 anos faz parte da Organização.

"A OCS proporciona ao grupo Odebrecht, sem dúvida, o que há de mais moderno no mundo em relação a Gerenciamento do Risco”
José Rudge, Presidente da Unibanco-AIG Seguros



Mas foi a partir de 1990 que a OCS deu o salto mais significativo de sua história: o conhecimento do mercado norte-americano de garantias, como decorrência do início da atuação da Construtora Norberto Odebrecht nos Estados Unidos. E aqui é preciso retroceder a 1929, para compreender melhor o que significam essas garantias no mercado de construção daquele país. Com a quebradeira geral provocada pelo famoso crack da Bolsa de Valores norte-americana naquele ano, o governo dos Estados Unidos entrou em cena. O programa New Deal, liderado pelo presidente Roosevelt, contemplava pesados investimentos governamentais para apoiar a recuperação do país e trazia para o governo o comando da economia. Em uma nação de tradição liberal, contrária à intervenção e à presença do Estado na economia, a idéia, apesar da fragilidade do país naquele momento, encontrou fortes resistências. Roosevelt e assessores foram implementando soluções criativas. Uma delas dizia respeito a seguros: qualquer contrato feito pelo governo ou com sua participação, a partir de US$ 35 mil, tinha de ter uma companhia seguradora que garantisse sua boa execução. “Se o empreiteiro não fizesse o seguro, a seguradora tinha que fazer”, resume Gilberto Sá. Assim, o Estado, sem deixar de agir, mantinha as responsabilidades contratuais no âmbito do setor privado. Nos anos seguintes, o governo norte-americano investiu bilhões de dólares para levantar a economia, fazendo com que a indústria de garantias no país se desenvolvesse e se sofisticasse de forma espantosa – enquanto os demais países continuaram restritos às formas tradicionais de seguros.

Aprendendo no exterior
Quando a Construtora Norberto Odebrecht chegou aos Estados Unidos em 1990 e começou a sondar o mercado, viu que precisaria atender às práticas que ali reinam desde a década de 1930: teria de apresentar garantias para poder assinar os contratos conquistados. Naquele país, as garantias de propostas (bid bond) e de desempenho (performance bond) são exigidas pelo edital de concorrência; devem ser emitidas por seguradora de primeira linha e entregues junto com a proposta técnica. Emílio Odebrecht, Presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., lembra: “Ao conquistarmos a primeira obra nos Estados Unidos, iniciamos uma fase de novos aprendizados no exterior. Aprendemos, entre outras coisas, que para atuar naquele país precisávamos de quem avaliasse o nosso caráter e a nossa capacidade de alavancar recursos e de realizar. Precisávamos das surety companies”.

Mas como fazer para apresentar aos clientes norte-americanos a garantia de que a Construtora Norberto Odebrecht cumpriria os contratos e de que os realizaria nos padrões acertados? A empresa tinha tradição no Brasil, uma experiência de cerca de 10 anos em outros países, mas era uma ilustre desconhecida nos mercados de construção e de seguros e garantias dos Estados Unidos. Dificuldades como essas levaram algumas construtoras brasileiras que haviam tentado atuar naquele país a desistir. A Odebrecht, no entanto, estava disposta a se adaptar e a aprender. Ou seja: Marcos Lima e sua equipe tinham um novo desafio pela frente. É Marcos quem conta: “Começamos a nos apresentar, a construir relacionamentos, e logo demos início às primeiras parcerias com corretoras e segurados norte-americanas, que foram nos ensinando a compreender e a construir o nosso conhecimento em garantias”.

OCS 30 anos



Emílio Odebrecht não esconde a relevância da participação da corretora naquele momento da história da Odebrecht: “A OCS foi decisiva para nosso aprendizado, abrindo caminhos para que parceiros internacionais como AIG, Marsh, Aon e Cigna acreditassem em nós”. A relação com esses parceiros se estabeleceu com um grau de confiabilidade tão elevado que a jornada conjunta prosseguiu nos anos seguintes, em outros países e negócios. Ainda Emílio Odebrecht: “Quando a Odebrecht intensificou sua atuação na Europa, as surety companies estiveram conosco mais uma vez – e ainda hoje permanecemos juntos em parcerias na América Latina, na África, em nossos negócios nos setores petroquímicos e de bioenergia e onde quer que a Odebrecht atue”. Ele faz questão de dar números a essa história: “Em 18 anos, já são mais de US$ 16 bilhões em operações garantidas, sem nenhum pedido de execução”.

A percepção de Emílio está presente também entre os representantes das surety companies. Michael Yang, da norte-americana AIU – American International Underwriters, vinculada à AIG (seguradora líder da Linha de Garantias da Odebrecht), declara: “Temos 18 anos de relacionamento com a OCS. É um dos mais sólidos e mais longos que mantemos com uma empresa de fora dos Estados Unidos. Tivemos a sorte de encontrarmos um ao outro”. Yang revela que tem grande prazer em trabalhar com a equipe da OCS e cita Marcos Lima, Eduardo Castro, Vinício Fonseca e Laudelino Soares, com quem se relaciona mais diretamente: “Além de parceiros de negócios, eles se tornaram meus amigos pessoais”.

O CEO (Chief Executive Officer) da AIU, Hamilton Chichierchio da Silva, corrobora as palavras de Yang e dá as razões para o êxito da parceria: “O relacionamento entre AIG e OCS é um dos mais bem-sucedidos do setor de seguros, pois está baseado em alto nível de confiança e em compromissos de longo prazo”. Hamilton faz questão de ressaltar que a parceria se dá em qualquer situação: “Essas bases sólidas fazem com que estejamos juntos nos bons momentos, mas especialmente naqueles mais difíceis, quando se torna complicado encontrar fornecedores de serviços de seguros e garantias”.

A OCS viveu alguns desses momentos difíceis e pôde contar com seus parceiros internacionais para oferecer o apoio de que a Odebrecht precisava. Em pelo menos duas ocasiões isso ficou patente. A primeira, em 1990, quando o governo brasileiro extinguiu o aval que o Tesouro Nacional concedia à exportação de serviços, fazendo com que as empresas brasileiras de engenharia e construção, que dependiam dessas garantias para realizar obras no exterior, tivessem de recorrer a outros mecanismos garantidores. Com decisivo apoio da seguradora Marsh Inc., de New York, foi viabilizada uma linha rotativa de garantias internacionais para a Odebrecht no valor inicial de US$ 150 milhões, que dava suporte à continuidade dos contratos de engenharia em países da América Latina e da África. Na segunda ocasião, entre 1999 e 2002, a questão era mais grave. O Brasil vivia uma séria crise de crédito internacional, agravada pelos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, e a Odebrecht, como a maioria das empresas mundiais, tinha dificuldades em obter garantias. Mais uma vez, a OCS teve papel decisivo ao realizar, nesse período, 19 operações, que totalizaram US$ 1,3 bilhão em garantias, grande parte delas renovadas por até dois anos fazendo com que as empresas da Odebrecht dessem prosseguimento a seus projetos.

"A OCS tem uma das equipes mais competentes no mercado de seguros e garantias, capaz de oferecer os melhores serviços globais. Mas o que a diferencia é a forma ética e inteligente com que conduz o seu negócio, agregando alto valor em termos de conhecimento, alcance global, oferta de produto e compromisso de longo prazo com seus parceiros”
Hamilton da Silva, Chief Executive Officer da AIU – American International Underwriters



Renato Baiardi, Membro do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., observa que a participação relevante da OCS na história recente da Odebrecht se dá no que diz respeito tanto ao crescimento como à sobrevivência da Organização: “Quando foi preciso obter os performances bonds (garantias de performance) para fazermos obras no exterior, a OCS assegurou nossa contratação com melhores seguradoras mundiais e permitiu nosso crescimento. E quando, em momentos de restrição de crédito no mercado internacional, foi preciso encontrar soluções criativas para obter recursos para a Organização, a OCS também as encontrou e ajudou a garantir nossa sobrevivência”.

Diferencial competitivo
A parceria com seguradoras mundiais de primeira linha rendeu frutos preciosos para além dos Estados Unidos e do Brasil. A AIG, por exemplo, atuava em 180 países havia muitos anos. Associada a ela e a outras empresas, a Odebrecht passou a levar linhas de garantias e seguros para países em que pretendia atuar, ou em que já atuava, e conseguiu, com isso, um forte diferencial competitivo, sobretudo entre clientes que não a conheciam. É Gilberto Sá quem conta: “Quando chegávamos a um país e dizíamos ao cliente ‘eu quero fazer sua hidrelétrica’, ele nos perguntava ’e quem são vocês?’, então nós dizíamos ’somos a Odebrecht e aqui está a seguradora que o senhor conhece e que pode falar sobre nós’”. A seguradora não só apresentava a Odebrecht como, principalmente, oferecia garantias de contrato e de desempenho, o que facilitava muito a conquista de novos negócios.

Vida e Saúde


Pessoas assistidas



Quando, em 1992, a Odebrecht adquiriu a empresa inglesa SLP Engineering, os seguros-garantia foram uma ferramenta importante para preservar a carteira de contratos existentes, que era da ordem de 150 milhões de libras. Até então, a SLP costumava apresentar a seus clientes, como aval, uma carta (parent company guarantee), emitida pela Morton Thiokol Company, controladora da SLP, que assegurava os contratos sob responsabilidade desta empresa. Após a venda, a Morton naturalmente cancelaria suas cartas de garantia, o que não convinha aos clientes da SLP – no caso, as grandes companhias mundiais de petróleo. A OCS e as seguradoras-parceiras entraram mais uma vez em campo e tiveram a idéia de oferecer seguro-garantia à Morton, em contrapartida às parent company guarantees, que puderam, então ser mantidas, o que levou à preservação de todos os contratos. “A criatividade com que estabelece relacionamentos no mundo securitário e com que desenvolve produtos financeiros tem feito da OCS uma empresa sempre vanguardista e pioneira, que vem contribuindo de forma relevante para a expansão da nossa Organização no Brasil e no mundo”, opina Ruy Sampaio, Responsável por Investimentos na Odebrecht S.A.

Indústria, novo desafio
Na primeira metade da década de 1990 a Odebrecht chegou a prestar serviços de engenharia simultaneamente em 24 países. E aonde a Odebrecht fosse, a OCS ia junto. Enquanto isso, no Brasil, através do Programa de Desestatização do Governo Federal, a Organização adquiria o controle acionário de importantes empresas do setor petroquímico, a exemplo da PPH e da Poliolefinas, produtoras de resinas termoplásticas, e da Salgema, fabricante de cloro-soda. Com isso, cresceram os desafios da OCS na petroquímica (até então a Odebrecht tinha apenas participações, mas não a gestão de empresas do setor), o que fez com que a OCS estruturasse uma equipe própria, especializada no negócio, e iniciasse um novo processo de aprendizado, desta vez na área de seguros e garantias para a indústria.

O aprendizado seria fundamental, pois a petroquímica na Odebrecht só faria crescer. E o fato decisivo para isso ocorreu em 2001: a aquisição, em associação com o Grupo Mariani, do controle acionário da Copene, central de matérias-primas do Pólo de Camaçari. Após duas tentativas de venda em leilões, em que figurava entre as partes vendedoras (pois possuía ações da Copene), a Odebrecht resolveu mudar de posição no tabuleiro do negócio e passar a parte compradora. A OCS conseguiu estruturar e disponibilizar para o grupo uma garantia stand-by, no valor de US$ 400 milhões, como alternativa de crédito para a aquisição das ações da Copene – que afinal não precisou ser utilizada.

"Entre as qualidades que distinguem a OCS, destacam-se o profissionalismo, a isenção, a agregação de valores – e o resultado de tudo isso não poderia ser outro, senão o elevado nível de qualidade dos serviços”
Francisco Aldenor Andrade, Diretor do Instituto de Resseguros do Brasil



Hamilton Chichierchio da Silva não se esquece dessa operação, para ele a mais relevante de todo o relacionamento de 18 anos entre AIG e OCS. Ele conta a história: “A Odebrecht precisava de uma garantia alta e extremamente complexa, para finalizar a aquisição da Copene e constituir a Braskem. Naquele momento, parecia impossível encontrar parceiros no mercado que estivessem dispostos a participar dessa emissão. Mesmo em nossa empresa, a operação foi inicialmente descartada. O prazo se esgotava e eu precisei sair de férias. O meu amigo Marcos Lima, que tem total acesso a mim, a qualquer hora (em casa, pelo celular, quando estou em viagem e até em férias), ligou um dia muito cedo para o hotel em que eu estava. Minha esposa e eu ainda dormíamos. Foi ela quem despertou para atender a ligação. Era o Marcos, que solicitava minha ajuda de forma urgente. Comecei a trabalhar naquela mesma manhã, logo que o nosso escritório em Nova York abriu. Levei algumas horas ao telefone tentando convencer meus parceiros a acatar a operação, o que, por fim, consegui. Dias depois, Marcos enviou lindas flores para minha mulher, acompanhadas de um cartão com palavras que jamais esqueceremos”.

A aquisição da Copene levou à constituição, em 2002, da Braskem S.A., que consolidava todos os ativos petroquímicos da Organização Odebrecht. Logo após, a OCS foi ratificada como a corretora de seguros e garantias da nova empresa e deu início à formulação da Política de Seguros da Braskem, aprovada naquele mesmo ano. Pedro Novis, Diretor-Presidente da Odebrecht S.A., explica essa agilidade: “A qualificação e o comprometimento da equipe da OCS nos programas de seguros e garantias vêm oferecendo respostas rápidas e criativas às intensas mudanças que têm marcado o mundo dos negócios, contribuindo de forma relevante para a superação dos objetivos que nos propusemos alcançar até 2010”. Prova disso é que a equipe da OCS, que em 2001 já assegurara cobertura de seguros de US$ 6 bilhões para todo o parque petroquímico da Odebrecht, renovou essa cobertura em 2002, mesmo com a drástica redução do mercado segurador global decorrente dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.

Para Bernardo Gradin, Líder Empresarial do negócio Química e Petroquímica, a OCS se coloca como apoio especializado às empresas do grupo. “Mas a capacidade empresarial de sua equipe de entender as necessidades de quem apóia e as de seus clientes, através de sólido relacionamento com as seguradoras, se traduz em vantagem de produtividade relevante para os negócios”, diz Bernardo. Segundo ele, a OCS se tornou um importante ativo intangível da Organização pela reputação adquirida, pelos relacionamentos construídos e pela eficácia em encontrar soluções complexas no apoio aos empresários-parceiros.

Benedicto Junior, Vice-Presidente de Infra-estrutura no Brasil da Construtora Norberto Odebrecht, tem opinião semelhante: “O principal papel da OCS hoje não é viabilizar seguros e garantias, mas interagir com nossos empresários-parceiros, de forma a capacitá-los na correta identificação e alocação dos riscos que encontramos em nossos negócios”. Benedicto lembra do papel crucial exercido pela equipe da OCS nas obras da linha 4 do Metrô de São Paulo, desde a viabilização dos altos seguros e garantias exigidos pelo cliente até o apoio quando da ocorrência do acidente, em janeiro de 2007: “A OCS criou uma equipe de atendimento direto aos afetados e obteve a indenização dos familiares das vítimas no prazo de 90 dias, em um trabalho conjunto com a seguradora e a Defensoria Pública”.

Novo ciclo
Após sua reestruturação e a criação da Braskem, a Organização Odebrecht ingressou em um outro ciclo histórico. De 2002 até 2004, consolidou as bases para um novo período de crescimento e, a partir de 2005, deu início à expansão dos negócios. Já em 2007 as metas traçadas para o fim da década estavam cumpridas. A Organização passou a estar entre os três maiores grupos industriais privados do Brasil e alcançou faturamento anual de US$ 15 bilhões. Hoje, a Construtora Norberto Odebrecht e a Braskem lideram seus mercados na América Latina e, com a criação da ETH Bioenergia, a Odebrecht começa a operar no negócio Açúcar e Álcool, com grande potencial de expansão.

Diante do novo contexto, a OCS renovou sua missão. “Em função da nova realidade de capital das empresas e seus projetos, passamos a nos direcionar para a criação de soluções integradas que viabilizem projetos e negócios, na perspectiva do investidor”, acentua Marcos Lima. Um bom exemplo desse novo papel foi o apoio dado pela OCS ao Consórcio Madeira Energia, liderado por Odebrecht e Furnas, na proposta vencedora do leilão pela concessão da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia. A construção do empreendimento será realizada por um consórcio de empresas também liderado pela Odebrecht, em associação com a Andrade Gutierrez. Desse modo, a modelagem dos seguros e garantias do projeto teve de atender às perspectivas da Odebrecht como investidora e como construtora.

"O que é diferente na OCS é a atitude. Eles não desistem facilmente de um projeto, por mais difícil que seja. E sempre encontram uma solução”
Michael Yang, Chief Underwriters Officer da AIU



Essa contínua atualização e transformação da OCS para atender às mudanças nos negócios da Organização é avaliada por Marcelo Odebrecht, Vice-Presidente da Odebrecht S.A.: “Em permanente evolução qualitativa, com parcerias internacionais de longo prazo com seguradoras e resseguradoras – mas sem deixar de inovar, como é o caso da recente operação com a AIG e o BID –, a OCS nos oferece hoje a necessária uniformidade e segurança no tratamento de riscos e nos ajuda a obter garantias para os grandes projetos que realizamos no Brasil e no mundo, zelando pelo patrimônio dos nossos acionistas e investidores”. A operação a que Marcelo se refere ocorreu em 2007, quando a OCS promoveu a assinatura de contrato entre a AIG e o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento – BID, que aumentou em US$ 400 milhões as garantias para projetos da Construtora Norberto Odebrecht na América Latina e no Caribe. A criatividade da operação valeu à OCS e seus parceiros o prêmio The Deal of the Year, concedido pela revista britânica Trade Finance.

Em 2008, ao completar 30 anos, a OCS prossegue em seu papel como empresa auxiliar, focada no zelo ao patrimônio do acionista e no apoio à viabilização de negócios das empresas da Organização, preservando as relações de longo prazo com o mercado segurador global, em especial com a área de garantias. Mas Pedro Novis adverte: “Em uma Organização com vocação para o crescimento contínuo, como a nossa, os desafios sempre se renovam. A Visão 2020 já se avizinha, abrem-se novos espaços para expansão de nossos negócios atuais e a participação da OCS tende a ser cada vez maior”. Marcelo Odebrecht dá números ao desafio: “Parabenizo Marcos Lima e toda a equipe da OCS por esta data. Destaco que não serão poucas as demandas dos próximos 30 anos, mas alerto para o desafio de fazer, nos próximos três anos, o que fizeram nos últimos 30”.