Logística

Para que tudo
esteja no lugar certo,
na hora certa

Da identificação de fornecedores
à entrega de suprimentos, equipes
da OLEx oferecem apoio qualificado
às obras da Odebrecht no exterior

texto: Thereza Martins
fotos: A. Moskow

Quinta-feira, 2 de outubro. Passa um pouco do meio dia. O movimento diminuiu bastante no Terminal de Cargas do porto do Rio de Janeiro, ou Terminal Santo Cristo, como é mais conhecido. Nos armazéns da Odebrecht, equipes se revezam para o almoço. Os que ali permanecem começam a carregar um contêiner que seguirá para Angola, destino de quase 80% dos 900 contêineres embarcados mensalmente para abastecer as obras da empresa em vários países.

Pelos 10 mil m2 dos dois armazéns alugados no Santo Cristo estão dispostos os volumes que serão exportados. São diferentes tipos de materiais para construção civil, embalados e separados por obra. De simples caixas de pregos, parafusos e ferramentas a máquinas de solda, tubos para emissários, cabos de aço, máquinas, equipamentos, tratores e tudo o que não se encontra para comprar no mercado local, como ocorre em Angola. Para empreendimentos em outros países, as exportações atendem a necessidades pontuais, num ritmo não tão intenso.

No terminal carioca trabalham mais de 200 profissionais, entre efetivos e prestadores de serviços. Eles recebem os suprimentos entregues pelos fornecedores, conferem, separam, embalam, preparam os documentos necessários para exportação e deixam tudo pronto para o transporte até o porto ou aeroporto, a última etapa do processo em terras brasileiras. Operação idêntica é realizada também no terminal de Santos, em São Paulo. À frente dessa organização, está a Odebrecht Logística e Exportação (OLEx), estrutura que apóia, a partir do Brasil, os contratos internacionais da Odebrecht.

A OLEx atua como uma extensão de cada contrato internacional da Odebrecht, buscando as melhores condições comerciais para atender à demanda. “Identificamos, avaliamos e qualificamos fornecedores e mercados, preparamos as propostas de compra e venda, planejamos as entregas e o transporte”, informa José Valentin Alvarez, Responsável pela OLEx.

Instalada no Centro Empresarial Botafogo, no Rio de Janeiro, a OLEx dá suporte legal, financeiro, logístico e administrativo às obras no exterior e às pessoas que nelas trabalham. A semente do que hoje é a OLEx foi plantada em 1979, quando começaram as exportações para projetos da Odebrecht no Peru e no Chile. Com o passar dos anos e a ampliação dos negócios, havia pelo menos cinco áreas de apoio para obras fora do país. “Eram serviços que poderiam ser reunidos em uma só estrutura”, diz José Valentin. E assim foi feito. Em 1995, deu-se a unificação e surgiu a Base de Apoio Internacional (BAI), aperfeiçoada, 10 anos depois, com a criação da OLEx.

A multiplicação de projetos no exterior se reflete na estrutura da OLEx. Cresce o número de profissionais contratados (mais de 200, no momento) e, também, a diversidade de serviços prestados. Em Angola, onde hoje está o maior número de contratos a serem atendidos, há cerca de 40 obras para suprir – rodovias, vias urbanas, condomínios, projetos agroindustriais, hidrelétrica, saneamento, rede de supermercados e outras. Depois de quase 30 anos de guerra civil, terminada em abril de 2002, o país está sendo reerguido em ritmo acelerado. A Odebrecht é uma das dezenas de organizações que participam do processo.

Supermercados em Angola
Nesse contexto, surgem desafios e oportunidades de aprendizagem. O projeto Nosso Super é um bom exemplo. Ele inclui, além da construção da única rede angolana de supermercados, o abastecimento de 31 lojas e dois centros de distribuição nas 18 províncias do país (o equivalente aos estados brasileiros). Coube aos profissionais da OLEx selecionar e qualificar fornecedores de gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza, entre outros artigos de varejo. Uma experiência totalmente nova para a empresa, que rendeu boas histórias de parceria.

O critério para a escolha de fornecedores do varejo é o mesmo utilizado em outros segmentos: melhor combinação de custo, prazo e qualidade. Para a compra de detergente, sabão, desinfetante e produtos da linha pessoal foi escolhida a Indústria de Sabão Mauá, do Rio de Janeiro, uma empresa familiar, com bastante experiência no mercado nacional, mas que nunca havia exportado.

Os trâmites iniciais foram superados mais rapidamente com a parceria da OLEx. “Tivemos total apoio na busca e composição do melhor mix de produtos para atender às necessidades de um mercado diferente daquele a que estávamos habituados”, relata Fernando Pereira Cerqueira, sócio-diretor da companhia. “Também contamos com orientação para providenciar a documentação alfandegária. Angola nos deu visibilidade e acesso a outros mercados na África. Dessa maneira, a exportação entrou para o currículo do Sabão Mauá.”

Para suprir a demanda por pescados, outro item vendido ao Nosso Super, a OLEx havia selecionado um fornecedor na China, tradicional exportador de tilápia, mas ainda buscava melhorias para o cliente, tanto no produto quanto no atendimento. Começaram as negociações com a Coopemar – Cooperativa Mista de Marisqueiros, Pescadores e Aqüicultores do Baixo Sul da Bahia, projeto apoiado pela Fundação Odebrecht em parceria com outras instituições e órgãos públicos. As negociações incluíam alinhamento de preços aos praticados pelo mercado internacional e fornecimento da tilápia em filé, ou seja, beneficiada.

A primeira exportação da Coopemar para Angola, com beneficiamento feito pela empresa pernambucana Netuno Alimentos, ocorreu este ano, em abril. “Foram quase 20 t de tilápia estuarina, o que corresponde a dois meses de produção da cooperativa”, informa Marcos Diniz, Responsável por Parcerias Sociais da Fundação Odebrecht. “O objetivo agora é aumentar a produção do pescado para construir a nossa própria unidade de processamento, o que vai reduzir o custo final do produto e aumentar a nossa competitividade.”

A segunda exportação da Coopemar para Angola já está sendo preparada e comemorada pelos participantes do Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul da Bahia (DIS Baixo Sul), do qual o projeto de criação de tilápias faz parte. “Esta é uma oportunidade de ampliar a nossa produção, envolver novas famílias no projeto e melhorar a renda da comunidade de criadores”, diz Leonardo Moura, Coordenador da Cadeia Produtiva de Aqüicultura do Baixo Sul. “A meta é ganhar escala de produção para fechar novos negócios, tanto no mercado local como fora do país. Esse é o caminho para atingirmos a auto-suficiência.”

Oportunidades para crescer
Erick de Morais Serra nasceu em Minas Gerais, é administrador de empresas, solteiro, viveu e estudou fora do país desde criança. Waldinei Marcolino de Souza também é mineiro, mas mora em Mongaguá, no litoral sul de São Paulo, com mulher e três filhos adolescentes. Ele tem experiência como operador-motorista de espargidor, veículo utilizado em obras de auto-estradas. Érick e Waldinei não se conheciam até 3 de outubro, a primeira sexta-feira do mês. Seu primeiro encontro foi em um salão do Hotel OK, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, vizinho dos Arcos da Lapa e do Teatro Municipal. Como eles, ali estavam outras 60 pessoas vindas dos mais diferentes pontos do Brasil, com profissões e histórias de vida diferentes.

Eles foram reunidos no Hotel OK pela equipe de Administração e Pessoas da OLEx para ouvir uma palestra sobre Angola, onde hoje trabalham. Essa é mais uma das responsabilidades da OLEx: recrutar, selecionar, providenciar exames médicos e apoiar em tudo o que for preciso os expatriados, ou seja, os profissionais que atuam em obras internacionais da Odebrecht. Mas apenas os integrantes que seguem para Angola participam de palestras e recebem orientação em grupo. A presença de quase 3,6 mil profissionais brasileiros naquele país (no total são cerca de 4.500 integrantes em obras espalhadas pelo mundo) justifica a ação diferenciada.

Cuidar de um número tão grande de pessoas alocadas em todos os continentes é uma tarefa e tanto. Ela envolve também a inserção dos integrantes e seus familiares nos planos de saúde e outros benefícios oferecidos, emissão de passaportes, vistos, passagens e traslados.

“A rotina é a mesma para todos os contratos internacionais da Odebrecht, mas quando os projetos em Angola começaram a aumentar sentimos necessidade de montar uma estrutura de apoio personalizada para os integrantes com destino àquele país”, informa Mônica Torbey Pereira, Responsável por Administração e Pessoas da OLEx.

Ela explica que o processo de recrutamento e seleção é feito a distância, basicamente por telefone. O primeiro contato presencial acontece no momento da avaliação médica, ainda nos estados de origem dos candidatos; e o segundo, já no Rio de Janeiro, para assinatura do contrato e embarque. “Contratamos pessoas em todas as regiões do Brasil e elas só embarcam para o Rio de Janeiro às vésperas de pegar o avião para Angola. Antes disso, porém, sempre às sextas-feiras, fazemos os encontros no Hotel OK, onde todos ficam hospedados”, diz Mônica.

A reunião começa com uma palestra da psicóloga Maria Imaculada Fleury e da assistente social Andreia Fernandes Araújo. O tema básico é a vida em Angola, sua história, seu povo, as diferenças culturais em relação ao Brasil, as semelhanças, os cuidados que os expatriados devem ter com saúde e alimentação, o relacionamento com os futuros colegas angolanos e a obra de reconstrução do país. Angola esteve sob colonização portuguesa de 1482 a 1975, atravessou quase três décadas de guerra civil após a luta pela independência e só a partir de abril de 2002 conheceu tempos de paz.

A operação da OLEx



“Reforçamos a importância da integração entre as equipes, da camaradagem e do papel de líderes e multiplicadores de conhecimentos que os brasileiros assumirão com os colegas angolanos”, explica Maria Imaculada. Do Brasil, partem engenheiros, administradores, operadores de máquinas, motoristas, pintores, soldadores, carpinteiros, pedreiros, pessoal da área administrativa e outros profissionais. “As equipes angolanas, porém, são até 10 vezes maiores (a Odebrecht emprega 30 mil profissionais em Angola) e a convivência diária permitirá uma troca de experiências que vai enriquecer a todos”, enfatiza Maria Imaculada.

Destino: Luanda
Sábado, 4 de outubro, quase uma hora da tarde. Momento de partir. No saguão do Hotel OK, o grupo de 60 novos integrantes da Odebrecht aguarda as vans nas quais serão transportados até o Aeroporto Internacional Maestro Antônio Carlos Jobim – Galeão. Lá, são orientados por uma equipe de apoio da OLEx, enquanto recebem seus passaportes e se alinham em frente ao balcão da TAAG, as Linhas Aéreas de Angola.

Érick de Morais Serra, que sempre atuou na área administrativa de hotéis, embarca feliz porque pela primeira vez vai trabalhar em uma obra de engenharia. Ele foi contratado para o projeto de saneamento em Luanda, a capital angolana. “Tenho certeza de que essa vai ser uma grande oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Espero fazer novos amigos, aprender com eles e ensinar o que sei.”

Waldinei Marcolino de Souza é marinheiro de segunda viagem. Já esteve em Luanda por um período de nove meses, trabalhando em outra empresa. Pela Odebrecht, participará da construção de estradas na capital do país. “Espero contribuir ensinando o meu ofício aos colegas angolanos.”

Érick e Waldinei partiram esperando novas oportunidades, melhor remuneração, crescimento profissional e experiência de vida.