Parceiros aqui, lá, em todo lugar
Fornecedores de bens e serviços das empresas da Odebrecht crescem ao aproveitar, no Brasil
e em outros países, oportunidades de trabalho possibilitadas pela parceria
Texto: Thereza Martins
Fotos: Lia Lubambo
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Percival Deimann e Sergio Boff (sentado): qualidade dos serviços garante continuidade da parceria entre o Canteiro e a Odebrecht
Quando os engenheiros cariocas Eduardo Machado Massa e José Eduardo Moreira decidiram abrir seu próprio escritório, em 1990, a engenharia não vivia um bom momento no Brasil. Reflexos de quase 10 anos de crise econômica. Mesmo assim, eles resolveram apostar, acreditando no futuro e na experiência acumulada após duas décadas de muito trabalho. Nascia a PCE – Projetos e Consultorias de Engenharia, com os dois sócios e uma secretária instalados em uma sala de 26 m2, no centro do Rio de Janeiro.
O primeiro grande contrato foi assinado em 1996, atendendo ao convite da Construtora Norberto Odebrecht (CNO) para atuar na Usina Hidrelétrica de Manso (212 MW), em Mato Grosso. A partir daí, a parceria com a CNO se fortaleceu. Vieram projetos para rodovias, obras de saneamento e meia dúzia de hidrelétricas, no Brasil e no exterior. A maior delas, licitada recentemente, é a Usina Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, que terá capacidade de geração de 3.150 MW.
Hoje, a PCE ocupa três andares inteiros e mais algumas salas em outros dois andares de um antigo e charmoso prédio na Praia de Botafogo, onde trabalham engenheiros, projetistas, técnicos e equipe administrativa. A consultoria oferece 350 oportunidades diretas de trabalho no Brasil, além de 50 postos em obras em países como a República Dominicana, e deve fechar 2008 com um faturamento de aproximadamente R$ 60 milhões. Os contratos com a CNO representam 36% desse total.
“A parceria com a CNO foi fundamental para o nosso crescimento”, afirma Eduardo Massa. “Tivemos contratos estáveis, que nos garantiram faturamento e a possibilidade de mostrar o nosso trabalho também fora do Brasil. Sem a logística oferecida pela Odebrecht aos parceiros de negócio, seria muito difícil exportar serviços como fazemos hoje.”
Os ganhos da PCE não param por aí. Atuar em outros países abriu horizontes, somou conhecimentos e facilitou contatos profissionais. “A troca de experiência com engenheiros do Caribe, por exemplo, nos capacitou para obras em regiões onde ocorrem sismos e furacões. A interação com uma empresa de grande porte como a CNO gera valores e cultura técnica”, enfatiza José Eduardo Moreira.
"Nessa interação, todos ganham: a Odebrecht, porque garante o padrão
de qualidade; e os parceiros, porque conquistam visibilidade externa"
Cadeias produtivas
O exemplo da PCE se repete em outras histórias de empresas e empresários que fazem parte da cadeia produtiva desenvolvida pela Construtora Norberto Odebrecht nos setores em que atua. São fornecedores dos mais diversos portes e tipos de bens e serviços, como projetos de engenharia, equipamentos de proteção e segurança individual, ferramentas, máquinas e equipamentos para obras, peças de reposição, aço, lubrificantes, materiais de construção e uma grande variedade de itens.
Com eles, cerca de mil contêineres são embarcados todos os meses para abastecer as obras da CNO no exterior. Para se ter uma idéia do volume de negócios gerados, a Construtora mantém contratos com cerca de 2.300 fornecedores brasileiros, participando do processo de exportação de bens e serviços. Dos US$ 817 milhões em divisas que trouxe para o país em 2007, US$ 406 milhões se referiram à exportação de serviços e US$ 411 milhões à exportação de bens.
“Até outubro de 2008, foram US$ 987 milhões, entre serviços (US$ 482 milhões) e bens (US$ 505 milhões)”, afirma José Valentin Alvarez, Responsável pela OLEx Importação e Exportação, estrutura de apoio da CNO encarregada de suprir as necessidades dos empreendimentos da Construtora fora do país. É importante destacar que o potencial de geração de oportunidades diretas e indiretas de trabalho também está aumentando. Em 2007, elas corresponderam a mais de 190 mil postos.
No dia-a-dia, os fornecedores da CNO encontram na OLEx um canal de apoio para orientação sobre a legislação relacionada à exportação de bens e serviços, logística, transporte, passagens e seguros de vida e saúde para seus profissionais que estiverem atuando no exterior, entre outras providências. Instalada no Rio de Janeiro, a OLEx encarrega-se também da avaliação e qualificação do fornecedor. “O nível de exigência da Odebrecht é bastante elevado e deve ser seguido pelos fornecedores. Por isso, fazemos inspeções, controle de qualidade e orientamos nossos parceiros”, relata Valentin.
Nessa interação, todos ganham: a CNO, porque garante o padrão de qualidade pelo qual é reconhecida; e os fornecedores, porque conquistam visibilidade externa e possibilidade de expandir fronteiras para os seus negócios. Foi o que aconteceu com a Canteiro Construções Racionalizadas, com sede no município de Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo. Sérgio Boff, um dos sócios da Canteiro, conta que, sem o apoio logístico da Odebrecht, viabilizado pela OLEx, teria sido muito difícil conquistar clientes no mercado externo. “Hoje, as exportações via Odebrecht correspondem a 20% do nosso faturamento e os contatos feitos em Angola nos trouxeram novos clientes.”
Como o próprio nome sugere, a Canteiro é especializada na instalação de canteiros de obras, incluindo alojamentos, refeitórios, escritórios, postos de atendimento médico e até residências e escolas. Para fechar o primeiro contrato com a CNO, a qualidade de seus serviços foi previamente conferida. Apenas dois tipos de madeira são utilizados nos canteiros: o pinus, de reflorestamento, e o cedrinho, comprado de um fornecedor do Mato Grosso, autorizado e certificado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). As telhas que cobrem as instalações dos canteiros não contêm amianto, atendendo à legislação, e todos os demais itens, incluindo material elétrico, hidráulico e cerâmica, são de origem certificada.
“A qualidade dos serviços prestados garante a continuidade de parcerias como a da Odebrecht”, afirma Percival Deimann, também sócio da Canteiro Construções Racionalizadas. Segundo ele, o respeito, a confiança e a ética são aspectos de peso nessa parceria. “A CNO negocia preços justos, dá toda a assistência aos profissionais que vão trabalhar na montagem dos canteiros e valoriza os diferenciais dos fornecedores, assegurando a sustentabilidade das empresas que atuam em sua cadeia produtiva.”
Compromisso com a sustentabilidade
O compromisso da Organização Odebrecht com a cadeia produtiva nas áreas em que atua chega até os clientes na forma de um relacionamento diferenciado, com foco em qualidade e parceria. Quando, por exemplo, a Braskem utiliza a sua capacidade técnica para desenvolver materiais de melhor desempenho, está gerando valor também para o produto do cliente e incentivando a competitividade da indústria transformadora do plástico.
“Em diferentes situações, a soma de esforços trouxe lucro para toda a cadeia produtiva do plástico e vantagens para o consumidor”, afirma Rui Chammas, Diretor do Negócio Polipropileno da Unidade Poliolefinas. Como exemplos, ele cita a substituição do vidro por plástico em potes de requeijão, que resulta em uma embalagem mais leve e mais barata, e a troca do papel tissue por não-tecidos de polipropileno em fraldas descartáveis e absorventes higiênicos, tornando-os mais leves, confortáveis e eficazes.
O Gerente Comercial Wagner Carvalho, da Companhia Providência, líder brasileira na fabricação de não-tecidos e cliente da Braskem, conta que há pouco mais de três anos, quando a empresa desenvolvia um projeto para substituição do papel tissue por não-tecidos, o apoio da Braskem foi fundamental. “Conseguimos uma resina diferenciada e também amostras de polipropileno para aplicar no projeto até a completa adequação do produto.”
A Braskem também participa de ações conjuntas com associações e outras empresas químicas e petroquímicas para viabilizar a presença de clientes em feiras e exposições internacionais. O Programa Export Plastic é uma dessas ações. “Assim, eles se envolvem com a atividade exportadora, tornam-se mais conhecidos e conquistam novos mercados, beneficiando toda a cadeia do plástico”, ressalta Rui Chammas.
A responsabilidade social, ambiental e cultural, como forma de atuar, é uma das premissas para a construção de empresas sadias e sustentáveis. Essa postura se reflete em um olhar atento para integrantes, parceiros, clientes, acionistas e comunidade.
O relacionamento da Braskem com os fornecedores, por exemplo, se baseia em um código de conduta, que é uma via de mão dupla. Ali está descrita a postura de negócios da empresa com os fornecedores e, também, o que deles é esperado. Aspectos como franqueza, relacionamento justo, transparência nas negociações e cumprimento de prazos são previstos.
O programa de Suprimentos e Logística da Braskem avalia periodicamente o desempenho dos fornecedores, exigindo melhoria contínua e ganhos de produtividade em produtos e serviços. O código de conduta prevê, também, responsabilidades como o cumprimento da legislação fiscal, trabalhista e de saúde, segurança no trabalho e respeito ao meio ambiente.
O documento é entregue a todos os fornecedores e o atendimento aos itens descritos faz parte dos critérios de seleção e avaliação de desempenho desses parceiros. O cumprimento do código é condição básica para a manutenção da relação de parceria.
O empresariamento sob a ótica da responsabilidade social corporativa representa o equilíbrio entre a atividade econômica, o meio ambiente e o bem-estar social. E o mercado valoriza essa postura. Quem acompanha a dança das ações em bolsas de valores percebe que cada vez mais os investidores dão preferência aos fundos compostos por ações de empresas sustentáveis.
Érico Hardt: ganhos de produtividade e expansão de negócios na MonsertecInvestimento na auto-estima
Pedro dos Reis Santos é Supervisor Operacional da Moppclean Serviços de Limpeza, fornecedora da Braskem no Pólo Petroquímico de Camaçari (BA). Quando ele começou a trabalhar na empresa não havia completado do Ensino Fundamental . Em 2007, conseguiu o diploma de Ensino Médio e quer mais. “Vou me matricular em um curso técnico de informática, para ter acesso à rede, internet e e-mail.”
Casado e pai de três filhos, Pedro parou de estudar ainda jovem. Hoje, comemora o progresso conquistado nos últimos anos. “Já tive cinco promoções e aumentos salariais. Antes, tinha dificuldade para acompanhar cursos e treinamentos, como o de segurança no trabalho. Depois que voltei a estudar, concluí os treinamentos e fui aprovado nas provas finais. Além disso, consegui a carteira de motorista.”
Pedro freqüentou as primeiras turmas de alunos, todos adultos, do programa Braskem + Parceiros criado em 2005 por iniciativa da equipe de Manutenção, com o objetivo de elevar o nível de escolaridade dos colaboradores de empresas fornecedoras de serviços internos. Eles são mecânicos, pintores, eletricistas, caldeireiros, entre outros trabalhadores em funções estratégicas. O programa foi tão bem aceito que no ano seguinte tornou-se corporativo.
“Hoje temos 56 fornecedores inseridos no programa, responsáveis por cerca de 70% dos contratos de serviços internos e contínuos da Braskem, em Camaçari”, informa Regina Levita, Gerente de Gestão de Processos Corporativos, área responsável pela coordenação do programa.
O Braskem + Parceiros é desenvolvido com o apoio do Sesi – Serviço Social da Indústria, que aplica os testes de escolaridade e forma as turmas de alunos. Além da formação educacional, o programa oferece qualificação técnica, com o Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, e cursos de gestão, orientados pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).
Os cursos são custeados pelas próprias empresas parceiras. “Nós, da Braskem, indicamos o caminho e mostramos a importância do programa no fortalecimento da cadeia de fornecedores de serviços e também no desenvolvimento regional, porque estamos todos contribuindo para a formação de profissionais mais capacitados para o mercado”, diz Regina.
As etapas do programa de Ensinos Fundamental e Médio já foram concluídas por mais de 300 pessoas e outras 500 estão em sala de aula. Uma pesquisa realizada entre os fornecedores de serviços indica que mais de 80% deles estão satisfeitos com o Braskem + Parceiros. A evolução dos estudantes é percebida no dia-a-dia, de diferentes maneiras, como explica José Ermínio Passos Sales, Gerente Geral da Moppclean. “Eles conseguem ler e interpretar melhor as instruções de trabalho, as sinalizações do pólo e as orientações de segurança. Também estão mais seguros e independentes para propor soluções e tomar decisões.” Para ele, o certificado de escolaridade é importante, mas outros benefícios também merecem destaque: o orgulho no olhar de quem conseguiu o diploma escolar, a auto-estima conquistada, a motivação da equipe e o efeito multiplicador de melhoria nas condições profissionais da comunidade.
Os cursos de gestão completam o tripé em que se baseia o programa Braskem + Parceiros: escolaridade e qualificação técnica para colaboradores das empresas fornecedoras de serviços, e capacitação em gestão para diretores e sócios desses parceiros. A capacitação está dividida em módulos previstos para acontecer em um período de três anos, durate os quais são abordados temas como liderança, planejamento estratégico, gestão de pessoas, processos, interação com a comunidade e orientação para resultados.
O empresário Érico Hardt, sócio da Monsertec, prestadora de serviços em manutenção complementar, pintura e montagem de andaimes, freqüenta o curso de gestão e analisa com entusiasmo os resultados já obtidos. “Percebo que a maioria dos participantes tinha muitas práticas de gestão e qualidade, mas elas não eram sistematizadas, com impacto em resultados. Tínhamos objetivos mas não os definíamos claramente como metas e não traçávamos planos estratégicos para alcançá-los. A capacitação está nos mostrando isso. No caso da Monsertec, em menos de dois anos já registramos um aumento de 30% em nossa rentabilidade.”
A Monsertec está instalada no município de Dias D’Ávila, a poucos quilômetros de Camaçari. De seus 450 colaboradores, 300 estão alocados na Braskem. Além da rentabilidade, a empresa obteve ganhos em produtividade, qualidade e expansão dos negócios.
“O Braskem + Parceiros atende diferentes públicos, com impacto final sobre a produtividade e sustentabilidade dos nossos fornecedores e da Braskem. O programa melhora também a competitividade dos nossos parceiros, porque com certeza eles estão se capacitando para crescer e ganhar mercado”, observa Regina Levita.
Em 2008, o programa chegou à Braskem em Maceió, com a aplicação de testes para diagnóstico de escolaridade. Em 2009, as unidades de Triunfo (RS) e Paulínia (SP) também serão incluídas.

