CULTURA III

Abaixo a indiferença!

Diversidade temática e apresentações provocativas marcam o ciclo de palestras Fronteiras Braskem
do Pensamento, protagonizado por intelectuais e artistas do Brasil e de outros países
Texto: Leonardo Maia
Fotos

O filósofo Luc Ferry: a linguagem em debate

Pensar a filosofia, as artes, a sociedade; ampliar os horizontes; deixar fluir uma grande diversidade de teorias e elucubrações. São vários os objetivos de um evento como o Fronteiras Braskem do Pensamento, projeto que nasceu em 2007 no Rio Grande do Sul. Agitando a vida cultural de Porto Alegre e Salvador, onde os ciclos de palestras foram realizados em 2008, e também de São Paulo, que recebeu uma edição piloto, o projeto trouxe ao Brasil intelectuais como o filósofo Bernard-Henri Lévy, o músico Philip Glass, a escritora Beatriz Sarlo, o sociólogo Edgar Morin e os cineastas David Lynch e Wim Wenders.

O impacto do Fronteiras Braskem do Pensamento pode ser medido também pela repercussão na mídia e entre os formadores de opinião. “O Fronteiras veio atender a uma demanda expressiva da Bahia por eventos de alta qualidade, com um caráter intelectual mais refinado. São sessões com grande diversidade temática para um público variado, em termos de classe social, formação profissional, faixa etária. Não vemos ninguém sair neutro, incólume. É um marco na vida intelectual baiana”, afirma o historiador Ubiratan Castro de Araújo, ex-Diretor-Geral da Fundação Palmares, hoje Diretor-Geral da Fundação Pedro Calmon e membro da Academia de Letras da Bahia.

A arquiteta e designer gaúcha Marília Vianna também comemora a realização do evento, que no Rio Grande do Sul carrega o nome de Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem. “Acredito que a diversidade de pensamentos enriquece muito o diálogo entre as diversas correntes de opinião e favorece a saúde intelectual de todos. Porto Alegre esteve muito tempo com uma determinada hegemonia intelectual. É tempo de mudar, arejar idéias, de ampliar horizontes. Isso o Fronteiras faz.”

Participação das universidades
Para que o projeto alcançasse um amplo leque de participantes e fosse adotado pela comunidade acadêmica das cidades, a Braskem buscou parceiros. No Rio Grande do Sul, três universidades dão apoio institucional: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Na Bahia, a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade Salvador (Unifacs) e Faculdades Jorge Amado são parceiras. Além dessas instituições – que recebem uma cota de convites para distribuir entre os alunos de menor poder aquisitivo –, centros de cultura, livrarias, hotéis, redes de cinemas e empresas de comunicação apóiam o Fronteiras do Pensamento.

“O projeto é importante. A universidade é cosmopolita, porém a pobreza de meios que atingiu a instituição nos últimos tempos impediu que ela cumprisse a função de ligar o global com o local. Isso explica o nosso entusiasmo ao nos tornarmos parceiros do Fronteiras, colaborando para trazer à comunidade pensadores de alto nível”, afirma Naomar Almeida Filho, Reitor da Universidade Federal da Bahia. O Reitor da Unisinos, o Padre Marcelo Fernandes de Aquino, prossegue numa semelhante linha de raciocínio: “O Fronteiras do Pensamento ajuda o Rio Grande do Sul a buscar novas idéias, novas soluções, novos compromissos. É uma injeção de cosmopolitismo e uma maneira inteligente de a Braskem construir uma aliança estável com a alma gaúcha”.

Inspirado no modelo de sucesso da edição realizada em 2007 pela então Copesul (hoje Braskem), em Porto Alegre, o Fronteiras do Pensamento também é reflexo de outras iniciativas, como o Fórum de Humanidades, que acontece na Bahia, reunindo um grupo de 40 formadores de opinião de diversas áreas, que discutem temas atuais. Hoje, os dois projetos convivem harmoniosamente. “O grande objetivo do Fronteiras é de apoio cultural, de trazer cultura para os ambientes onde trabalhamos e também agregar valor institucional à marca da Braskem. Ele é um importante projeto cultural”, garante Frank Alcântara, Diretor de Marketing da empresa.

Em 2008, o tema foi “A Arte e a Linguagem na Cultura Contemporânea”, o que permitiu discussões amplas, em campos como filosofia (Luc Ferry e Bernard-Henri Lévy), psicanálise (Charles Melman e Contardo Calligaris), literatura (Camille Paglia e Pedro Juan Gutiérrez), teatro (Fernando Arrabal e Gerald Thomas), música (Philip Glass) e cinema (Wim Wenders, José Padilha e David Lynch).

O conjunto diversificado de palestras possibilita uma visão ampla do tema. “O Fronteiras do Pensamento tem feito com que eu recicle muitas idéias e forme novas ilações. Para mim, que trabalho com criação, as oportunidades de acessar um leque aberto de conhecimento humano favorecem algo que julgo essencial: poder olhar o mundo de forma mais ampla, com novos pontos de vista”, diz Marília Vianna. O gaúcho Moacyr Scliar, médico e escritor, participou como ouvinte de várias conferências: “Esse é um evento cultural de importância extraordinária, como se pode ver pelo enorme e qualificado público, pelos debates interessantíssimos e pela repercussão na mídia. Sou colunista de vários jornais e escrevi sobre o evento com entusiasmo e admiração”.

Em 2009, o Fronteiras do Pensamento terá quatro conferências no Rio Grande do Sul e quatro na Bahia, reunindo palestrantes estrangeiros de renome. As inovações nas mais diversas áreas do conhecimento serão discutidas dentro do tema “Reinvenção da Vida, Reinvenção do Mundo”. Um dos curadores do projeto, Alan Hiltner, ressalta que os conferencistas já foram escolhidos. “Consultamos grupos de intelectuais, professores e formadores de opinião, pedindo indicações. Os palestrantes sempre são selecionados pela qualidade e relevância do trabalho que apresentam ao mundo.”