Memória

O pioneirismo continua

História da Odebrecht Perfurações Ltda., iniciada há 30 anos, tem prosseguimento com a atuação da Odebrecht Oléo e Gás, que constrói três plataformas Norbe

texto: Cláudio Lovato Filho
foto: Edú Simões

Em 2009, completam-se 30 anos da criação da Odebrecht Perfurações Ltda. (OPL), a primeira empresa privada brasileira de prestação de serviços a perfurar poços offshore para a Petrobras, a primeira a operar uma plataforma semi-submersível em lâmina d’água de 1.000 m e aquela que perfurou o poço mais profundo do Brasil até 1995 (6.168 m). “O pioneirismo está na genética da Odebrecht”, diz Luiz Villar, Responsável pela OPL de 1988 a 1993 e hoje Membro do Conselho de Administração da Odebrecht S.A. “Está no nosso sangue, é natural para nós.”

Em outro andar do edifício onde está localizado o escritório da Odebrecht no Rio de Janeiro, na Praia de Botafogo, Herculano Barbosa fala da plataforma Norbe VI, que está sendo construída em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A semi-submersível Norbe VI irá perfurar em águas ultraprofundas (a 2.000 m da superfície) para a Petrobras. “Vamos ser pioneiros de novo”, diz Herculano. Ele foi integrante da OPL de 1983 a 1998, numa primeira fase de sua trajetória na Odebrecht, e voltou em 2006 para ser Diretor de Contratos, a convite de Miguel Gradin, Líder da Odebrecht Óleo e Gás (OOG).

A OOG dá prosseguimento à experiência desbravadora da OPL, agora com novas fronteiras. As sondas de perfuração serão levadas a profundidades inéditas, que poderão chegar a 12 mil m (3.000 m de lâmina d’água e 9.000 m de poço). “A Petrobras é uma empresa que assume riscos e reconhece quando seus parceiros a acompanham”, diz Miguel. “Petrobras e Odebrecht têm uma relação de mais de 55 anos e queremos continuar ao lado do nosso cliente, contribuindo para que ele supere seus desafios, incluindo a exploração da camada do pré-sal.” A história da OPL, iniciada há 30 anos, continua.

Em 1979, um chamado da Petrobras
Comprada em Cingapura, em 1979, por US$ 29 milhões, a plataforma auto-elevatória Norbe I inaugurou a atuação da OPL, perfurando poços na costa de Sergipe. O investimento na aquisição do equipamento representava a metade de todo o capital da Organização. A Petrobras queria fortalecer a indústria petrolífera nacional e fez um chamado a seus parceiros.

No início, a OPL perfurava em lâminas d’água de até 90 m, o que a capacitou para a operação de plataformas semi-submersíveis. Em 1982, a Odebrecht e a francesa Foramer formaram um consórcio e criaram a Forabrecht S.A., que trouxe ao Brasil a plataforma semi-submersível Asterie, para operação em lâminas d’água mais profundas, em que não seria possível a atuação de plataformas do tipo auto-elevatórias ou jack-ups, com estrutura de sustentação que se apóia sobre o solo marinho. Várias equipes, em um total de 500 pessoas, foram formadas como resultado dessa associação. Eram esses profissionais brasileiros que iriam operar as Norbes II, III, IV e V, mais adiante adquiridas pela Organização. A Forabrecht perfurou poços no Congo e as plataformas Norbe II e V operaram na Índia. A OPL, no fim da década de 1980, tinha a maior frota privada do país para perfuração e exploração de petróleo no mar – oito plataformas – e foi a primeira empresa brasileira do setor a internacionalizar suas operações.

A OPL também perfurou poços em terra. De 1981 a 1984, operou duas sondas em São Paulo e no Paraná. Mas foi no mar que construiu sua história. Ao longo dos anos 1980, as Norbes I, II, III e V foram para o Norte e o Nordeste atender a Petrobras, que implementava sua estratégia de deslocar os serviços de perfuração para a Plataforma Continental. O Brasil acelerava sua busca por petróleo em águas cada vez mais profundas.

Um extraordinário acúmulo de conhecimento e experiência para as equipes da OPL resultou da atuação em plataformas de terceiros, como Alaskan Star, Falcon Star, Treasure Legend e Treasure Stawinner, no Brasil e na África; das joint ventures com empresas estrangeiras, entre as quais a norte-americana Western Oceanic e a norueguesa Wilrig; e do atendimento de clientes como ELF, Opic, ONGC e British Petroleum. Um patrimônio intangível que, junto com o patrimônio tangível representado pelas plataformas, fez da empresa um forte elemento de apoio para a Organização, em diferentes sentidos.

“Com a OPL, a Odebrecht passou a ser proprietária de plataformas, e não mais apenas prestadora de serviços. Quando a Odebrecht decidiu vender as Norbes, no começo dos anos 1990, a OPL deu sua contribuição de uma outra forma: forneceu caixa para a Organização”, relembra Luiz Villar, que esteve à frente da venda das plataformas. A OPL voltava, então, a ser unicamente prestadora de serviços.

“A OPL só trouxe qualidade para a Organização”, diz Villar, destacando a importância da liderança de Sylvio Tude (falecido em 2003) e do apoio de Victor Gradin, Membro do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., na estruturação e operação da OPL nos primeiros anos. “Hoje vivemos um novo ciclo”, acrescenta Villar.

Este novo ciclo tem a OOG como sua protagonista. A empresa, que gerencia a construção da Norbe VI, em Abu Dhabi, e das Norbes VIII e IX, na Coréia do Sul, foi criada em 2006 para retomar os investimentos da Odebrecht em perfuração de poços de petróleo no mar. A estratégia para a formação das equipes tem sido unir antigos integrantes da OPL que saíram da Organização (como é o caso de Herculano Barbosa e também o de José Pitta, que está em Abu Dhabi) a profissionais identificados no mercado e a jovens talentos vindos de universidades. “Precisamos estar preparados para os desafios do nosso cliente. Queremos ser a empresa brasileira líder na operação de plataformas de perfuração, com atuação no Brasil e no exterior”, salienta Miguel Gradin.

A construção da semi-submersível Norbe VI é o projeto que marca a retomada da atividade de perfuração pela Odebrecht, com investimentos de US$ 550 milhões, 80% dos quais financiados através de project finance, equacionamento financeiro baseado, neste caso, na divisão de riscos entre os participantes (contratante, gerenciador e construtor). O ABN Amro Bank é o banco líder da operação financeira, que reúne mais 11 instituições.

Entre junho de 2006 e junho de 2007, 10 integrantes da OOG trabalharam em Houston, nos Estados Unidos, na elaboração e aprovação do projeto de engenharia. A escolha de Abu Dhabi se deveu à disponibilidade lá, em meados de 2007, de um estaleiro de primeira linha. A OOG contratou a empresa SBM/Gusto que identificou e contratou o estaleiro da Gulf Piping Company.

A plataforma deixou o dique seco em janeiro e agora está nas águas do Golfo Pérsico para o prosseguimento da construção. A plataforma começará sua operação em águas brasileiras no início de 2010. Terá capacidade para acomodar 140 pessoas: 35 da Petrobras e 105 da Odebrecht. O principal destaque construtivo e tecnológico da Norbe VI é a atividade paralela, solução de engenharia que permite a operação simultânea de uma torre de perfuração e de uma torre de preparação de seções de tubos, o que proporciona economia na retirada e na substituição das colunas de perfuração. Outro diferencial da Norbe VI é o posicionamento dinâmico: com informações via satélite e um sistema de oito hélices, a plataforma é mantida na posição ideal para a perfuração, por mais hostis que sejam as condições de mar. “Isso significa precisão total de posicionamento em águas ultraprofundas”, comemora Herculano Barbosa, que trabalhou em todas as Norbes.

Enquanto isso, na Coréia do Sul, no estaleiro da DSME (Daewoo), outra equipe da OOG gerencia, desde o segundo semestre de 2008, a construção das Norbes VIII e IX, também contratada pela Petrobras. São dois navios de produção com 240 m de comprimento e capacidade para perfurar em lâmina d’água de até 3.000 m. Os investimentos somam R$ 1,6 bilhão.

Base Macaé: serviços integrados, exploração e produção



Se a Norbe VI marca o retorno da Odebrecht ao negócio de perfuração e se as Norbes VIII e IX consolidam a presença da empresa no setor com a construção de dois imensos navios no Extremo Oriente, resta, então, uma pergunta: e a Norbe VII? Esta plataforma será o novo desafio para o crescimento da OOG. Na Norbe VII será dada atenção especial à capacitação dos novos integrantes. Porque essa história de 30 anos está apenas começando.