Petroquímica III
Mais higiene, menos perdas
Embalagens de plástico para hortigranjeiros vão melhorar a higienização no transporte e manuseio dos produtos e contribuir para a redução do desperdício
texto: Luciana Moglia
fotos: Tânia Meinerz
As caixas sem higienização são potenciais veículos de contaminação de pessoas e lavouras. Em cumprimento à legislação vigente, não será permitido o reaproveitamento de embalagens de madeira e papelão, pela impossibilidade de realizar uma lavagem adequada nas caixas feitas com esses materiais. O plástico é a única matéria-prima que permite a higienização correta.
Um fator adicional, mas de extrema relevância: o projeto também contribuirá para a redução, de 30%, das perdas de hortigranjeiros provocadas por condições impróprias de transporte e manuseio.
De modo a garantir a correta higienização dos recipientes que armazenam alimentos, a Ceasa abriu há dois anos uma licitação para identificar uma empresa apta a desenvolver o sistema apropriado, denominado Central de Caixas. A vencedora foi a Clean Box, empresa que teve sua origem no próprio negócio de hortigranjeiros. Neri Medeiros, dono da Clean Box, é proprietário da Nikita, distribuidora de frutas que montou seu sistema próprio de lavagem de caixas há mais de 10 anos.
“Naquela época, éramos um dos poucos que já utilizavam caixas de plástico e se preocupavam com a higienização”, diz Luciano Medeiros, filho de Neri e sócio da Clean Box. “Por isso estamos muito satisfeitos por participar da história da modernização do setor de hortigranjeiros.”
A inauguração da Central de Caixas, resultado de um investimento de R$ 3,5 milhões, ocorreu em 10 de março, em solenidade com a presença da Governadora Yeda Crusius. “A Central de Caixas vai valorizar a alimentação de cada pessoa”, ela afirmou na ocasião.
A realização do projeto teve a participação da Linpac Pisani, responsável pelo desenho e pela produção das caixas. A Braskem, através das equipes de Desenvolvimento de Mercado e Relações Institucionais, tem apoiado a Ceasa, a Clean Box e a Pisani (sua cliente) na implantação do projeto, contribuindo para o aperfeiçoamento da operação da Central de Caixas com ações de marketing e comunicação.
"É sempre importante ter a Braskem como parceira em projetos de inovação", afirma Paulo Francisco Webber, Diretor da Pisani. Ele relata que a empresa aproveitou sua experiência internacional em projetos logísticos para hortigranjeiros, com rastreabilidade, implantados na Europa. Além disso, foram três anos de pesquisas até o lançamento das primeiras caixas, desenvolvidas a partir de protótipos criados no Brasil. Elas são facilmente higienizadas, encaixáveis e ergonômicas; e têm formato levemente cônico nas extremidades, o que possibilita o encaixe de uma dentro da outra quando vazias, proporcionando economia de espaço nos caminhões, redução do preço do frete e do consumo de óleo diesel, com a consequente queda na emissão de CO2. As características da caixas trarão ganhos logísticos para toda a cadeia produtiva, especialmente produtores e comerciantes.
Direto da lavoura
A matéria-prima utilizada é o polietileno de alta densidade desenvolvido pela Braskem sob medida para o projeto. A resina é aditivada para dar proteção às caixas contra raios ultravioleta, evitando sua degradação. O design atraente permite que as caixas sejam trazidas da lavoura diretamente para os expositores, reduzindo o manuseio e as perdas. “A estimativa é comercializar 600 mil unidades no primeiro ano e, futuramente, servir de referência para as centrais de abastecimento de todo o Brasil”, afirma Paulo Francisco Webber.
Ailton dos Santos Machado, Presidente da Associação dos Produtores da Ceasa, entidade que representa 4 mil produtores, acredita que o custo da aquisição de novas caixas não deverá ser um fator impeditivo de migração dos produtores para o uso das embalagens de plástico. “O custo da aquisição vai se diluir. Além disso, a madeira é mais cara, causadora de desperdício e poluente.” Os produtores terão disponíveis linhas de crédito do Banco do Brasil para adquirir as caixas com baixa taxa de juro e carência de até 36 meses.
Na operação da central, toda a água utilizada para a higienização será obtida a partir da captação das chuvas e em circuito fechado. Todo o material orgânico recolhido será utilizado para compostagem. O projeto vai gerar 100 oportunidades diretas de trabalho. Essas vagas serão oferecidas de forma prioritária para os recicladores de caixas de madeira que hoje atuam na Ceasa. O Banco do Brasil oferecerá a esse grupo linhas especiais de crédito subsidiadas para requalificação profissional.