América Latina

Inclusão social para restabelecer a confiança

No Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina, Marcelo Odebrecht ressalta a importância das parcerias

texto: Eliana Simonetti

Em palestra realizada no painel “Latin America: economic slowdown and income distribution” (“América Latina: recessão econômica e distribuição de renda”) e na plenária “Facing Up to the Economic Slowdown” (“Enfrentando a recessão econômica”), no 4° Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina, organizado pelo Fórum Econômico Mundial e pelo Governo brasileiro, em abril, no Rio de Janeiro, Marcelo Odebrecht, Diretor-Presidente da Odebrecht S.A. e co-presidente do fórum, frisou que as parcerias entre a iniciativa privada e o poder público, nas suas diferentes esferas, são fundamentais para a superação do momento de turbulência por que passa a economia. Transmitiu três mensagens que, por sua densidade empresarial, social e política, e por sua abrangência, merecem destaque.

Segundo ele, mais do que uma crise de governança, esta turbulência é decorrente da “falta de dono” nas empresas. Esta conjuntura teve sua origem em empresas nas quais prevaleceu a lógica de maximização dos ganhos especulativos de curto prazo em detrimento do compromisso com a sustentabilidade dos negócios. Conceber o mercado como dono das empresas é o mesmo que assumir a ausência de stakeholders comprometidos a longo prazo com a sobrevivência, o crescimento e a perpetuidade das corporações.

O segundo ponto que destacou foi dirigido à sociedade: a distribuição de renda não é somente necessária por conta da dívida social existente na região, mas também porque é um “bom negócio” na medida em que tende a sustentar a demanda em um momento desfavorável. “Os setores menos favorecidos da população são parte da solução, não do problema, e, portanto, não podem pagar a conta da crise.” Assim, o Diretor-Presidente da Odebrecht S.A. defendeu que a inclusão social como vetor de incremento do consumo e os investimentos em educação podem contribuir não apenas para a saída da crise, mas também para que se tenha condições de retomar um crescimento vigoroso e sustentável.

Finalmente, Marcelo ponderou que, no âmbito de atuação dos governos da região, a crise pode funcionar como uma oportunidade para que os países superem diferenças do passado e inaugurem uma nova era de maior integração e confiança.

Durante dois dias houve reuniões entre mais de 500 políticos, empresários e acadêmicos de 35 países. O tema geral proposto para debate era: “Implicações da crise econômica global para a América Latina”. Aí se incluíam respostas à desaceleração do crescimento econômico, estabelecimento de contatos regionais, elaboração de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável e oportunidades e desafios do que foi chamado “desenvolvimento verde”.

Ao término do evento, o clima era de otimismo. Havia a sensação de que a América Latina está bem preparada para fazer frente à turbulência. Tem inclusive a chance de se fortalecer, harmonizando expansão econômica e progresso social. “Estávamos crescendo de forma atabalhoada, numa velocidade difícil de sustentar. Agora temos uma oportunidade única de promover reformas, arrumar a casa e nos tornarmos players-chave no mercado global. Em dois anos, caso sejamos capazes de aproveitar esta oportunidade, talvez digamos que a crise foi a melhor coisa que nos aconteceu”, argumentou Marcelo Odebrecht.