Angola

Cenário em Transformação

Obras viárias mudam o visual e a vida cotidiana de Luanda

texto: Sérgio Bourroul
foto: Roberto Rosa

Quem chega a Luanda, logo percebe em suas avenidas, ruas e vielas uma profusão de tapumes de obra. Os projetos para melhoria do trânsito na capital são destaque no contexto dos investimentos do país em infraestrutura e vão muito além de abrir e asfaltar acessos. Incluem construção de estradas, avenidas, urbanização de bairros, saneamento, drenagem, coleta de lixo, paisagismo, sinalização, iluminação pública, educação no trânsito e outros, voltados para escoar o movimento dos veículos, promover o turismo e resgatar a qualidade de vida e o orgulho do cidadão. Pelos caminhos congestionados de Luanda, percebe-se a forte presença da Odebrecht.

Conexão Centro-Luanda Sul
O principal polo de crescimento da cidade é Luanda Sul, região onde estão instalados os novos condomínios residenciais e comerciais, incluindo o único shopping center do país. As Avenidas da Samba e 21 de Janeiro, que fazem a ligação do sul da capital à região central e ao Aeroporto Internacional 4 de Julho respectivamente, estão sendo trabalhadas dentro do Programa de Saneamento Básico de Luanda, contratado pela Direção Nacional de Infraestruturas Públicas, do Ministério de Obras Públicas. O lado visível dessas obras (abertura e alargamento das pistas, pavimentação, instalação de separadores, iluminação pública, construção de passeios e sinalização) esconde o maior diferencial do programa: a construção das valas de macrodrenagem para a coleta de águas pluviais, garantindo a conservação e durabilidade dos trabalhos executados.

Outra inovação para os padrões locais é a implantação de redes técnicas de dutos para a instalação de cabos telefônicos e elétricos e condutas de água sob as calçadas. “Isso fará com que as concessionárias públicas não danifiquem os serviços executados para instalar as suas futuras redes”, explica Pedro Pinheiro, Diretor de Contrato da Odebrecht.

Também sob coordenação de Pedro estão sendo executados mais dois contratos. Localizado entre duas das principais avenidas da capital, a 21 de Janeiro e a Ho Chi Minh, o bairro Mártires do Kifagondo é populoso e repleto de residências e estabelecimentos comerciais que não dispõem de esgoto e demais serviços básicos. Com conclusão prevista para 2010, os trabalhos de recuperação dessa área estão provocando transtornos passageiros na rotina da população local, com interrupções de ruas e movimentação de máquinas pesadas.

“O Gabinete para Intervenção na Província de Luanda, nosso cliente, considerou a experiência da Odebrecht na comunicação com a comunidade fator crucial para a boa execução desta obra complexa. A população compreendeu que os benefícios gerados compensarão os transtornos”, diz Pedro Pinheiro. Estão sendo instaladas redes de drenagem de águas pluviais e de coleta de esgoto; infraestrutura para telefonia, iluminação pública, pavimentação, sinalização e paisagismo. Próximo dali está o outro contrato dirigido por Pedro: a ampliação do parque de estacionamento e da pista de taxiamento do Aeroporto Internacional de Luanda.

Vias Expressas
Em outra frente de atuação, está o projeto Vias Expressas, que prevê a construção de corredores viários em regiões periféricas de Luanda, os quais servirão para agilizar o transporte das riquezas geradas pela reconstrução do país. São seis vias, com um total de 68 km, fruto de um investimento de US$ 900 milhões e contratadas pelo Instituto de Estradas de Angola, órgão ligado ao Ministério de Obras Públicas. A maior delas já está em fase final de execução: a Autoestrada Periférica de Luanda, que, com 33 km, cruza outras três rodovias radiais e facilita o acesso à capital. Segundo o Diretor de Contrato Tiago Britto, o maior desafio do projeto é a logística. “Importamos praticamente todos os materiais usados na obra, como ferro, asfalto, postes, luminárias, cabos elétricos, peças de equipamentos e até cimento, o que exige um planejamento maior dos estoques e custos mais elevados.”

De modo a acompanhar a frota de caminhões, foi implantado um moderno sistema de monitoramento. Importado dos Estados Unidos e instalado no canteiro central de Camama, o equipamento de rastreamento via satélite acompanha os 130 caminhões que diariamente trazem brita da central de Britagem de Cabuledo, a 120 km de Luanda. “Além de dar mais segurança aos nossos motoristas, o sistema Iris controla a velocidade e o modo de utilização de toda a frota. Isso possibilita economizar combustível e pneus e detectar possíveis desvios de rota”, explica Tiago.

Vias de Luanda
O projeto Vias de Luanda vai muito além de obras de engenharia. São intervenções urbanísticas que vêm tornando os principais corredores centrais da cidade mais humanizados, com a utilização de elementos artísticos típicos, muito verde e a instalação de áreas de convivência e lazer, além de equipamentos de infraestrutura. São 36 km de restauração, iniciada em abril de 2008 pelas Avenidas Deolinda Rodrigues, Ho Chi Minh, Samba, Amilcar Cabral e Revolução de Outubro. Mais de 2,5 mil trabalhadores cuidaram da pavimentação, instalação de calçadas, jardins, valas para drenagem, sinalização e redes subterrâneas (esgoto, água, energia elétrica e telefonia).

Avenidas e praças foram revitalizadas com paisagismo, calçadas, quadras esportivas e caramanchões projetados pelo escritório do arquiteto brasileiro Jaime Lerner. Elementos típicos do país foram adotados como referência para a decoração dos passeios com mosaicos de pedras inspirados nas tapeçarias de sisal de Angola. São os novos cartões-postais da cidade.

O trabalho de engenharia foi acompanhado pelo Programa Bem-me-Quer, de educação para o trânsito e cidadania, voltado para a utilização dos novos equipamentos e sua conservação. Além de ações nos locais das obras, uma campanha de TV foi veiculada para envolver a população e sensibilizá-la sobre a importância do Vias de Luanda, que também prevê atividades de limpeza pública.

Obras viárias em Luanda

Marcos Rabello, Diretor do Contrato, destaca que o diferencial deste projeto é o caráter estético e as atividades de comunicação, educação e manutenção encomendadas pelo Governo Provincial de Luanda. Há também uma nova frente de trabalho voltada para o desenvolvimento turístico da Avenida Mortala Mohamed, na Ilha de Luanda. Com forte potencial para a exploração turística e vista para o Atlântico de um lado e para o centro da capital do outro, a região receberá uma via revitalizada com passeios e ciclovias arborizadas, equipamentos de segurança, lazer, esportes e estacionamentos. Uma pequena floresta será restaurada e transformada no jardim botânico da cidade. “Luanda não precisa somente de infraestrutura. É tempo também de modernizar a cidade e valorizar o cidadão neste cenário”, resume Rabello.