Fórmula 1

Uma vitória de todos

Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 tem troféus feitos de plástico reciclado, numa iniciativa envolvendo cooperativa de catadores

texto: Danielle Espósito

Você já imaginou o lixo como estrela de um dos maiores e mais glamorosos eventos esportivos do mundo? Foi o que aconteceu no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, realizado em outubro no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O troféu do GP foi feito com resíduos plásticos coletados e reciclados no próprio evento.

Ao todo, foram coletadas 28,2 t de resíduos recicláveis, das quais 9 t eram de resíduos plásticos. Para colocar a ideia inovadora em prática, a Braskem levou para o autódromo uma cooperativa especializada em coleta seletiva, a Coopercaps (Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro), e instalou uma usina de reciclagem no local. “A responsabilidade foi grande para cada um dos mais de 80 cooperados responsáveis pela coleta seletiva. Assim como é grande o nosso orgulho por termos participado dessa iniciativa pioneira”, salienta o Presidente da Coopercaps, Telines do Nascimento, o Carioca.

Depois da triagem dos resíduos coletados, foram realizados, na usina, o processamento e a moldagem das peças, que deram origem ao troféu reciclado entregue ao vencedor e demais premiados do GP.

O objetivo da iniciativa foi demonstrar as possibilidades de reutilização do plástico, já que o material é 100% reciclável. Além disso, a iniciativa abordou de forma equilibrada os três aspectos do desenvolvimento sustentável: o econômico, ao fortalecer o papel do plástico na vida moderna; o social, ao possibilitar a geração de renda a uma cooperativa de catadores; e o ambiental, ao propiciar a reciclagem de uma grande quantidade de lixo que anteriormente iria parar nos aterros, segundo Jorge Soto, Responsável por Desenvolvimento Sustentável na Braskem.

Geraldo Pires, consultor de projetos socioambientais da Plastivida (Instituto Socioambiental dos Plásticos), faz questão de enfatizar o papel educativo da cadeia produtiva do plástico em relação ao pós-consumo e na destinação correta dos resíduos plásticos. “Essa ação foi fundamental para levar às pessoas, à sociedade, a mensagem sobre reciclagem, cidadania e proteção ao meio ambiente”, diz. Segundo a Plastivida, atualmente o Brasil recicla 21% do plástico que produz, enquanto a média da União Européia é de 18,3% e a da Alemanha, recordista mundial de reciclagem mecânica, é de 31%.

"A cadeia produtiva do plástico está atuando de forma educativa na questão do pós-consumo"
[ Geraldo Pires ]



A iniciativa pioneira deixa claro que muitas alternativas e soluções estão ao alcance de todos. “Precisamos valorizar o que temos à disposição, o resíduo sólido urbano. A tampinha da garrafa plástica virou troféu. É importante reforçar que o destino adequado desses resíduos pode produzir maravilhas”, destaca Jorge Soto.

A ação no GP Brasil foi promovida pela Braskem em conjunto com as empresas Romi, fabricante de maquinários industriais, e Fortymil, distribuidor de resinas e reciclador de plástico, além da Plastivida e da Coopercaps. O troféu do GP 2009 foi uma reedição do desenho desenvolvido em 2008 pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, pela beleza e originalidade da peça.