Peru

A alegria de quem vê o futuro

No Peru, programas educacionais estimulam crianças a se interessar pela leitura. Qualificação profissional também é destaque

texto: Marco Antônio Antunes
fotos: Edu Simões

Luiz Martín, de 11 anos, é aluno do quinto grau do Instituto de Ensino Ñunay Temple, no município de Bagua Grande, Região (Estado) do Amazonas, no Peru. Ele garante, com a ingenuidade natural da idade, que já sabe o que vai ser quando crescer: “Quero ser engenheiro e construir edifícios de escritórios”. Há meses, Luiz se diverte com o movimento de trabalhadores e máquinas nas obras da Rodovia IIRSA Norte, um dos oito projetos que a Odebrecht desenvolve no país. Com seus 955 km de extensão (dos quais 407 estão sendo recuperados e modernizados), a estrada liga Paita, no Pacífico, a Yurimaguas, na Amazônia.

Um dos 320 alunos que participam do programa Biblioteca Móvel, um ônibus moderno com ar condicionado, poltronas confortáveis, lousa e prateleiras cheias de livros, Luiz se destaca na turma por seu espírito de liderança, sua simpatia e quase nenhuma timidez. “Gosto de ler os livros da biblioteca, porque me ensinam muito e me mostram coisas que nunca tinha visto.”

Aliny Mijahuanca Chicoma, 8 anos, aluna do terceiro grau, também vibra com a chegada da biblioteca ambulante. “Os contos são o que mais me encanta, porque são bonitos e me ensinam a ler mais depressa”, diz, segurando um dos livros da série Contos de Realidade Social que a professora Roxana Paiva, da Odebrecht, formada pela Universidade César Vallejo, de Piura, acabara de distribuir aos alunos. São duas horas por dia de leitura acompanhada, três vezes por semana, em horários diferentes dos das aulas normais.

Produzidos pela Concessionária IIRSA Norte, cliente e responsável pela manutenção e administração da rodovia, os livros também são usados em outra ação educacional, o Programa Ler, e são editados com supervisão da Direção Regional de Educação do Amazonas, representante máxima do Ministério da Educação na região, e da Universidade de Piura. Seus principais personagens são quatro amigos, dois meninos e duas meninas, que dialogam sobre a importância da estrada para sua região e o país, destacando os cuidados com a segurança e o meio ambiente.

O professor Feliciano León Arévalo, da escola primária de Santa Elena, na mesma região, considera o Programa Ler um excelente complemento do sistema de ensino oficial. “Temos 45 alunos aqui. As crianças se sentem mais motivadas com esse programa adicional, que as leva a querer ler cada vez mais.”

Cynthia Avellaneda, 26 anos, é a Responsável por Programas de Responsabilidade Social e Imagem e Comunicação do Consórcio Construtor IIRSA Norte, formado pela Odebrecht Peru e a construtora peruana Graña y Montero. Ela informa que, além das 320 crianças de cinco escolas participantes, o Programa Biblioteca Móvel conta também com 230 pais de alunos (como apoiadores dos filhos) e 17 docentes. O programa já contabiliza quase 400 visitas. O Programa Ler, por sua vez, cuja base é o estímulo à leitura nas próprias salas de aula e que também conta com apoio do ônibus-biblioteca, beneficiou cerca de 280 alunos até novembro passado, em cinco escolas, com 14 docentes capacitadas e 200 pais envolvidos.

Allan Chan, 29 anos, da Odebrecht, Responsável por Administração e Finanças, se impressiona com a adesão dos peruanos às ações de responsabilidade social desenvolvidas na IIRSA Norte. “É muito bom ver como todos participam, as crianças, seus pais e professores”, observa ele, que responde pela coordenação dos programas sociais e educacionais. Fazem parte da lista de programas da empresa o apoio a agricultores no desenvolvimento de projetos autossustentados e o combate à Aids.

O equatoriano Gibran Loor, 38 anos, Diretor de Contrato pela Odebrecht, informa que as obras da Rodovia IIRSA Norte, iniciadas em 2005, terminarão em 2010. Mas os programas sociais continuarão, graças ao apoio já garantido pela Concessionária IIRSA Norte e os parceiros locais na área da educação, diz ele, lembrando que a concessão é uma outorga com prazo de 25 anos. E o Governo peruano planeja replicar os programas em outras regiões do país.

Obras como essa rodovia não são apenas instrumentos de desenvolvimento econômico, salienta Jorge Barata, Diretor-Superintendente da Odebrecht Perú. “Com as estradas, vêm energia, telefone e novas empresas”, ele ressalta. “Mas por que não promover simultaneamente ações sociais? É isso que estamos fazendo e não pretendemos parar, pois elas são importantes demais para a população carente e gratificantes para nós.”

Formação de trabalhadores


Ouro, cobre, prata e gás são alguns dos principais produtos de exportação do Peru, todos em alta no mercado mundial, o que possibilita ao país investir cada vez mais em obras de infraestrutura. Um exemplo é a construção do Porto de Melchorita, entre as Províncias de Chincha e Cañete, 170 km ao sul de Lima, que o Consórcio CDB Melchorita (formado por Odebrecht, ENI, Saipem e Jan De Nul) executa junto à Planta de Liquefação de Gás Natural de propriedade da Perú LNG. “Essa planta transforma em líquido (GNL) o gás natural que é transportado por gasoduto da selva amazônica peruana até o litoral, para depois ser exportado por navios-tanque”, explica Henrique Ventura, da Odebrecht, Diretor de Contrato do porto.

Praticamente pronto, o porto tem o início de sua operação, pela Perú LNG, previsto para junho de 2010. As obras, em seu auge, geraram 2.500 postos de trabalho. Diversos programas sociais foram desenvolvidos, os quais, mesmo com o fim das obras, serão mantidos, diz o peruano Alejandro Huaman Hidalgo, Responsável por Administração e Finanças no consórcio construtor.

Coordenados por Gina Pando, Responsável por Relações Comunitárias e Comunicação Social, do Consórcio CDB Melchorita, chamam a atenção três dos programas que o consórcio mantém em Chincha e Cañete. O Escola CDB Melchorita, em funcionamento há dois anos, tem como meta o desenvolvimento humano integral de meninos e meninas. Desse programa fazem parte o CDB Afro, que visa preservar a identidade cultural da região através do ensino, da prática e da difusão da música e dança típicas da região, e o CDB Sport, que seleciona e treina meninos e meninas, sobretudo das áreas carentes dos dois municípios vizinhos, para a prática do futebol.

Há ainda um terceiro programa, este destinado a ensinar ofícios a pessoas não qualificadas profissionalmente. Para isso, o consórcio montou oficinas de confeitaria, culinária, confecção, calçados, bijuterias, maquiagem e manicure e decoração de eventos festivos. “Muitas mulheres atraídas pelas oficinas, que antes não tinham nenhum ofício, hoje ganham dinheiro suficiente para ajudar nas despesas da casa e até para manter os filhos na escola”, diz com orgulho Margarita Mayta, Presidente da Associação das Mulheres Imperialinas, da cidade de Imperial, Província de Cañete, que coordena as sete oficinas, com apoio do consórcio. Mais de mil pessoas já passaram pelos cursos e a maioria já trabalha, sobretudo por conta própria.