Argumento por Ricardo Voltolini

Negócios, cada vez mais sustentáveis

Até 2007, o debate sobre sustentabilidade estava circunscrito a um grupo de ecologistas e empresas socialmente responsáveis. Com o anúncio dos cientistas da ONU sobre o aquecimento global, o que era uma suposição de poucos se transformou em certeza de muitos. E a ameaça que parecia distante ficou mais próxima. Mudar modelos de produzir e consumir tornou-se imperativo.

As empresas, ao que parece, vêm incorporando o senso de urgência para mudança. Sensíveis ao esgotamento do modelo “extrair-produzir-descartar”, e sintonizadas com a busca de soluções para os problemas globais, elas avançaram mais rapidamente dos estágios de cidadania corporativa (apenas ter projetos sociais) e de responsabilidade socioambiental (dispor de um conjunto de práticas específicas) para o de sustentabilidade, o que significa dizer inserir o tema em suas estratégias de negócio, como chave na reorientação de processos, cadeias de valor, pesquisa e desenvolvimento de produtos.

A escalada sustentável se verifica em um cenário marcado por três tendências globais. A primeira tem a ver com o prenúncio de que a exaustão dos recursos do planeta pode restringir as operações de negócio e redesenhar mercados. A segunda diz respeito ao fato de que cada dia mais empresas enfrentam um número crescente de públicos sensíveis às questões socioambientais. E a terceira refere-se a uma corrente mundial de regulação pública e maior incentivo para que governos, empresas, famílias e indivíduos intensifiquem suas práticas de sustentabilidade.

Como em todo movimento, são as empresas líderes que puxam o cordão. Para elas, sustentabilidade representa um campo de oportunidades para cortar desperdícios, reduzir riscos, adicionar valor e estreitar vínculos mais sólidos com seus stakeholders. No esforço de implantá-la, as mais bem-sucedidas seguem um roteiro de eficácia comprovada. Primeiro, desenvolvem uma visão clara do que significa sustentabilidade para o seu negócio, escolhendo questões que impactam seus clientes. Segundo, concentram-se no que sabem fazer melhor. Terceiro, antecipam-se às mudanças, transformando o que seriam desafios para os clientes em oportunidades de negócio. E quarto, educam integrantes.

Neste século 21, os melhores negócios serão aqueles que conseguirem conciliar os interesses de seus donos com os da sociedade e do planeta.

Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Socioambiental e diretor da empresa Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade