Líbia

Uma cultura que é idioma universal

Na Líbia, Odebrecht vive o desafio de manter a unidade cultural entre seus 5 mil integrantes de 35 nacionalidades

texto: Leonardo Maia
fotos: Américo Vermelho

Com apenas três anos de atuação na Líbia, a Odebrecht tem nesta nação árabe sua verdadeira Torre de Babel. São mais de 5 mil integrantes de 35 nacionalidades, em dois dos maiores projetos de infraestrutura do país: a ampliação do Aeroporto Internacional de Trípoli e o Terceiro Anel Viário da mesma cidade. Com integrantes vindos dos cinco continentes, muitos deles de fora da Organização, a Odebrecht Líbia cria oportunidade para a formação de uma nova geração. Manter a unidade cultural em um ambiente novo é o grande desafio.

No momento da mobilização para a Líbia, a Odebrecht decidiu apostar na diversidade e nos jovens. Atualmente, 87 expatriados com até 30 anos enfrentam seus primeiros desafios na África. Eles vêm de 13 países diferentes, 40% deles estão em sua primeira experiência na Organização e praticamente todos nasceram em países não muçulmanos. Eles se juntam a profissionais mais maduros vindos de países tão diversos como Canadá, Vietnã, Equador e Egito.

Entre as 35 nacionalidades da Odebrecht na Líbia, a mais numerosa é a tailandesa (mais de 1.800 pessoas), seguida da líbia e da vietnamita.



“A Líbia é um grande laboratório de formação da nova geração, conta com o apoio de Pessoas de Conhecimento ocupando cargos de liderança. O ambiente reúne muitos elementos necessários para o rápido crescimento pessoal e profissional dos jovens”, explica Daniel Villar, Diretor-Superintendente da Odebrecht na Líbia. O jovem engenheiro gaúcho Alexandre Del Sálvio, que está em Trípoli desde o início da operação, concorda: “As coisas aqui acontecem numa velocidade maior. O amadurecimento é acelerado; um ano na Líbia vale como três ou quatro no Brasil”.

A esposa de Alexandre, Janaíne, que trabalha na área de Pessoas e Organização do Terceiro Anel Viário, já se considera adaptada à cultura líbia, mas não deixa de listar os desafios. “O conceito de diversão é diferente. Aqui a bebida alcoólica é proibida, não há boates, grandes shoppings, shows. É também estranho trabalhar aos sábados e domingos e ter apenas a folga da sexta”, diz ela, que já sofreu algumas provocações por andar na rua sem lenço na cabeça. “Temos de respeitar a cultura e não sair de saia curta, por exemplo. Se alguém usasse burca em Passo Fundo, todos iriam estranhar também.”

No mundo árabe é comum que grande parte do pessoal operacional venha de outros países. Para as funções de nível técnico e universitário, a Odebrecht prioriza os árabes da região.



Para o iraquiano Hussein Al Khashab, que entrou na Odebrecht em 2003 e já passou pelo Emirados Árabes e Djibuti, os brasileiros se adaptam de maneira rápida. “Não posso ignorar que alguns têm dificuldade por conta da língua, mas a influência da imigração árabe no Brasil ajuda. Em alguns momentos, confundo os brasileiros com os árabes, eles se parecem bastante.” Fadel Eswedi, de 28 anos, que atua na obra do Aeroporto, também aposta numa adaptação rápida: “Eu acredito que a conversa é a melhor maneira de entender a cultura do outro. Os brasileiros são interessados e perguntam sobre tudo”.

A disseminação dos conceitos e valores da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) vem sendo bastante desafiadora na Líbia por conta dos muitos integrantes recém-contratados. A busca da unidade cultural passa por programas como o de Introdução à Cultura Odebrecht e o Rotas do Conhecimento, que já tiveram a participação de mais de 350 expatriados. Antes de chegar, o estrangeiro também recebe amplo material sobre a Líbia. O plano agora é fazer com que a TEO chegue mais facilmente aos integrantes locais. “Os líbios que são líderes e falam inglês participam dos mesmos programas de desenvolvimento dos expatriados e têm se integrado de forma natural e positiva. Já nos níveis médio e operacional, nos quais o idioma árabe é necessário, estamos capacitando um integrante local para nos ajudar a transmitir a TEO”, conta Ciro Barbosa, Responsável por Planejamento, Administração e Finanças.

Com a experiência de quem já participou de programas de desenvolvimento em Djibuti, Hussein Al Khashab acredita que iniciativas desse tipo são importantes. “A Odebrecht possui um ambiente único e valores que poucas companhias têm. Na nossa empresa não se olha apenas a habilidade e experiência do indivíduo, mas também a sua cultura.” Alexandre Del Sálvio, que participou do Programa de Introdução à Cultura em 2008, acredita que a TEO está se disseminando. “Integrantes com anos de experiência vêm sendo mobilizados e hoje vemos a TEO na prática. Um dos pontos que mais me chamam a atenção é a identificação do substituto. É uma mentalidade diferente, de investimento em pessoas mais novas”, ressalta.

Para o líbio, recusar a comida oferecida é desfeita. E durante o período do jejum conhecido como Ramadã, o ocidental deve evitar comer na frente dos árabes.



Um desafio talvez ainda maior seja influenciar os líbios a assumirem um plano de vida e carreira na empresa. Na cultura local, o trabalho ainda é, para muitos, apenas a quarta prioridade, atrás da religião, da família e dos amigos. Alguns, como Fadel Eswedi, já dão a entender que algo está mudando. “Se eu recebesse uma proposta de outra empresa, pensaria bastante. Sinto, porém, que na Odebrecht tenho mais oportunidades. Aprendi a liderar e a conviver com culturas diferentes. Projetos grandes como o do Aeroporto não são comuns na Líbia; preciso aproveitar.”