Conhecimento I
Elemento agregador
Comunidades de Conhecimento são um fórum permanente de discussão e compartilhamento de experiências
texto: Leonardo Mourão
Em dezembro, a Odebrecht venceu a licitação de uma das maiores rodovias a serem construídas no continente: a Ruta del Sol, que ligará Bogotá à costa colombiana. O lote conquistado, um trecho de 528 km, terá sua construção iniciada apenas em 2011, mas já é um marco na história da Odebrecht.“Quando estávamos fazendo a nossa proposta, surgiram algumas dúvidas técnicas”, conta o Diretor de Contrato da Ruta del Sol, Manuel Ximenes. “Pedimos então o apoio da Comunidade de Rodovias. Foi fantástico. Surgiram contribuições de todos os lugares, alguns companheiros foram à Colômbia para nos auxiliar. Assim conquistamos essa vitória.”
A Comunidade de Rodovias a que Manuel Ximenes se refere é um dos 11 grupos temáticos que compõem a Rede de Conhecimento da Odebrecht. Criados a partir de 2001, esses grupos congregam, por intermédio da internet, integrantes que têm interesses e conhecimentos em comum e querem divulgar o que viveram nos canteiros de obras. Caso algum deles necessite de esclarecimentos, submete a questão aos demais. A resposta costuma vir rapidamente.
“É como uma consultoria interna, um fórum permanente de discussão”, compara Olindina Perez Dominguez, do Ciaden – Conhecimento e Informação para Apoiar Desenvolvimento de Negócios, que coordena a Rede de Conhecimento. “Em uma empresa descentralizada como a Odebrecht, esses grupos garantem a sinergia entre os negócios e preservam o grande acervo de práticas e competências adquiridas no dia a dia das obras.”
Líder da Comunidade de Metrôs, Danilo Abdanur vê outros méritos. “Porque o conhecimento é universal, as Comunidades são democráticas”, diz. “Todos, independentemente da hierarquia, têm acesso a elas.” O tom em que as informações são passadas também assegura o sucesso da iniciativa, afirma Mauro Hueb, líder da Comunidade de Rodovias, a qual estará presente no Congresso Mundial de Rodovias, que ocorrerá em Portugal, em maio. “Ler um artigo é importante, mas conhecer experiências, na linguagem dos canteiros, envolve ainda mais os profissionais.” As comunidades também fazem chegar a seus integrantes o que existe no estado da arte em seus temas de interesse. O evento idealizado por Alexander Christiani, líder da Comunidade de Infraestrutura Marítima, é um exemplo. Em novembro, 55 integrantes foram a Copenhague para visitar os mais importantes laboratórios do mundo na área de hidráulica marítima, ali localizados. “É preciso conhecer o que há de melhor no mercado para atingir um nível de excelência mundial”, afirma Christiani.
“Poucas empresas dão valor ao conhecimento e à importância de compartilhá-lo. A Odebrecht é uma dessas bem-vindas exceções”, diz o coordenador do Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Cavalcanti. Segundo ele, a divulgação para toda a empresa de uma experiência acumulada por milhares de integrantes é um trunfo imbatível. “Para uma empresa, o conhecimento não é a cereja do bolo; é o fermento que a faz crescer.”