21 de maio de 2012
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PETROQUÍMICA
Pioneirismo verde-amarelo em solo americano
A Braskem agora produz polipropileno nos Estados Unidos, em unidades na Pensilvânia, no Texas e na Virgínia Ocidental
A planta de Marcus Hook, na Pensilvânia: capacidade para produzir 375 mil t/ano de polipropileno
Texto: Cláudio Lovato Filho | Fotos: Américo Vermelho

A Filadélfia é lugar de pioneiros. A cidade, que chegou a ser a segunda maior do Império Britânico, atrás apenas de Londres, teve papel decisivo na independência norte-americana e foi a capital temporária enquanto Washington estava sendo construída. A “Cidade do Amor Fraternal” (Philadelphia, do grego) tem longa tradição em gerar ideias de liberdade e cultivar princípios de mudança e evolução. É nessa cidade pródiga em histórias de ousadia que, no início deste ano, um grupo de profissionais da Braskem ajudou a fincar em solo norte-americano, pela primeira vez, a bandeira da petroquímica brasileira. Esses desbravadores estão agora empenhados no trabalho de integração dos ativos de polipropileno da Sunoco Chemicals à Braskem.

Com sede na Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, costa leste dos Estados Unidos, a Sunoco Chemicals era uma divisão da Sunoco Corporation, gigante do setor de refino de petróleo. Com a aquisição dos negócios de polipropileno, anunciada em fevereiro de 2010 e concluída no início de abril, por US$ 350 milhões, a Braskem America se tornou a quarta maior fornecedora desse termoplástico na América do Norte e consolidou sua posição de maior produtora de resinas das Américas, dando um passo importante em seu projeto de internacionalização.

É a primeira operação industrial da Braskem fora do Brasil. Agora são três plantas industriais nos Estados Unidos: em Marcus Hook, na região metropolitana da Filadélfia; em La Porte, na região metropolitana de Houston, no Texas; e em Neal, na Virgínia Ocidental. Nessas três plantas são produzidas 950 mil t/ano de polipropileno. A Braskem adquiriu também o Centro de Tecnologia localizado em Pittsburgh, na Pensilvânia, um polo de desenvolvimento de produtos e serviços, apoio técnico e comercialização, no qual atuam 50 pessoas, entre engenheiros químicos, químicos e profissionais de venda. No total, a equipe da Braskem nos Estados Unidos é formada por 430 integrantes.

Ricardo Lyra, Responsável por Pessoas, Organização e Comunicação na Braskem America, participou em abril de uma série de visitas às unidades recém-incorporadas para apresentar a Braskem e a Organização Odebrecht aos novos integrantes norte-americanos, responder às suas perguntas e esclarecer suas dúvidas. Do plano de saúde à performance industrial, os mais diversos temas foram tratados. Acompanhando Bruce Rubin, que liderou os primeiros passos da integração e que assumiu em maio o programa de Relações Institucionais e Desenvolvimento de Negócios, Christopher Bland e Robert Nadin, respectivamente Responsável Industrial e Responsável por Tecnologia da Sunoco Chemicals, agora profissionais da Braskem, Ricardo foi às fábricas nos três estados e ao Centro de Tecnologia.

“Estamos conduzindo um processo de comunicação amplo e transparente”, diz Ricardo. “Nenhuma pergunta fica sem resposta.” Segundo ele, o clima para a integração é o melhor possível. “As pessoas sabem que agora seu trabalho faz parte do core business da empresa e estão conscientes de que isso abre novas perspectivas de crescimento, individuais e empresariais.”

A Braskem também está sendo apresentada a seus novos clientes norte-americanos. Mark Nicolich, desde 2001 na Sunoco, vem tendo papel de destaque nesse trabalho. Ele é Responsável pelas áreas Comercial e de Supply Chain (cadeia de fornecimento). “Os clientes estão otimistas com a chegada da Braskem”, ele diz. O fato de que, agora, serão atendidos por uma empresa que tem como negócio principal a produção de polipropileno tem gerado boas expectativas, relata Mark. O mesmo ele vê ocorrer com seus colegas. “Há uma energia muito positiva.”

Bruce Rubin iniciou seu trabalho na Sunoco Chemicals há 31 anos. Engenheiro químico, começou na unidade de Marcus Hook e chegou à liderança do negócio. Bruce está vivendo o que chama de “um novo começo”. Ele destaca: “Estamos na fase de separação da Sunoco e de integração à família Braskem. É um momento muito interessante, muito motivador, de aprendizados e troca de experiências, de educar clientes e buscar novas ideias, novos produtos. O enorme potencial de oportunidades está começando a ser percebido pelas pessoas”.

É o caso de Kelly Elizardo, há 10 anos na Sunoco Chemicals. Ela trabalha no escritório da Filadélfia, é engenheira química, mas se especializou em Finanças e atua como Responsável por Apoio nessa área. “Estou muito entusiasmada com a perspectiva de trabalhar no modelo da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO)”, ela afirma. “Gosto de mudanças, adoro desafios e oportunidades de aprender.”

Esse sentimento de início de novos tempos, com valorização das pessoas e foco no cliente, pode ser notado com facilidade e intensidade no Centro de Tecnologia de Pittsburgh. No dia 12 de abril, Ricardo Lyra, Bruce Rubin, Christopher Bland e Robert Nadin reuniram todos os integrantes do centro para falar sobre a chegada da Braskem. “Tecnologia interessa, diferenciação nos negócios interessa, mas nada interessa mais do que as pessoas e seu desenvolvimento”, disse Bruce Rubin na reunião.

Robert Nadin, há oito anos na liderança do Centro de Tecnologia de Pittsburgh, reforça: “Estamos todos muito felizes por passarmos a trabalhar em uma grande empresa, que está crescendo, que investe em desenvolvimento de produtos e em tecnologia, e que traz novos conceitos de comercialização. A Braskem é uma empresa que está comprometida com o crescimento”.

Do Centro de Tecnologia de Pittsburgh para as fábricas, e de lá para os clientes. Christopher Bland, na Sunoco desde 2005, informa que a prioridade em sua área neste momento de transição é assegurar a clientes e fornecedores que nenhum tipo de interrupção ocorrerá em seu relacionamento cotidiano. Internamente, a hora é de conhecer as práticas de saúde, segurança e meio ambiente e o método de organização do trabalho nas unidades no Brasil. “Existe na Braskem uma cultura de confiança nas pessoas e de dar a elas liberdade para avaliar e decidir. Isso me deixa feliz.”

Foi um ambiente com esse tipo de sentimento que Renato Monteiro encontrou ao chegar à Filadélfia, em fevereiro de 2010. Renato responde pela área financeira da Braskem nos Estados Unidos. Ele participou diretamente do processo de aquisição da Sunoco Chemicals desde os primeiros movimentos. “Quando cheguei ao escritório da Sunoco na Filadélfia, eu sabia que estávamos vivendo um momento histórico, para a Braskem e para o Brasil”, diz Renato. “A receptividade das pessoas foi a melhor possível. Logo percebi que o modelo empresarial da Braskem e da Odebrecht soava como música aos ouvidos de todos aqui.”

"Sequência de recentes aquisições realizadas pela Braskem, no Brasil e nos Estados Unidos, é um divisor de águas na história da empresa e da petroquímica brasileira"Carlos Fadigas

O alinhamento de visões entre os principais acionistas da Braskem, a Organização Odebrecht e a Petrobras, em torno da necessidade de fortalecer a petroquímica brasileira e torná-la mais preparada para a competição global foi decisivo para a concretização da aquisição nos Estados Unidos.

Carlos Fadigas, que atuava como Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores da Braskem desde 2006 e assumiu novo desafio como CEO (principal executivo) da Braskem America em maio, salienta que o Governo brasileiro tem criado as condições para a existência de uma economia forte ao proporcionar apoio ao setor empresarial. Fadigas vê na sequência de recentes aquisições realizadas pela Braskem, no Brasil e nos Estados Unidos, um divisor de águas na história da empresa e da petroquímica brasileira. “Com a aquisição da Quattor, foi concluída com sucesso a reorganização setorial no Brasil”, ressalta Fadigas. “Isso trouxe um horizonte de previsibilidade capaz de estimular a realização dos investimentos necessários ao país e nos permitiu aproveitar oportunidades de crescimento no mercado internacional”, ele acrescenta.
Galeria de Fotos
  • A planta de Marcus Hook, na Pensilvânia: capacidade para produzir 375 mil t/ano de polipropileno
    A planta de Marcus Hook, na Pensilvânia: capacidade para produzir 375 mil t/ano de polipropileno
  • A cidade de  Filadélfia
    A cidade de Filadélfia
  • O químico PhD Songsheng Zhang no Centro de Tecnologia, em Pittsburgh
    O químico PhD Songsheng Zhang no Centro de Tecnologia, em Pittsburgh
  • A partir da esquerda, sentados, Robert Nadin e Bruce Rubin; a partir da esquerda, de pé, Ricardo Lyra, Mark Nikolich, Christopher Bland e Renato Monteiro: brasileiros e norte-americanos vivendo, juntos, um momento histórico
    A partir da esquerda, sentados, Robert Nadin e Bruce Rubin; a partir da esquerda, de pé, Ricardo Lyra, Mark Nikolich, Christopher Bland e Renato Monteiro: brasileiros e norte-americanos vivendo, juntos, um momento histórico
  • Instalações do Centro de Tecnologia, em Pittsburgh
    Instalações do Centro de Tecnologia, em Pittsburgh
  • A entrada da unidade de Marcus Hook, já com a identidade visual da Braskem: indústria petroquímica brasileira produzindo nos Estados Unidos
    A entrada da unidade de Marcus Hook, já com a identidade visual da Braskem: indústria petroquímica brasileira produzindo nos Estados Unidos



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