21 de maio de 2012
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ENTREVISTA
Arquiteta das garantias
Formada em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Kátia Luz é Diretora da Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros (OCS)
Kátia Luz é Diretora da Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros (OCS)
Texto: Thereza Martins | Foto: Holanda Cavalcanti

Ela costuma dizer que é ex-arquiteta. A carreira foi um sonho da estudante e também da jovem profissional, que teve escritório e clientes em Salvador, cidade onde nasceu. Kátia ingressou na Organização há 20 anos com planos de exercer a profissão em obras e projetos da Odebrecht. Os planos, porém, duraram pouco. Logo foi convidada a integrar a equipe da OCS. Sem entender nada de seguros, aceitou o convite como um desafio. De 1994 a 2008, trabalhou no escritório da OCS em Miami, para onde foi com o marido, Walter, e quatro filhos. Lá nasceu o caçula, Matthew. Nos Estados Unidos, Kátia fez cursos de aperfeiçoamento em sua área de atuação, mas os conhecimentos adquiridos na Faculdade de Arquitetura foram e continuam sendo úteis para entender detalhes técnicos das obras para as quais fecha contratos de seguro e garantias.

Odebrecht Informa – Como foi deixar de lado os planos da carreira de arquiteta e seguir um caminho tão diferente?
Kátia Luz
– Meu objetivo era trabalhar na área em que me formei, mas fui convencida a aceitar a proposta pelo argumento de que a equipe liderada por Marcos Lima, na OCS, era ótima, com visão de futuro, o que me motivou. A OCS também precisa de arquitetos, engenheiros, administradores de empresas e advogados, porque o conhecimento técnico é muito importante no momento em que conversamos com especialistas e negociamos com as seguradoras.

OI – E como foi seu aprendizado?
Kátia
– No Brasil não há cursos universitários para essa formação. Então fiz cursos de especialização aqui no Brasil, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Em 1994, fui para Miami trabalhar na OCS e estudar. A proposta inicial era para dois ou três anos de permanência. Acabei ficando 15 anos.

OI – Desde quando a OCS mantém escritório nos Estados Unidos?
Kátia
– O marco da história da OCS nos Estados Unidos deu-se em 1992, quando o furacão Andrews atingiu a Flórida. A Odebrecht já estava trabalhando lá. Não ocorreram danos, mas sentimos necessidade de contratar alguém que conhecesse o mercado local para representar a OCS no país. Contratamos um profissional norte-americano, até sentir que o ideal seria contar com alguém integrado à cultura da Organização. Foi quando me mudei para Miami, em 1994.

OI – A OCS apoia os diversos negócios da Organização Odebrecht na avaliação de riscos. Como é essa atuação?
Kátia
– Quando buscamos seguro para um projeto, o primeiro passo é conversar com os engenheiros, conhecer os detalhes técnicos, os equipamentos que serão utilizados e os riscos apresentados, para desenhar as coberturas necessárias. A seguir, vamos vender o risco, no Brasil e no exterior, e não comprar seguro. É por isso que o domínio do negócio é tão importante. As obras precisam de seguro, e também de garantias, ou seja, de um aval atestando que o cliente, no caso a Odebrecht, irá completar a obra. Para dar esse aval, a seguradora precisa confiar na capacidade financeira, técnica e de caráter do cliente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o valor da garantia é de 100% do orçamento da obra. Se, por algum motivo, o projeto for interrompido, a seguradora tem obrigação de encontrar outra empresa para concluir o trabalho, ou pagar o valor acordado.

OI – Em projetos de engenharia, onde estão os grandes riscos?
Kátia
– Há riscos em todas as obras de engenharia. São barragens e hidrelétricas com desvios de rios, túneis, obras de metrô em grandes cidades, obras no mar, para a construção de plataformas de petróleo, com transporte e operação de guindastes de grande porte em cima de balsas, oscilando com as marés... O risco é grande, mas a responsabilidade com segurança, equipamentos e capacitação profissional também é.

OI – Quais são suas responsabilidades na OCS atualmente?
Kátia
– Lidero uma equipe de 19 pessoas e sou responsável pela área de Construção, da qual fazem parte as empresas da Odebrecht que atuam com Engenharia e Construção, a Foz do Brasil e a Odebrecht Realizações Imobiliárias. Para atender à demanda das obras, temos escritório em Miami, apoiando os negócios nos Estados Unidos e grande parte da América Latina, e em Lisboa, focado em projetos nos Emirados Árabes, na Líbia, em Moçambique e em Angola. Nesse país contamos ainda com um profissional exclusivo, pelo volume de contratos.

"Quando buscamos seguro para um projeto, o primeiro passo é conversar com os engenheiros, conhecer os detalhes técnicos, os equipamentos que serão utilizados e os riscos apresentados, para desenhar as coberturas necessárias" Kátia Luz

OI – Para quem começa na área de seguro, o que é importante aprender?
Kátia
– No caso da Odebrecht, é importante notar que a Organização vive um momento de crescimento acelerado. A fim de acompanhar a expansão e a complexidade dos negócios, precisamos preparar novos talentos, novas equipes. A esses jovens, digo que motivação é fundamental. E, também, que conheçam e pratiquem os princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht da humildade e do espírito de servir. Como empresa de apoio, a OCS deve servir aos nossos líderes empresariais e diretores de contrato, que são os nossos clientes.

OI – Como foi viver em Miami com a família?
Kátia
– As famílias, nos Estados Unidos, não dispõem dos serviços domésticos com que contamos no Brasil. Quando estava grávida do Matthew, às vezes me questionava se daria conta de tudo: trabalho, casa e mais um bebê. Claro que nada disso seria possível se eu não tivesse a meu lado um marido maravilhoso que sempre me apoiou e dividiu todas essas preocupações. Com cinco filhos, fim de semana em nossa casa sempre foi uma festa. Se eu não estivesse na cozinha preparando uma moqueca, um caruru ou um vatapá, meu marido, Walter, estaria na churrasqueira.

OI – Seu pai, Benedito Luz, trabalhou na área Financeira da Odebrecht por mais de 50 anos. Isso influenciou sua escolha profissional?
Kátia
– Meu pai, que completará 85 anos, começou a trabalhar com Dr. Norberto no início da Odebrecht. Cresci ouvindo as histórias da Organização e os conceitos da TEO (Tecnologia Empresarial Odebrecht). Ele trabalhou também com Dr. Emílio e, hoje, fico feliz pela oportunidade de dar minha contribuição ao Marcelo (Odebrecht). Ser filha de um ex-integrante que trabalhou para a Organização por mais de 50 anos não traz facilidades. Pelo contrário, é uma responsabilidade ainda maior.
Galeria de Fotos
  • Kátia Luz é Diretora da Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros (OCS)
    Kátia Luz é Diretora da Odebrecht Administradora e Corretora de Seguros (OCS)
  • Aeroporto de Miami, cliente da Odebrecht na cidade onde Kátia Luz viveu por 15 anos
    Aeroporto de Miami, cliente da Odebrecht na cidade onde Kátia Luz viveu por 15 anos



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