Projeto sobre comércio açucareiro no Brasil colônia é o vencedor do Prêmio Clarival do Prado Valladares
Daniel Strum: autor do projeto vencedor entre 218 inscritos
Texto: Renata Meyer | Foto: Dario de Freitas
Foi necessário cruzar o oceano para que o historiador paulista Daniel Strum, da Universidade Hebraica de Jerusalém, pudesse encontrar as respostas que procurava sobre o comércio açucareiro no Brasil colônia. Em arquivos do Porto, de Lisboa e de Amsterdã, colheu um rico material para seu projeto Açúcar em Águas Revoltas: o Comércio entre Brasil, Portugal e Holanda (1595-1618). Baseado em sua tese de doutorado em História defendida na universidade israelense, o projeto foi o vencedor da sexta edição do Prêmio Clarival do Prado Valladares.
O cruzamento das diversas fontes permitiu ao pesquisador reconstruir, em detalhes, os meandros do comércio do açúcar, uma das atividades econômicas que, historicamente, mais influenciaram a configuração do espaço geopolítico brasileiro. O resultado será publicado em livro a ser lançado no fim de 2011, com o apoio da Odebrecht.
“A historiografia tradicional volta-se para a produção dos engenhos, a escravidão, a ocupação do espaço no período colonial. Não há estudos metódicos específicos sobre o comércio açucareiro e, em particular, sobre as formas de superação dos obstáculos existentes”, afirma Strum, cujo trabalho foi selecionado entre 218 projetos inscritos.
Criado em 2003, o Prêmio Clarival do Prado Valladares é uma iniciativa da Organização Odebrecht concebida para incentivar a pesquisa histórica sobre temas de relevância na evolução econômica e sociopolítica do Brasil. Para pesquisadores como Strum, é uma oportunidade de socializar o conhecimento. “A premiação é o reconhecimento de todo um esforço voltado para a compreensão de uma atividade que trouxe tantos impactos para a vida das pessoas”, destaca.