24 de maio de 2013
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ENTREVISTA
O cultivo da liderança
“É fundamental ter uma visão clara e uma equipe motivada, competente e alinhada.” A afirmação de José Carlos Grubisich, Líder Empresarial da ETH Bioenergia, dá uma boa ideia de como este paulista de Itatinga lidera a empresa cuja meta é se tornar líder no mercado de bioenergia em 2012.
José Carlos Grubisich
Texto: Zaccaria Júnior | Fotos: Holanda Cavalcanti

“Também é essencial bastante trabalho e disciplina”, ele acrescenta. Controlada pela Odebrecht, a ETH atua de forma integrada na produção, comercialização e logística de etanol, energia elétrica e açúcar. Nesta entrevista, José Carlos Grubisich fala a Odebrecht Informa sobre a grande transformação pela qual vem passando o setor sucroenergético, tanto do ponto de vista de operações - cada vez mais modernas e mais automatizadas - quanto no aspecto de sua consolidação, que está fazendo surgir grupos com robustez e capacidade de crescer de forma ainda mais rápida e competitiva.

Odebrecht Informa – O Brasil é hoje o líder global no setor sucroalcooleiro. Como ocorreu a evolução para chegarmos a esse patamar?
José Carlos Grubisich
– Primeiro, o Brasil tem uma tradição histórica com a cana-de-açúcar e com a produção de etanol e açúcar. Podemos observar três grandes períodos. O primeiro é a chegada da cana-de-açúcar ao país para produção de açúcar e de cachaça, que começou crescendo no Nordeste e veio para o Centro-Sul; um segundo período, de grande investimento e de grande crescimento, é associado ao uso do etanol como combustível alternativo dentro do Proálcool (lançado em 1975 no governo do Presidente Ernesto Geisel), programa que surgiu para dar uma certa autonomia energética ao país em meio à crise do petróleo; e o terceiro período é o que vem com a criação do motor Flex, que muda completamente a dinâmica do setor.

OI – Por que a tecnologia Flex impacta o setor dessa maneira?
Grubisich
– A tecnologia Flex, lançada em 2003 no mercado brasileiro, é muito criativa, por permitir que a decisão sobre o combustível a ser utilizado passe a ser do consumidor, seja pelo preço, seja pela consciência ambiental. O lançamento do motor flex causou impacto de forma radical na curva do crescimento do etanol.

OI – Quais as proporções do crescimento da produção do etanol no Brasil?
Grubisich
– Para se ter uma ideia, o consumo de etanol em 2006 era da ordem de 12 bilhões de litros. Em 2009, foi registrado um crescimento que dobra esse consumo, para 24 bilhões de litros. O etanol se mostrou um combustível limpo, renovável e também competitivo, já que na maior parte dos estados brasileiros seu preço acaba sendo mais vantajoso que o da gasolina.

OI – E em comparação a outros combustíveis?
Grubisich
– Nos últimos anos, até por conta da grande transformação do setor, que investiu, que se modernizou, o custo de produção do etanol foi reduzido de maneira significativa e seu preço de venda ficou muito competitivo em relação à gasolina. Em 2009, vendeu-se, no mercado brasileiro de combustíveis líquidos, mais etanol do que gasolina.

OI – O mercado global acompanha essa evolução do consumo?
Grubisich
– O consumo crescente de etanol nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na China, países que têm estudado mais o assunto, traz a vantagem de reduzir a dependência do petróleo. O preço do petróleo não subiria tanto quanto subiria em condições normais, e a grande vantagem, além da segurança energética, é ter um combustível que reduz a emissão de CO2 e outros gases de efeito estufa. É a combinação de segurança energética, competitividade e sustentablidade. O etanol, que já é uma realidade no mercado brasileiro, passa também a chamar a atenção dos principais consumidores de combustível no mundo.

OI – A ETH está preparada para atender a toda essa demanda?
Grubisich
– O setor mudou muito, as usinas ficaram maiores, há mais tecnologia e automação. Toda a parte agrícola é mecanizada, desde o plantio até a colheita. A ETH já nasceu dentro de um modelo de mecanização completa das operações. Todas as nossas unidades (nove no total, espalhadas em polos produtivos nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) têm escala: produzem de 4 a 6 milhões de toneladas de cana cada uma e são de duas a três vezes maiores do que a média do setor brasileiro. Também detemos as condições sociais e ambientais consideradas as mais modernas do setor.

OI – Qual é o grande desafio da ETH?
Grubisich
– Esse desafio está ligado à nossa capacidade de executar os projetos que estão em andamento. Com investimento total de R$ 7,3 bilhões, buscamos, para 2012, ser líderes em bioenergia, com a produção de 3 bilhões de litros de etanol e 2.700 GWh/ano de energia elétrica a partir da cana-de-açúcar. Neste ano, além das obras de expansão de unidades, entrarão em operação as unidades Morro Vermelho e Alto Taquari.

OI – Como as equipes da empresa estão inseridas nesse desafio?
Grubisich
– Um dos eixos fundamentais da nossa cultura é a confiança nas pessoas e a preparação para que elas possam assumir plenamente sua responsabilidade e o empresariamento do negócio. Atuar com a cultura da Organização Odebrecht é uma revolução neste setor.

OI – Mas com a consolidação do setor, existe também a necessidade de um alinhamento na capacitação dos profissionais. Correto?
Grubisich
– Sim. Apenas na última safra (2009/2010), a ETH investiu cerca de R$ 500 mil em programas de formação e treinamento. Mensalmente, 22% dos cerca de 8 mil integrantes da ETH passam por algum treinamento, seja de formação técnica, em saúde e em segurança, seja de desenvolvimento de liderança. Todos esses programas estão alinhados com a Tecnologia Empresarial Odebrecht. Esse é um diferencial muito grande na nossa maneira de operar. Queremos ser a empresa líder no setor de bioenergia, com o etanol, e na parte de energia elétrica, com biomassa. Sempre combinando sustentabilidade e competitividade.


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