Foz do Brasil, Quattor e Odebrecht Infraestrutura são parceiras em projeto de fornecimento de água de reúso industrial
Estação de Tratamento de Esgotos do ABC, onde são executadas as obras do Projeto Aquapolo: água de reúso para empresas do Polo de Capuava
Texto: Marco Antônio Antunes | Fotos: Guilherme Afonso
O Projeto Aquapolo, cujas obras são executadas em área de 15 mil m dentro da Estação de Tratamento de Esgotos da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), está localizado na divisa de São Paulo e São Caetano do Sul (ETE ABC) e tem como objetivo fornecer água de reúso para o principal polo industrial da Grande São Paulo. Ele é o exemplo mais próximo do que se poderia classificar de completa sinergia entre empresas de um mesmo grupo empresarial. Participam do projeto três empresas da Organização Odebrecht: a Quattor, controlada pela Braskem; a Foz do Brasil, que atua no setor de engenharia ambiental; e a Odebrecht Infraestrutura, responsável pela execução da obra.
Fruto de um investimento de R$ 253 milhões, o projeto fornecerá água de reúso a empresas do Polo Petroquímico de Capuava, no ABC Paulista. Essa água será transportada para o polo por uma adutora de aço de 17 km de extensão, que sairá de São Paulo, onde estará localizada a Estação de Água Industrial (Epai), e cortará os municípios de São Caetano e Santo André. O principal cliente será a Quattor. Os investimentos e a operação serão realizados pela Aquapolo Ambiental, Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada pela Foz do Brasil (51%) e a Sabesp (49%), por meio de um contrato que se estenderá até 2043, ou seja, por 34 anos.
A matéria-prima da planta será fornecida pela própria ETE da Sabesp, que recebe os esgotos da região do ABC e Zona Leste de São Paulo, e, após tratamento primário e secundário, os devolve ao Ribeirão dos Meninos, afluente do Rio Tamanduateí, que deságua no Rio Tietê. A planta da Aquapolo garantirá que grande parte dessa água receba tratamento terciário, tornando-a assim própria para uso industrial em larga escala.
Alberto Goldman, Governador de São Paulo, destaca: “Esta será a maior planta desse tipo no Hemisfério Sul e a quinta maior do mundo”. Sua produção será de 1.000 l/s. “Com esse empreendimento, a Sabesp cumpre seu objetivo de ser uma empresa de soluções ambientais”, diz Gesner Oliveira, Presidente da companhia.
Além de ser vantajoso para as indústrias consumidoras, que deixarão de correr risco de desabastecimento de água, o projeto trará outro benefício importante: a Sabesp aumentará a oferta de água tratada potável para a Região Metropolitana de São Paulo, onde os mananciais são cada vez mais escassos. O volume de água de primeiro uso que deixará de ser consumido pelas indústrias é grande o bastante para abastecer continuamente uma cidade de 350 mil habitantes.
A Aquapolo terá capacidade para fornecer 650 l/s de água industrial, mas o projeto permite ampliações para mais 350 l/s, de maneira a atender consumidores potenciais nos municípios de São Paulo, São Caetano e Santo André. “Com esse projeto, estaremos garantindo a perpetuidade do Polo Petroquímico, que não dependerá mais da captação do Rio Tamanduateí e da água potável oriunda dos mananciais”, observa Guilherme Paschoal, Diretor do Projeto da Aquapolo Ambiental pela Foz do Brasil. “Sem água garantida para seus projetos de longo prazo, essas empresas sem dúvida perderiam competitividade”, acrescenta.
Atualmente, as empresas do Polo Petroquímico se abastecem de duas fontes: uma estação de tratameto da Refinaria de Capuava (Recap), da Petrobras, que utiliza água do Tamanduateí e de fontes complementares, num total de 380 l/s; e a Sabesp, com produção de água potável num volume de 191 l/s.
Fadlo Eduardo Haddad, Gerente de Engenharia de Processos das Unidades de Químicos Básicos da Quattor e Gestor do Projeto Aquapolo pela empresa, salienta: “Entre outros projetos estudados pela empresa ao longo dos últimos anos, este foi o que mais nos garantiu duas metas básicas: sustentabilidade e confiabilidade”.
Além da sinergia e da sustentabilidade, Emyr Costa, Diretor de Contrato da Odebrecht Infraestrutura, destaca como fator fundamental para o êxito do projeto “a tecnologia de última geração a ser utilizada”. A água tratada pela ETE ABC passará primeiro por membranas de ultrafiltração (TMBR – Tertiary Membrane Bio-Reactor), com parte da produção seguindo depois para membranas de osmose reversa, como ocorre, por exemplo, no processo de dessalinização de água do mar, ou seja, uma etapa adicional que tem como objetivo garantir o tratamento desejado.
“O valor do investimento, o volume de água a ser produzido e a tecnologia introduzida, em uma escala nunca antes aplicada no Hemisfério Sul, fazem com que o Projeto Aquapolo quebre diversos paradigmas ao mesmo tempo”, ressalta Fernando Santos-Reis, Líder Empresarial da Foz do Brasil.
Outro grande desafio é a construção, já iniciada, da adutora em uma área tão densamente povoada como a região do ABC. Um dos métodos escolhidos é o pipejacking, que utiliza, a partir do emboque, um macaco hidráulico para empurrar um tubo-camisa de concreto, com diâmetro de 1,5 m, para dentro de um túnel de serviço, no interior do qual serão instalados os tubos de aço da adutora. O outro é o tunnel line, executado por meio de escavação manual e também com a aplicação de um tubo-camisa de aço, de 1,4 m de diâmetro, que vai sendo montado passo a passo, com o objetivo de facilitar a instalação da tubulação da adutora em seu interior. Em algumas áreas, menos povoadas, a adutora será instalada pelo método de valas a céu aberto, e em outras, apoiada em blocos de concreto, correndo sobre a superfície do terreno.
Pelo contrato firmado entre a Aquapolo Ambiental e a Sabesp, o sistema Aquapolo poderá utilizar quatro grandes tanques, os quais não são usados pela ETE, para reservar água de reúso. Junto a eles, foi instalada uma planta piloto, que simula as etapas do tratamento da futura estação. Ali, a água de esgoto produzida pela Sabesp recebe uma aplicação dos sistemas combinados, as membranas de ultrafiltração e a osmose reversa, que possibilitam a produção de água de reúso com as mesmas características da que será produzida pela planta real.
Instalada por técnicos da Koch Membrane Systems, dos Estados Unidos, a planta piloto tem como responsável pelo acompanhamento dos testes a jovem Amanda Cavalhero, engenheira ambiental de 26 anos, há pouco mais de um mês na Odebrecht. Especializada em tratamento de efluentes, Amanda diz que sua principal função é conferir se a água produzida na planta piloto está de acordo com as especificações do cliente, de modo a confirmar os parâmetros utilizados no Projeto Aquapolo. “Podemos dizer que já conseguimos água de excelente qualidade, quase do mesmo nível da água potável, ainda que apenas para uso industrial”, ela explica.
Galeria de Fotos
Estação de Tratamento de Esgotos do ABC, onde são executadas as obras do Projeto Aquapolo: água de reúso para empresas do Polo de Capuava
A engenheira ambiental Amanda Cavalhero: controle da qualidade da água
As membrana de ultrafiltração
À frente, a partir da esquerda, Hacy Rodrigues Filho, Nelson Endo, Leonardo Cittadella, Emyr Costa e Edgar Nunes; atrás, a partir da esquerda, Carlos Cezar de Albuquerque, Jair Campos da Silva, Reynaldo Moreira Júnior, Frederico Marcos de Barbosa, Fadlo Haddad e Guilherme Paschoal: complementaridade de competências