Estrutura de treinamento de combate a incêndio em tanques de combustível é referência para a indústria automobilística brasileira
Bombeiro começa a apagar as chamas durante um teste realizado em Triunfo: rigor para garantir segurança ao volante
Texto e fotos: Luciana Moglia
É a única estrutura do gênero em funcionamento no Brasil. Instalado no Polo Petroquímico de Triunfo (RS), o Centro de Treinamento de Combate a Incêndio da Braskem possui uma área específica para a realização de testes contra fogo nos tanques de combustível de carros de passeio feitos com um tipo especial de plástico fornecido pela empresa à indústria automobilística.
Os ensaios atendem às exigências técnicas em vigor no país. São realizados com a utilização de um recipiente de grande porte, que é inflamado durante os testes, e de um guindaste, que eleva o carro para ser submetido às chamas. A área é isolada com paredes de concreto e possui janelas de vidro à prova de fogo para proteger as pessoas que acompanham o teste a uma distância mínima de 3 metros. No teste, o tanque de combustível é acoplado ao veículo e preenchido com 50% de sua capacidade.
Após um minuto, o recipiente em chamas é deslocado, com o uso de uma esteira, e posicionado sob o tanque de combustível, que fica por 60 segundos submetido diretamente ao fogo. Em seguida, uma tela de tijolos refratários é posta entre as chamas e o tanque por mais um minuto. Para finalizar, é feita a retirada do fogo, e as chamas são apagadas por bombeiros. “Para cada modelo de automóvel é necessária a realização desse ensaio em, pelo menos, três tanques, de maneira que o produto seja tecnicamente aprovado sem apresentar nenhum tipo de vazamento”, diz Marcos Celestino, engenheiro de Aplicação da Braskem, que acompanha todos os testes realizados na empresa.
O último teste foi feito em abril, no tanque de um modelo inédito que chegará ao mercado em setembro de 2010. O produto foi fabricado pela IPA, líder de mercado na América do Sul na produção de tanques de combustível de plástico. A IPA é cliente da Braskem há dois anos. Nesse período, as empresas já realizaram juntas outros testes de fogo para tanques do Honda Fit, Honda Civic e Citroën Hair Cross, informa Luiz Cláudio Pascon, Diretor Industrial da IPA. Ele destaca a importância de manter uma relação próxima com a Braskem. “É preciso estar sempre buscando soluções conjuntas para ajustes e inovações”, afirma.
Segundo Harley Bueno, membro da Diretoria da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), as montadoras se preocupam cada vez mais com a segurança de seus veículos, e os cuidados para evitar o vazamento de combustíveis dos tanques são essenciais. Por isso, são submetidos a testes de resistência, calor e estanqueidade, nos quais é verificada sua eficiência mediante aplicação de forças.
“Segurança, espaço e design são os quesitos mais valorizados pelo cliente do mercado automobilístico”Marcos Celestino
As vantagens do plástico como matéria-prima para tanques de combustível têm provocado rápido crescimento em sua aplicação nos últimos anos. “As propriedades do polietileno o tornam mais resistente e garantem maior absorção do impacto em relação aos metais”, salienta Marcos Celestino. “Segurança, espaço e design são os quesitos mais valorizados pelo cliente do mercado automotivo. As propriedades do plástico contemplam essas exigências”, diz. Harley Bueno destaca a maleabilidade da matéria-prima como uma outra vantagem. “É possível acomodar os tanques de plástico em espaços cada vez menores sem interferir na autonomia do veículo. Um tanque instalado, por exemplo, embaixo do assento tem menos chances de ser danificado em caso de acidente do que se estiver nas extremidades do veículo”.
A Braskem é a principal fornecedora de resinas para a aplicação na América do Sul em veículos leves e pesados. Produz para esse mercado uma família de produtos especiais de Polietileno de Alta Densidade de Alta Massa Molar (codificados como GM 7746 C e GM 7746 CA).
Ressoi Schubert, Gerente de Contas de Produtos de Performance da Braskem, informa que 66% dos carros de passeio produzidos no Brasil em 2009 foram equipados com tanques de plástico. “A perspectiva é de que esse percentual atinja 74% em dois anos”, ela observa. Fabricantes como Honda, Toyota, Renault e Peugeot já utilizam 100% de tanques de plástico; a GM, 95%, e a Volkswagen e a Ford, 85%.
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Bombeiro começa a apagar as chamas durante um teste realizado em Triunfo: rigor para garantir segurança ao volante
Centro de Treinamento de Combate a Incêndio da Braskem