25 de maio de 2013
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INDÚSTRIA
Até onde o olho alcança
Construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro tem a maior movimentação de terra já realizada no Brasil
Um dos 850 equipamentos pesados utilizados na obra: ritmo acelerado no Comperj
Texto: José Enrique Barreiro | Fotos: Marcelo Pizzato

É a maior obra de terraplenagem já realizada no Brasil. Nem a construção das hidrelétricas de Itaipu ou Santo Antônio, nem a dos polos petroquímicos de Camaçari ou Triunfo tiveram movimento de terra tão grande como o que está sendo feito no local onde será erguido o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, no município de Itaboraí. “São 220 mil m de movimento de terra por dia”, informa Carlos José Cunha, Diretor de Contratos da Odebrecht Infraestrutura.

A área total do Comperj é de 45 km, dos quais 25 km estão sendo terraplenados pelo CTC – Consórcio Terraplenagem Comperj, integrado pela Odebrecht Infraestrutura e pelas construtoras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

A construção do Comperj é uma iniciativa da Petrobras, que, com isso, volta a realizar investimentos diretos no setor petroquímico. Previsto para ser inaugurado em 2013, o complexo será formado por uma refinaria e por unidades industriais produtoras de petroquímicos de primeira geração (eteno, benzeno, propeno, butadieno e outros) e de segunda geração (polietilenos, polipropileno, estireno, etilenoglicol e outros), além de edifícios auxiliares. A estatal poderá investir até R$ 25 bilhões, dos quais R$ 5 bilhões em obras civis e R$ 20 bilhões em montagem industrial. A grande novidade do Comperj será a produção do chamado FCC petroquímico, um novo método de produção de petroquímicos básicos, que utiliza as qualidades do petróleo brasileiro e que substitui a nafta e o gás natural importados.

Os grandes números do Comperj
“A área da obra corresponde a três Reducs (Refinaria Duque de Caxias) e a seis bairros de Copacabana”, compara Mário Almeida, da Odebrecht, Gerente de Produção do CTC.

Todos os números do Comperj são grandes: diariamente, mil equipamentos (dos quais 850 máquinas pesadas) se movimentam pela obra. Eles recebem 200 mil litros de óleo diesel por dia. “Um posto de combustível de grande movimento vende 500 mil litros de combustíveis por mês”, destaca Leandro Cerqueira, da Odebrecht, Gerente Administrativo-Financeiro do CTC.

Para que os veículos se movimentem com segurança, há 100 pontos de sinalização distribuídos pela obra, cada um deles com um trabalhador de plantão 24 horas por dia. “Nosso plano de sinalização, que orienta toda a movimentação dos veículos, é revisto diariamente”, diz Mário Almeida. “As placas são fabricadas no canteiro, e os veículos não podem ultrapassar a velocidade de 40 km/h.”

Os 3.300 trabalhadores, distribuídos pelas diversas frentes de trabalho, contam com o apoio de seis automóveis Fiorino, cujos ocupantes circulam o dia inteiro fornecendo e repondo água para todos eles. No refeitório, são servidas 130 mil refeições por mês. Até uma padaria foi instalada e produz pão todos os dias. “O que temos aqui é uma cidade de 45 km”, afirma Leandro.

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A chuva e suas consequências
A região em que está sendo construído o Comperj é de alta pluviosidade. Quando chove, a obra para, e só é retomada três dias depois, após inspeção e reorganização dos trabalhos. A chuva e o orvalho trazem riscos para os trabalhadores e os equipamentos. O maior deles é o tombamento de veículos. “A Petrobras é muito exigente nesse quesito e não permite movimentação de terra em dias de chuva ou quando não haja condições ótimas de trabalho”, explica Carlos José. “O problema é que chove muito, chove tanto que, desde que começamos, em abril de 2008, ainda não conseguimos trabalhar 10 dias seguidos.”

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O ritmo stop and go compromete o avanço mais acelerado dos serviços. A logística, o planejamento e a engenharia têm de ser revistos constantemente. Cada vez que a obra para, os equipamentos são recolhidos, conferidos e novamente distribuídos. “Todo dia, às 7 horas, a Petrobras inspeciona a área e autoriza ou não o início dos trabalhos”, conta Leandro. “Nossa sorte”, comenta Mário, “é que a área é tão grande que às vezes chove em um local da obra e não chove em outro, e neste podemos trabalhar.” Apesar das chuvas, que superaram todas as previsões para o primeiro quadrimestre do ano, no último mês de abril a obra tocada pelo CTC atingiu a marca de 35 milhões de m3 de movimentação de terra, uma marca que supera todas as que já foram alcançadas no país.
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  • Um dos 850 equipamentos pesados utilizados na obra: ritmo acelerado no Comperj
    Um dos 850 equipamentos pesados utilizados na obra: ritmo acelerado no Comperj
  • É a maior obra de terraplenagem já realizada no Brasil
    É a maior obra de terraplenagem já realizada no Brasil



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