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Preciosidade histórica
Projeto Catoca, de mineração de diamantes, em Angola, completa 15 anos
Instalações da Sociedade Mineira de Catoca, na Província de Lunda Sul: inovação tecnológica e desenvolvimento
Texto: Fabiana Cabral | Fotos: Eduardo Barcellos

Em novembro de 1994, Angola celebrava a assinatura de um acordo de paz que cessava os conflitos civis iniciados em 1975. Em janeiro de 1995, uma equipe técnica da Endiama (Empresa Nacional de Diamantes de Angola) chegava à cidade de Saurimo, capital da Província de Lunda Sul, para realizar os primeiros trabalhos no kimberlito de Catoca, um complexo de rochas rico em minérios. Estudos topográficos e hidrogeológicos, recrutamento e capacitação de trabalhadores locais foram as primeiras ações da recém-formada Sociedade Mineira de Catoca.

A região começou a ser estudada em 1965 pela Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), quando a área era explorada de forma artesanal por garimpeiros. Na década de 80, a Endiama substituiu a Diamang e prosseguiu os estudos de viabilidade para exploração comercial do kimberlito.

Com parceria já selada com a russa Alrosa S.A. para a formação de uma sociedade mineradora, em 1993 a Endiama decidiu buscar um novo parceiro para assumir a administração do projeto. “Tínhamos a tecnologia dos soviéticos, mas havia lacunas na gestão e administração. A Odebrecht estava construindo a Hidrelétrica de Capanda e atuava há quase 10 anos em Angola. Decidimos convidá-la a participar da sociedade”, conta Ganga Júnior, na época Diretor Responsável pela Exploração Mineira da Endiama e hoje Diretor Geral da Sociedade Mineira de Catoca.

Júlio Cruz, Diretor de Mineração da Odebrecht Angola, conta que o início das operações na sociedade demonstrou a confiança permanente da empresa no futuro de Angola. “O principal ativo de Catoca é o conhecimento acumulado pelos seus integrantes ao longo de 15 anos. Este é o fator decisivo para que o próximo desafio seja a ampliação da produção.” A implantação das instalações da empresa e da vila para abrigar os integrantes foi realizada em meio ao retorno dos conflitos civis. Além das atividades diárias, os trabalhadores mantinham-se atentos a qualquer movimentação diferente na área do kimberlito. “A guerra nos deu o espírito construtivo. Estávamos confiantes e não demos nenhum passo para trás”, relembra João Salvador, Chefe de Departamento de Administração de Pessoal. A empresa foi a única mineradora que não enfrentou invasões no período.

O kimberlito, também chamado de “rocha mãe dos diamantes”, é um complexo rochoso formado a partir de erupções vulcânicas que não transbordaram o magma. Essas erupções afloram à superfície, onde esfriam e estacionam ao longo de milhares de anos. Sua forma clássica é conhecida como “chaminé”, lembrando um cone invertido. A exploração do kimberlito é feita a céu aberto em profundidades de até 600 m. O kimberlito de Catoca tem 900 m x 915 m.

Em 1997, ano em que a primeira Central de Tratamento começou a operar, a israelense Daumonty Financing BV (atual Grupo Lev Leviev), passou a integrar a sociedade. “Com Endiama, Alrosa, Lev Leviev e Odebrecht juntas, temos os diferentes pontos fortes de cada empresa, de cada cultura”, afirma Ganga Júnior.

O aperfeiçoamento tecnológico constante levou, de 1997 a 2003, a capacidade de processamento de minério a passar de 1,8 milhão para 4 milhões de t/ano. O Chefe de Setor de Planejamento Mineiro, Rômulo Angelino Mucase, participou da evolução dos processos, intensificada a partir de 2005, quando a segunda Central de Tratamento foi inaugurada. Rômulo chegou à Sociedade Mineira de Catoca em 2001, após receber o Prêmio Odebrecht de Engenharia. Segundo ele, a engenharia de minas é uma arte. “É a arte de extrair recursos do subsolo e colocá-los à disposição da sociedade com responsabilidade”, diz.

Além do foco na inovação tecnológica, a empresa mantém ações de desenvolvimento profissional no Centro de Formação construído na vila.

A força do conjunto
Em 2009, a turbulência na economia mundial reduziu os números de produção e de faturamento. Ganga Júnior relata: “Preservamos a força de trabalho, o que temos de mais importante, e a reestruturação foi feita de forma transparente. Já nos primeiros meses de 2010 conseguimos atingir nossa capacidade máxima de produção”.

Antonio Carlos Sumbula, Presidente do Conselho Administrativo da Endiama, observa que a sociedade mostra resultados financeiros e operacionais positivos. “Apesar das situações de crise enfrentadas pelo setor, a sociedade é referência nacional e internacional pela alta qualificação, eficiência e rentabilidade financeira.”

O Programa Merenda Escolar

A Sociedade Mineira de Catoca é a quarta maior exploradora de diamantes do mundo e a quinta maior empresa de Angola. “Reunimos 2.340 trabalhadores de diversas nacionalidades”, destaca César Marianetti Braga, integrante da Odebrecht e Diretor de Recursos Humanos e Administração da mineradora.
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  • Instalações da Sociedade Mineira de Catoca, na Província de Lunda Sul: inovação tecnológica e desenvolvimento
    Instalações da Sociedade Mineira de Catoca, na Província de Lunda Sul: inovação tecnológica e desenvolvimento
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    Projeto Catoca, de mineração de diamantes, em Angola, completa 15 anos



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