Maria tem sua carreira caracterizada pelo gosto por desafios e pela criatividade e motivação com que os supera
Texto: Eliana Simonetti | Foto: Lia Lubambo
Maria Conceição Martins Tude, ou Mary Tude, é Responsável Financeira e Administrativa na obra do MIA Mover – Automated People Mover System, linha de metrô que ligará o Aeroporto Internacional à estação central de Miami. É engenheira civil formada na PUC de Salvador. O curso foi consequência de talentos revelados na infância: Maria adorava construir castelos e máquinas com brinquedos quebrados e sobras de materiais, além de resolver problemas matemáticos como se fossem charadas.
Gostava de engenharia e pretendia seguir carreira, mas outra paixão apareceu logo após a retirada do diploma da faculdade. Maria conheceu um músico nascido em Israel e que vivia em Miami, Alon Levin, que passava férias na Bahia. Apaixonou-se, fez as malas e embarcou para os Estados Unidos. Maria e Alon têm três filhos. Samuel, com 11 anos, é guitarrista. Romy e Annette, gêmeas de nove anos, dão pouco descanso aos pais. Falam muito, brincam, cozinham, pintam... Uma estuda piano, e a outra, violino.
Em 1995, Mary Tude ingressou na Odebrecht, na obra de ampliação e modernização da Rodovia 826 Palmetto, na Flórida. Depois, entre 1998 e 2001, atuou na obra do Aeroporto de Fort Lauderdale. E de 2001 a 2007 participou da construção do Adrienne Arsht Center for the Performing Arts, em Miami.
Foi em 22 de fevereiro de 2001, o mesmo dia do nascimento das gêmeas Romy e Annette, que começou a fase de pré-construção do Performing Arts. Duas semanas depois, Mary atendeu ao telefone. Recebeu o convite para assumir o Programa Administrativo e Financeiro do projeto. Sua lembrança daquele momento: “Lá estava eu, com duas recém-nascidas e meu primogênito, milhares de quilômetros distante dos meus pais, irmãos, avós e do axé do Brasil. Na TV passava o filme Toy Story. Então Buzz, um dos personagens, exclamou: ‘Você tem um amigo aqui!’ Eu me debulhei em lágrimas e resolvi seguir em frente”.
Mary descreve os cinco anos seguintes como os mais desafiadores da sua vida. O mercado de seguros disparou depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. O maior pico de construção da Flórida exauriu o mercado de subempreiteiros. Houve quatro furacões. O cronograma e o orçamento do contrato eram muito apertados. “Em alguns momentos pensei que as gêmeas iriam casar antes de a obra terminar...”, ela admite, divertida com a ideia.
Mas em 10 de outubro de 2006 as cortinas foram abertas. “A orquestra tocou divinamente. Quando a sapatilha da bailarina roçou o chão, a música suspensa, todos puderam comprovar a acústica impecável daquele teatro singular, feito pela garra e pela competência de centenas de mulheres e homens”, recorda-se.
A partir daí os desafios mudaram. Como fazer com que a obra do MIA Mover fosse considerada sustentável e com que essa sustentabilidade fosse praticada no dia a dia das pessoas? Maria começou por substituir os capacetes utilizados – não mais brancos, mas verdes. Depois vieram cartazes educativos. E visitas a escolas para ensinar a crianças maneiras práticas de reduzir as emissões de carbono – inclusive com um programa online para facilitar os cálculos dos avanços alcançados. “Gosto de trabalhar com criatividade, de espremer o concreto”, explica a engenheira.
O que Maria chama de “criatividade no concreto”, e as medidas tomadas para que a obra receba a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), por sua excelência no uso de energia e no design ambiental, estão num blog criado por ela: (http://freetude.blogspot.com). Há também um livro infantil sobre sustentabilidade, que ela acaba de escrever e lançar, Her Little Eyes in the Sky, disponível no link (http://www.leedkids.com/).
Tudo é paixão na vida de Mary Tude, que aguarda ansiosa a celebração dos 20 anos de presença da Odebrecht nos Estados Unidos, em outubro – justamente no Adrienne Arsht Center for the Performing Arts.