19 de maio de 2013
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IARA LUCENA
Uma carta de amor à família e ao trabalho
Conheça o relato de Iara Magalhães de Lucena, a primeira colocada no concurso "Conte a sua história na Odebrecht"
Iara, Maria Júlia e Romualdo: adaptados à vida em Luanda
"No ano de 2007 estava trabalhando na Odebrecht, em Recife, e havia acabado de dar à luz minha única filha, Maria Júlia, quando soube que havia sido convidada para participar de uma obra da Odebrecht em Angola, e assim começar uma carreira internacional dentro da empresa. Era o meu maior sonho desde que entrei na Odebrecht, em 2001.

Fiquei muito dividida entre minha vida profissional e pessoal, pois teria que deixar meu marido e minha filha recém-nascida no Brasil por um tempo e ir para Angola sozinha. Também teria que parar de amamentá-la. Não era prudente levar a família de imediato para Angola. Teria que ir primeiro para estudar a viabilidade de levá-los comigo.

Havia também o desafio profissional em outro país, em uma outra cultura. Seria uma mulher liderando a área de instalações de um complexo imobiliário com 16 prédios. As informações que me chegavam de Angola não eram animadoras. O medo da malária era muito grande, mas a vontade de aproveitar uma oportunidade como esta era bem maior. Resolvi deixar minha filha sob os cuidados da minha mãe e do meu marido e viajei para Angola atrás do meu sonho.

Passei sessenta dias longe da minha filha e da minha família. Chorava todos os dias com saudade de todos, mas nesse período percebi que era perfeitamente viável levar a família.

Voltei para o Brasil pensando que minha filha não iria mais me reconhecer. Puro engano! Ao me ver saindo do saguão de desembarque, minha filha não só me reconheceu como sorriu e abriu os braços para me abraçar. Quase morri de tanto chorar! Dez dias após a minha chegada ao Recife, voltávamos juntos para Angola. Meus pais e irmãos, inicialmente, reprovaram a minha decisão, mas tiveram a certeza de que eu precisava passar por este desafio. Meu marido é militar no Recife, solicitou uma licença sem vencimentos e aceitou me acompanhar para Angola desempregado. Sonhava também com o crescimento profissional.

Hoje estamos felizes aqui em Angola. Minha filha já tem 3 anos e meio, é uma criança saudável e feliz. Meu marido trabalha em uma empresa angolana, está realizado profissionalmente e feliz. Tomamos, diariamente, todos os cuidados para evitar a malária, mas sabemos que é uma doença perfeitamente curável se detectada no início.

Sou engenheira, gerente da área de instalações no setor imobiliário da Odebrecht Angola, e estou me sentindo cada dia mais preparada para assumir desafios maiores na empresa. Profissionalmente, sinto-me mais madura, mais segura, mais preparada e confiante em mim mesma. Estou aprendendo a trabalhar com pessoas de diferentes culturas. Estou transformando as dificuldades em resultados positivos para a empresa e para a minha vida.

Aqui em Angola consigo ser boa mãe, boa esposa e boa profissional sem sacrificar nenhum dos papéis. Temos um ciclo de amizade que nos permite ter uma vida social compatível com nossas expectativas. Estou feliz por ter tido a coragem de enfrentar os desafios que surgiram ao mesmo tempo na minha vida e, hoje, tenho certeza de que fiz a coisa certa."

“É sempre difícil nos separarmos de quem amamos”

Iara Lucena fala sobre sua trajetória e sobre sua motivação para escrever a história vencedora do concurso
Entrevista a José Enrique Barreiro | Fotos: Holanda Cavalcanti

Odebrecht Informa – Você sempre quis ser engenheira?
Iara
– Sim, desde pequena, eu queria ser engenheira. Na Escola Técnica (onde fiz o ensino médio), tirava sempre as melhores notas nas matérias ligadas a ciências exatas.

OI – E o que você fez para conseguir ser engenheira?
Iara
– Estudei, e muito! Estudei Eletricidade na Escola Técnica, depois fiz graduação em Engenharia Civil na Escola Politécnica de Pernambuco, pós-graduação em Engenharia de Segurança e em Engenharia de Produção, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e ainda fiz um MBA em Meio Ambiente, na Politécnica.

OI – Quando você se formou, sentiu que havia realizado seu sonho?
Iara
– Em parte. Só concretizei mesmo meu sonho quando consegui uma oportunidade de trabalho na Odebrecht, em 2001, como engenheira de instalações nas obras do Aeroporto de Recife.

OI – Como você entrou na Odebrecht?
Iara
– Eu entrei na Queiroz Galvão, que era consorciada da Odebrecht nessa obra. Depois de quatro meses, o Diretor de Contrato da Odebrecht me convidou para passar para a sua equipe. Eu já tinha sentido que meu sangue era igual ao da galera da Odebrecht, e me transferi.

OI – E sua vida nessa época? Era só estudo e trabalho?
Iara
– Praticamente, sim. Minhas amigas e meus colegas brincavam dizendo que eu terminaria solteirona, pois eu só queria saber de estudar e trabalhar. Mas aí conheci o Romualdo [Lucena] e decidimos nos casar. Estava tudo preparado, festa marcada, convites entregues, quando recebi uma proposta para me transferir, em caráter urgente, para as obras de construção da fábrica de pneus da Bridgestone, em Camaçari, na Bahia, que a Odebrecht estava realizando.

OI – E você foi, não é?
Iara
– Fui. Eu não queria perder a oportunidade. Conversei muito com minha família e com Romualdo. Decidimos nos casar apenas no civil, deixamos a cerimônia religiosa para depois, e parti para a Bahia. Fiquei até janeiro de 2007, quando voltei para Recife, onde logo em fevereiro nasceu minha filha Maria Júlia.

OI – E aí acontece o episódio que você conta na história que escreveu para o concurso, e que acabou sendo a vencedora. Poucos meses depois do nascimento dela, você recebe um convite para ir para Angola. Decisão difícil, hein?
Iara
– Foi muito, muito difícil. O convite era para assumir o cargo de gerente de instalações do Belas Business Park, um complexo imobiliário com 16 prédios, em Luanda. Tive nova conversa com minha família e com Romualdo. Eles sabiam que era um momento importante em minha carreira. Eu queria muito atuar no exterior. Meus pais e meus irmãos não queriam que eu fosse, tinham medo de várias coisas, entre as quais que eu pudesse contrair malária. Romualdo me apoiou e, embora dividida, minha determinação falou mais alto e eu fui. Chorei muito longe de minha filha e de minha família, mas consegui superar, e hoje Maria Júlia, Romualdo e eu estamos aqui, juntos e felizes, em Luanda.

OI – Você ouviu mais alguém?
Iara
– Você não vai acreditar, mas eu escrevi para o programa Supernanny, do SBT, inspirado na série inglesa que tem o mesmo nome, e que no Brasil é apresentado pela educadora Cris Polis, que dá orientações a pais que estejam vivendo momentos de dúvida.

OI – E o que ela disse?
Iara
– A resposta dela chegou com atraso, eu já estava em Angola. Disse que era para fazer exatamente o que eu tinha feito: aceitar o desafio e, de lá, mandar fotos e falar sempre com Maria Júlia, para que ela pudesse compreender, no futuro, que eu estava com ela no meu coração em cada um daqueles 60 dias em que estivemos separadas.

OI – E por que você decidiu escrever sobre isso para o concurso?
Iara
– Porque essa é uma história que me emocionou muito – e ainda me emociona. E emociona também as pessoas que convivem comigo. Quando eu termino de contar, a galera já está chorando. Foi um momento marcante em minha vida. E acho que momentos semelhantes devem ter acontecido com outras pessoas. É sempre difícil nos separarmos de quem a gente ama. Acredito que muitas pessoas da Odebrecht vão se identificar com minha história, porque certamente já tiveram que tomar decisões tão difíceis quanto a que tomei.

OI – Como foi o processo de escrever?
Iara
– Foi muito simples. Eu apenas deixei o coração ditar, e fui escrevendo. Mostrei o texto a alguns colegas e amigos antes de mandar para o concurso, e todos me incentivaram a inscrevê-lo.

OI – Qual o seu programa, hoje, na Odebrecht Angola?
Iara
– Hoje sou Gerente de Instalações das Obras Imobiliárias da Odebrecht em Angola. Veja que eu cheguei como gerente de uma obra, e hoje sou responsável pelas instalações de todas as obras imobiliárias de nossa empresa em Angola. Meu crescimento aqui foi em todos os sentidos. Não me arrependo de ter vindo. Pelo contrário: eu até me orgulho disso.

OI – Como vai a vida hoje, aqui em Angola?
Iara
– Apesar da saudade de meus pais, Ivo e Edith, e de meus irmãos, Aprígio, Iêda e Ivo Filho, estamos adaptados à vida em Luanda, e curtindo o crescimento diário e as novas descobertas de Maria Júlia. O povo angolano está me transformando em uma pessoa mais madura, mais segura, mais preparada e mais confiante em mim mesma.

OI – E os planos de futuro?
Iara
– Tenho certeza de que novos desafios virão para mim na Odebrecht. Quando entrei aqui eu sabia que poderia ter que enfrentar mudanças de cidade, de país, de continente. E eu aceitei isso. E já que aceitei, vou até o fim. Coisas boas virão, tenho certeza.
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  • Iara, Maria Júlia e Romualdo: adaptados à vida em Luanda
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