23 de maio de 2013
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LUIS FERNANDO CASSINELLI
Liberdade inspiradora
Apaixonado pela tecnologia e pelos benefícios que ela traz às pessoas, Cassinelli lidera a busca de soluções para os clientes da Braskem
Cassinelli e sua Harley Davidson: interesse por projetos que unem ciência e negócios começou cedo
Texto: Eliana Simonetti | Foto: Eduardo Barcellos

Luis Fernando Cassinelli, paulista de São Carlos, 53 anos, é Responsável por Inovação e Tecnologia Corporativa na Braskem. Conhecido por sua simpatia, pela disposição para ouvir e aprender e por seu entusiasmo com novidades, ele é um cientista e empresário com um estilo de trabalho ao mesmo tempo ousado e cuidadoso. Um paradoxo? Ao contrário.

Cassinelli começou a se interessar por projetos que unem ciência e negócios ainda bastante jovem, quando acompanhava o pai, fiscal da Receita Federal, em suas visitas à Universidade de São Paulo. Mais tarde, estudante de Engenharia de Materiais, passou oito meses num estágio em Camaçari (BA). Aos 27 anos, já formado, casou-se com Olívia. Os dois têm três filhas e um neto, e não viajam no mesmo avião desde que a primeira filha nasceu. Por quê? “Precisamos reduzir riscos”, explica ele.

Ele tirou carteira de habilitação para dirigir motocicleta aos 18 anos, mas apenas aos 45 se permitiu o prazer de montar em sua Harley Davidson.

Desde a adolescência é fã de fotografia, e sua filha mais nova tomou gosto pela coisa. Como administrar esse talento? Assim: ela estuda Biologia com a meta de tornar-se fotógrafa em publicações como a National Geographic.

Na vida pessoal e profissional, Cassinelli é uma espécie de radar que reconhece necessidades, cria oportunidades e faz com que as coisas aconteçam. Há 29 anos atua no setor petroquímico, em empresas integradas à Braskem (Polialden, Ipiranga, Petroquímica Triunfo, Poliolefinas, OPP). Vivenciou diferentes culturas empresariais e a evolução da indústria petroquímica brasileira. Enfrentou desafios tecnológicos e de negócios.

Em 1991, por exemplo, Cassinelli percebeu que os polietilenos usados na fabricação de sacos transparentes de arroz, feijão e açúcar ficavam avermelhados no período mais quente do ano. “Descobrimos que a vermelhidão era provocada por um aditivo. Ele foi retirado, eliminamos o problema, reduzimos custos e ganhamos mercado”, lembra.

Em 2002, logo após a formação da Braskem, a Tetrapak apresentou uma demanda: precisava aumentar a velocidade das máquinas que enchiam embalagens com líquido sem alargar o índice de vazamento por defeito de fabricação. Uma avaliação constatou a necessidade de um produto novo, que foi desenhado, testado e aprovado pela Braskem. Concomitantemente, porém, surgiu uma solução, apresentada por um concorrente, que, embora tivesse custo adicional, retirava da Tetrapak o risco de erro na mistura de componentes. Durante um mês, 80% do efetivo do Laboratório de Triunfo (RS) da Braskem se empenhou em criar um método que garantisse o controle da produção pela Tetrapak. Cassinelli dedicou-se à tarefa de vender este método ao cliente, que o adotou em todo o planeta. Assim, Braskem e Tetrapak firmaram um forte vínculo.

O chamado plástico verde compõe um capítulo à parte na trajetória profissional de Cassinelli – “um adicional de valor intangível”, como ele mesmo define. Tudo começou em 2004, quando um estudo sobre novos rumos na indústria petroquímica trouxe a proposta de utilização de matérias-primas renováveis. Cassinelli sabia que uma das empresas que compunham a Braskem produzira eteno de etanol para uma unidade de PVC em Alagoas na década de 1980, que a unidade fora fechada e muita informação se perdera. “Passo a passo, buscamos pessoas e recuperamos conhecimentos. A ideia de produzir polietileno verde avançou e ganhou força após 2006, com o sucesso do projeto na Feira K, a maior do setor de plástico”, recorda.

No fim de julho, quando recebeu a reportagem de Odebrecht Informa, Cassinelli comemorava a criação da Ideom, empresa da Braskem dedicada a pesquisa e desenvolvimento. Ele também se preparava para os primeiros testes, na Bahia, da planta piloto para a produção de uma fibra ultrarresistente para ancoragem de plataformas de petróleo. “Nosso pipeline está repleto de inovações”, disse, cuidadoso, como sempre, ao falar de lançamentos.


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