19 de maio de 2013
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ANGOLA
Relatos de conquistas
Conheça as histórias de superação e crescimento de seis integrantes da Odebrecht em Angola
No sentido horário, a partir da esquerda, Justino, João, Bruno, Wassolua, Conceição e Sónia: motivação para crescer
Texto: Eliana Simonetti | Fotos: Holanda Cavalcanti & Acervo Odebrecht

A Odebrecht chegou a Angola em 1984 para construir a Hidrelétrica de Capanda. No início, os integrantes angolanos eram poucos. A maioria estava engajada na luta armada que se seguiu à independência do país e poucos tinham formação profissional. A pacificação e a capacitação para o trabalho mudaram esse quadro. Atualmente, mais de 90% dos integrantes que atuam nos projetos da Odebrecht no país são angolanos.

As histórias relatadas a seguir são emblemáticas do pensamento e do modo de trabalhar e de viver dos angolanos que integram a Odebrecht. São exemplos de superação e desenvolvimento, no trabalho e na vida.

Justino e as surpresas do caminho
Justino Amaro, Gerente de Relações Institucionais e Sindicais na equipe do Diretor-Superintendente de Angola, Ernesto Baiardi, nasceu em N’zeto, uma das maiores cidades do Zaire, no extremo Noroeste do país, em 1959. Pai carpinteiro e mãe dona de casa, terceiro de oito irmãos. Em 1975, quando Angola se tornou independente de Portugal, saiu de casa para colaborar em um projeto de alfabetização liderado pela ala jovem do Movimento pela Libertação de Angola, o MPLA, que assumira o poder. Dois anos depois, alistou-se no exército. Conheceu Angola de norte a sul, adotou os companheiros de armas como sua família, e aprendeu uma lição inesquecível: o valor da vida.

Deixou as Forças Armadas em 1980 e saiu à procura de perspectivas de futuro. Tinha formação em Finanças e cursava faculdade de Economia. Buscou trabalho na Odebrecht, foi entrevistado e aprovado – mas como teria de deixar a família e ir para Capanda, recusou. Mudou de ideia em 1989, tomou um avião... E quase desistiu de desembarcar. “A pista de pouso era de terra batida e as instalações não tinham nada a ver com o que eu imaginara”, conta. Mas desceu da aeronave, permaneceu no projeto até 1992 e progrediu na empresa, na carreira e na vida.

Em 1992 houve um acirramento dos combates armados. Luanda, a capital, entrou em estado de guerra. Capanda, que à época empregava cerca de 43 mil angolanos, foi sitiada e invadida. Mas os trabalhadores não podiam ficar sem salário. Então Justino deixou o escritório num fusca, com sete ou oito sacos de dinheiro, atravessou a cidade, embarcou em um avião com dois pilotos e rumou para Malange. Encontrou pessoas desesperadas, prédios destruídos, tiroteio.

Com o escritório e as pessoas minimamente organizados, os pagamentos tiveram início. Então entrou no local um homem que não trabalhara na obra, mas pleiteava remuneração. Ao perceber que não sairia dali com dinheiro, apontou um fuzil AK-47 para Justino, que usou de um ardil para sair da sala e tentar conseguir apoio na unidade de polícia antimotim. Depois de muita espera e discussão, alguns policiais o acompanharam, o homem foi desarmado e a operação de pagamento foi suspensa. Justino retornou a Luanda e guardou os sacos de dinheiro em casa. No início de 1993, quando se planejava a retomada dos serviços de engenharia em Capanda, ele devolveu à empresa aquelas viajadas sacolas de dinheiro. “O espanto foi geral. Todos davam os recursos por perdidos. Fiz o que considerei e ainda considero correto”, recorda.

Bruno: observação e trabalho
Disciplina e companheirismo também distinguem Bruno Miguel Gonçalves. Ele foi à luta em 1993, aos 19 anos, em sua terra natal, Benguela, no litoral sul de Angola. Logo foi escalado para compor a guarnição que protegia o Projeto Capanda. Diz que aprendeu muito na tropa: educação, respeito às pessoas, técnicas de combate e de manuseio de armas. Ingressou na Odebrecht no ano 2000, em Capanda mesmo, como ajudante na área de Mecânica Industrial. “Não sabia nada. Aprendi com a observação e o trabalho”, ele diz. E aprendeu mesmo. Lembra com detalhes da primeira grande peça de precisão que construiu, como torneiro, usando um micrômetro. “Senti uma imensa alegria pelo respeito e pela confiança que a Odebrecht depositou em mim”, revela. Atualmente, Bruno é encarregado da área de mecânica industrial e atende a todos os projetos de Benguela. Voltou à sua terra natal. Capacita amigos de infância e ex-companheiros de batalha para o trabalho. Construiu a casa própria e sua condição de vida melhorou. Casado, tem três filhos – os dois mais velhos com apelidos bastante familiares aos brasileiros: Ronaldo e Rivaldo. É fã de futebol, evidentemente.

Conceição e o aprendizado com os líderes
Outro que mantém disciplina rígida no trabalho e na vida pessoal é Conceição Miguel Zage, ex-bombeiro e ex-professor primário. Nasceu no município de Calandula, na Província de Malange, no planalto norte de Angola, e se transferiu para Luanda com a família por questões de segurança. Foi integrado à Odebrecht em 1985. Era apontador de custos, encarregado de anotar as tarefas realizadas, o tempo de operação dos equipamentos e do trabalho das pessoas – profissão aprendida com os brasileiros, pois não existia em Angola. Mas isso foi só o começo. As promoções levaram-no à sua atividade atual: cuida de novos projetos, orçamentos e contratos. É técnico especializado na área de subcontratos na Linha de Transmissão de Energia CCLT, entre Luanda e um dos municípios de sua região metropolitana, Viana. Não cursou informática, mas é um craque em computação. “Contei com líderes que me ensinaram tudo o que sei”, explica Zage, pai de seis filhos – os três mais velhos na universidade (a primeira cursa Medicina, o segundo, Eletromecânica, e o terceiro, Eletricidade). “Minha família é bonita”, diz.

Sónia e seu império
Família é o que Sónia Pulido chama de seu império. Tem quatro filhos e seis netos. Está prestes a completar 25 anos de Odebrecht. Como Zage, nasceu em Malange e mudou-se para Luanda, com os pais e seis irmãos, em busca de segurança. Frequentou os bancos escolares por quatro anos. Era tímida, tinha poucos conhecimentos, mas uma qualidade decisiva: a curiosidade. Seu primeiro emprego foi na Odebrecht, onde ingressou em 1986 como auxiliar de escritório da área de Patrimônio. Hoje é Responsável pelo Programa Administrativo no Centro de Distribuição de Lobito, em Benguela. Acalenta dois desejos: um é conhecer a Bahia e receber a medalha de 25 anos como integrante da Odebrecht; o outro é chegar a Gerente Administrativa da empresa. “Eu não desanimo!”

Wassolua: encorajamento e perseverança
A perseverança é mais uma característica comum às pessoas da Odebrecht. Wassolua Lourenço ingressou na empresa em 1999, como ajudante de jardinagem, e chegou a Responsável por Controle de Equipamentos em âmbito nacional. “Comecei do zero e me concentrei em gostar do que fazia, em aprender”, explica. Cuidava do gramado de um campo de futebol – e, para não ficar nisso, organizava as redes e as roupas dos jogadores. Frequentou cursos de informática, técnicas de manutenção de equipamentos, liderança, produtividade. Dedicou-se à área de equipamentos com o mesmo afinco com que cuidava dos jardins. Resultado: como controlador, atingiu o topo da carreira. Seu sonho agora é ser gerente.

Filho único, Wassolua nasceu no Congo, onde seus pais viviam refugiados da guerra. Antes de completar um ano de vida perdeu o pai, fatigado da viagem a pé de retorno a Angola. A mãe seguiu com ele para Luanda e o registrou como angolano. Sobreviviam da agricultura. A mãe plantava mandioca, batata-doce e milho para vender nas praças (as feiras de Angola). Mas os dois não tinham moradia ou segurança de que haveria o que comer no dia seguinte. Depois de 11 anos de trabalho na Odebrecht, Wassolua construiu casa, comprou carro, tem uma poupança que lhe dá algum sossego acerca do futuro da mãe, da esposa e da filha. “O mérito da minha trajetória é sobretudo das pessoas que me deram oportunidades, conselhos, apoio, encorajamento.”

João e um sentimento resgatado da infância
Há também representantes da nobreza ancestral de Angola entre os integrantes da Odebrecht. João Cardoso, Responsável pelo DP (Departamento Pessoal) Móvelor nas obras da Zona Econômica Especial, na Grande Luanda, nasceu no Dambi, na Província de Uíge, no norte do país. Seu avô era rei, e quando saía de casa a família era carregada em quipoias (semelhantes a liteiras e nas quais homens carregam várias pessoas, e não apenas uma ou duas). João estudou em Lisboa, retornou a Angola em 1984 e, no ano seguinte, foi contratado pela Odebrecht como Ajudante de Campo em Capanda. Participou de cursos de capacitação. Engajou-se na campanha de combate à Aids promovida pela Organização. Na Luanda moderna, recuperou o sentimento de conforto que tinha na infância. “Estou a progredir e espero mais.”
Galeria de Fotos
  • No sentido horário, a partir da esquerda, Justino, João, Bruno, Wassolua, Conceição e Sónia: motivação para crescer
    No sentido horário, a partir da esquerda, Justino, João, Bruno, Wassolua, Conceição e Sónia: motivação para crescer
  • Justino com Adalberto Bello, Responsável por Administração e Finanças no projeto Reforço Águas de Luanda (à esquerda) e Genésio Couto, Responsável por Pessoas e Organização na Odebrecht América Latina e Angola: o valor da vida como lição fundamental
    Justino com Adalberto Bello, Responsável por Administração e Finanças no projeto Reforço Águas de Luanda (à esquerda) e Genésio Couto, Responsável por Pessoas e Organização na Odebrecht América Latina e Angola: o valor da vida como lição fundamental
  • Capanda, 1991: Sónia Pulido (sentada, à esquerda) com as colegas (de pé, a partir da esquerda) Joaquina Cavaleiro, Maria Miranda (falecida) e Filipa Cabral. Ao lado de Sónia, sentada, Constância Correia
    Capanda, 1991: Sónia Pulido (sentada, à esquerda) com as colegas (de pé, a partir da esquerda) Joaquina Cavaleiro, Maria Miranda (falecida) e Filipa Cabral. Ao lado de Sónia, sentada, Constância Correia



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