As histórias de Yarizza González e Ruth Chacín, integrantes da Odebrecht desde os primeiros tempos da empresa na Venezuela, refletem um ambiente de oportunidades de crescimento
Yarizza (à esquerda) e Ruth com o Cerro Ávila, símbolo da Venezuela, ao fundo: história profissional das duas se confunde com a da Odebrecht no país
Houve uma época em que seu maior desafio era subir uma escada. Isso foi em 1993, ano de seu ingresso na Odebrecht. Yarizza González, nascida em Maracaibo, havia sofrido, em 1989, um acidente que a deixou paraplégica. Andou de cadeira de rodas por três anos. Conseguiu recuperar os movimentos, mas, naquele ano de ingresso na Organização, ainda precisava do auxílio de uma bengala para se locomover. Um dia, em fevereiro, decidida a retomar sua vida profissional, recortou um anúncio publicado no jornal, escapou ao controle da mãe e, usando a bengala para operar os pedais do carro, chegou ao escritório do canteiro do shopping center Centro Lago Mall, a primeira obra da Odebrecht na Venezuela. Havia dois andares para subir. Demorou, mas ela conseguiu vencer os infindáveis degraus e entregar seu currículo. Foi admitida poucos dias depois na equipe do Programa Financeiro, como contadora. Restringia-se nos deslocamentos pelo escritório, evitava ir ao banheiro, era sempre a última a sair, constrangida com sua condição. Não queria se expor. Mas, carismática como ela só, logo granjeou a simpatia e a camaradagem dos colegas, que competiam para ajudá-la.
O episódio da escada não deve ser visto com um relato de dramaticidade exagerada. Yarizza conta isso e muitas outras histórias com um permanente sorriso. Gosta de estar onde está e tem orgulho de sua história. Hoje Responsável por Relações Sindicais e Comunidades no Projeto Integral Socialista para o Desenvolvimento e a Transferência Tecnológica no Cultivo de Soja, ela vive na cidade de El Tigre, no Estado Anzoátegui. Esse trabalho, pelo qual Yarizza é completamente apaixonada, começou em 2003, nas obras do Projeto de Irrigação El Dilúvio-Palmar, na região da sua Maracaibo natal. Das finanças para as relações sindicais e comunitárias, uma mudança radical. Uma caminhada de autoconhecimento e superação, elementos frequentes na vida de Yarizza.
“Neste trabalho é preciso saber respeitar e ouvir as pessoas”, ela diz. “As pessoas querem ser ouvidas.” No começo do trato com os sindicatos, ela chegou a temer, e muito, pelo fato de ser mulher em um meio masculino, no qual a rudeza e a intransigência volta e meia dão o tom. “Então, um dia, pensei: ‘Tenho de sentir medo por ser mulher e eles, homens? Não!’ Decidi combater o medo. Estudei os marcos legais e me apoiei cada vez mais neles. O que é lei, é lei, e pronto. E, sobretudo, entendi que não se pode deixar as pessoas se alimentarem de raiva.”
Yarizza tem uma filha que trabalha na Odebrecht. Seu nome é Azziray. Ela integra a equipe do Programa de Administração e Finanças do Projeto El Diluvio-Palmar. O nome é o mesmo da mãe, invertido. Mas no trato com as pessoas, não há inversão. As duas têm, na relação cotidiana com as pessoas – da comunidade, dos sindicatos, da Odebrecht, das empresas parceiras e dos clientes – seu motivo maior de realização profisisonal. E sua principal fonte de aprendizado. Yarizza e Azziray gostam de gente.
Que o diga Ruth Chacín, contadora nas obras da Linha 5 do Metrô de Caracas, a primeira integrante venezuelana da Odebrecht. Ela já estava na empresa havia quase um ano (entrou em julho de 1992) quando Yarizza chegou. As duas mantinham contato diário, por telefone. Tornaram-se amigas. Mas só foram se conhecer pessoalmente em 1997, na festa de fim de ano da empresa, em Caracas. “Eu a chamava de mãe”, diz Ruth.
Esse ambiente, que torna possível o surgimento de verdadeiras amizades e no qual a camaradagem dá o tom, ainda hoje, 18 anos depois, surpreende Ruth positivamente. "Algumas coisas ficam para sempre na memória, porque proporcionam aprendizados importantes e transformam nossa maneira de nos relacionarmos com as pessoas", salienta Ruth.Ela se lembra bem de seu então líder nas obras da Linha 4 do Metrô de Caracas, o Diretor de Contrato Antonio Carlos Dahia Blando, chegando, sempre que possível, um tempo antes do horário normal de início de trabalho para cumprimentar, uma a uma, as pessoas de sua equipe. Passava em suas salas, perguntava como estavam, ria com elas, solidarizava-se com elas, oferecia a elas seu apoio, ouvia seus relatos. “Não me imagino trabalhando em outra empresa”, afirma Ruth.
O sentimento de família que Ruth desde cedo percebeu na Odebrecht é mais que literal para ela. Ela conheceu o marido na empresa. Mário Albornoz, hoje atuando com licitações, foi treinado por ela. (Ela não consegue evitar o riso quando diz isso.) Casaram-se e tiveram Michelle, 9 anos, e Andrés, de 5. Os ensinamentos da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) Ruth coloca em prática também dentro de casa. “Todos lá em casa têm seu Programa de Ação, principalmente os pequenos. Isso nos ajuda, como pais, a unificar os critérios na educação das crianças e a acompanhá-las em seu desenvolvimento integral”, ela argumenta.
Por causa desta entrevista a Odebrecht Informa, feita em Caracas, Ruth e Yarizza tiveram uma oportunidade de se encontrar. Várias vezes, talvez sem perceber, respondiam à pergunta dirigida à outra, e em diversos momentos tentavam ajudar-se a relembrar fatos e datas. Quase sempre essas tentativas resultavam em risos abertos e olhares cúmplices e afetuosos. Como irmãs em um encontro de família.
Galeria de Fotos
Yarizza (à esquerda) e Ruth com o Cerro Ávila, símbolo da Venezuela, ao fundo: história profissional das duas se confunde com a da Odebrecht no país
Linha 4 do Metrô de Caracas
O Centro Lago Mall, em Maracaibo, obras das quais participaram, respectivamente, Ruth e Yarizza