César começou como arquivista e hoje é Diretor de Finanças
Texto: Júlio César Soares | Foto: Lalo de Almeida
Em 9 de abril de 1985, aos 18 anos, César Rocha chegou ao canteiro de obras da Hidrelétrica de Cachoeira Dourada, em Goiás, procurando trabalho. Sim, havia vagas. As opções estavam nas áreas de Pessoas e de Finanças. Nesta última encontrava-se aberto o cargo de arquivista. César agarrou a oportunidade. Não passava por sua cabeça que algum dia poderia chegar onde chegou: Responsável por Finanças na Odebrecht Engenharia Industrial.
A Odebrecht foi a segunda experiência profissional de César, que antes trabalhara em um escritório de contabilidade. “Em Cachoeira Dourada, no início, eu fazia as vezes de office boy, levando documentos de área em área. Aos poucos, a oportunidade surgiu: uma integrante da área de Contas a Pagar foi deslocada para outro contrato e eu acabei assumindo a vaga”, ele relembra. Pouco tempo depois, a líder dele na época, Maria de Lourdes, precisou se ausentar e César foi desafiado a substituí-la no fechamento do balanço da obra. “A partir daí eu comecei a trabalhar efetivamente na contabilidade”, conta.
De 1985 a 1992, César continuou em Cachoeira Dourada. “Nessa obra eu fui de office boy a Gerente Administrativo-Financeiro.” Sobre o papel do Responsável por Administração e Finanças em um canteiro de obras, ele diz: “Quem vive canteiro apaga um incêndio por dia. A figura do gerente financeiro é importante para o cumprimento das normas de segurança empresarial da Organização. Mas ele também precisa ser flexível, saber a hora de ceder, para não prejudicar alguma atividade importante na obra. Achar o ponto de equilíbrio é algo trabalhoso”, diz.
Em 1993, novo desafio, dessa vez na matriz da Construtora Norberto Odebrecht em Salvador, assumindo a área nacional da Diplan (Divisão de Planejamento), liderado na época por Itamar Pereira. Em 1994 e 1995, César esteve no Rio de Janeiro, na equipe do DPA (Diretor de País)-Brasil e, em 1996, foi convidado a se mudar para São Paulo, para atuar na Concessionária Nova Dutra, à época encarregada da maior concessão rodoviária do país. “Fui para ajudar no ingresso da Odebrecht na Nova Dutra.” O trabalho no setor financeiro de uma concessionária era muito diferente do que ele fazia no canteiro. “O ritmo e as preocupações eram outros. Tínhamos de garantir que a arrecadação nas praças de pedágio fosse preservada, que o dinheiro estivesse num local seguro até a chegada do carro-forte, e tudo era muito novo para todos nós. No primeiro dia, o trabalho do carro-forte, que era para ser feito em quatro horas, levou 12. No final deu tudo certo.”
Em 1997, César entendeu que havia cumprido sua missão na concessionária e queria voltar para a Engenharia. “Liguei para o Edson Lemos, que já havia me liderado quando atuei no Rio, e voltei a trabalhar com ele na área de Planejamento Financeiro.” Em menos de um ano, César mudou mais uma vez de ares e foi para São Paulo, atuar na equipe da Odebrecht Engenharia Industrial, sob a liderança de Fausto Aquino. “A dinâmica mudou, mas acho que você consegue trazer para o escritório muito do que aprende no canteiro. Passei 10 anos em obras e isso me deixou mais sensível às dificuldades diárias do contrato.”
Hoje, atuando sob a coordenação do Líder Empresarial Márcio Faria, César se considera um privilegiado. “Todos os líderes com os quais atuei sempre foram pessoas que delegaram sem receio, estimularam o aprendizado pelo e para o trabalho, me ensinaram e me deixaram à vontade para desempenhar minhas funções. Isso teve uma influência direta no meu modo de atuar com meus liderados”, salienta.