23 de maio de 2013
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PERU
Lá vem o trem
Projeto aguardado com grande expectativa pela população, trem elétrico contribuirá para a solução dos problemas de tráfego na região metropolitana de Lima
Viaduto que faz parte do projeto do trem elétrico: serviços sem interdição do tráfego
Texto: Karolina Gutiez | Fotos: Américo Vermelho

Com mais de 8 milhões de habitantes, Lima não tem um sistema de transporte de massa estruturado. Para se locomover, quem vive na cidade conta apenas com microônibus particulares, sem frequência e segurança. Por isso, é motivado a ter veículo próprio, o que contribui para o tráfego caótico que se enfrenta em toda a capital peruana. O emaranhado de carros que trafega nas ruas, contudo, está com os dias contados, pois o metrô, ou trem elétrico, como é conhecido no Peru, está chegando, finalmente, a Lima.

O projeto é antigo, desenvolvido durante o primeiro mandato do Presidente Alan García (1985-1990). Saiu do papel, mas teve apenas sete estações, construídas àquela época e distribuídas em 10 km. Pouco para uma cidade que precisa de 200 km. Quando assumiu novamente a presidência, 16 anos depois, Alan García retomou o desafio de levar o transporte rápido à cidade e foi aberta uma concorrência, a maior em curso no Peru e na qual 10 empresas participaram. O Consórcio Trem Elétrico Lima, formado por Odebrecht Perú Ingeniería y Construcción (67%) e a empresa peruana Graña y Montero (33%), teve as melhores notas técnica e econômica e venceu a concorrência. O primeiro contrato da Odebrecht em Lima, no valor de US$ 410 milhões, foi assinado em dezembro de 2009, com um prazo de execução de 18 meses.

“A população anseia muito pela conclusão dos trabalhos, mas não acreditava que teriam fim. Afinal, conviveu por 20 anos com uma obra inacabada”, diz Carlos Nostre, Diretor do Contrato. Além da descrença, pesava contra o projeto, que passa por nove distritos (municípios), sua localização em zonas da capital densamente povoadas. “Antes do Peru, trabalhei em Angola, também em área urbana, e aprendi que nesses casos, sem o apoio da comunidade, o avanço do nosso trabalho fica comprometido”, avalia Nostre.

Duas gerências foram criadas antes do início das obras. Uma delas, a de Comunicação (a outra, a de Interferências). A imprensa foi reunida e informada sobre as etapas do projeto, sem que escavadeira alguma tivesse sido ainda ligada. Representantes das nove municipalidades impactadas pelo projeto também foram procurados e municiados de dados sobre o metrô. Da mesma forma, a população foi convidada a visitar instalações, tirar dúvidas e, assim, ampliar seu conhecimento sobre o trem elétrico. Tem à sua disposição uma página na internet, central de atendimento telefônico e dois centros de informação. Cada queixa é respondida pessoalmente, com visita de um profissional à casa do reclamante. Nenhuma via é interditada sem que os transeuntes sejam avisados com bastante antecedência.

Todas as nove estações construídas na primeira etapa do projeto terão elevadores para garantir a acessibilidade de deficientes físicos e elementos táteis para os deficientes visuais. As sete estações antigas serão modernizadas e também garantirão a acessibilidade.

O comerciante César Escudero Cuevas e o filho, também César, são proprietários de um pequeno mercado, o San Borja, no qual mantêm o La Paila Marina. Especializado em pescados e mariscos, o restaurante serve um saboroso ceviche, bem tradicional, à base de peixe, ají, como é chamada a pimenta no Peru, e limão. Fica na Avenida Aviación, em frente a um dos trechos da obra. A qualidade das receitas, no entanto, não foi suficiente para manter a clientela quando o movimento das máquinas começou.

“Estávamos habituados a receber de 80 a 100 pessoas para o almoço. Na primeira semana de trabalhos, servimos quatro refeições por dia.” Equipe responsável e comerciantes dialogaram e as necessidades de todos foram atendidas. Por exemplo, a garantia de tráfego na pista em frente aos estabelecimentos. “O movimento voltou ao normal e, com a conclusão da obra, temos a expectativa de que o comércio se desenvolva ainda mais. Além disso, nossos empregados vão chegar com mais rapidez ao trabalho. Hoje levam uma hora e meia de casa até o mercado, percurso que farão em 20 minutos com o metrô”, contabiliza César filho. Eles farão parte dos 240 mil beneficiados diariamente.

Planejamento e transparência, aliados à metodologia adotada no projeto, têm permitido que uma obra que em geral é executada em três anos seja feita em metade do tempo. Enquanto o trecho construído há duas décadas teve a concretagem realizada totalmente in loco, a continuação da linha 1, que terá 11 km de viadutos no meio da cidade e nove estações, mudou o partido estrutural e adotou a solução de pré-fabricados em 90% da obra, método inédito no Peru. Os 10% restantes correspondem a trechos em curva ou cruzamentos especiais, que, por limitações técnicas, não podem ser construídos com a metodologia de pré-fabricados. Utiliza-se, então, a betonagem in loco.

Os pré-moldados são produzidos em uma área de 70 mil m, em Lima, próxima à obra, 24 horas por dia. Das 1.870 vigas necessárias, quase 1.200 já foram fabricadas. Cada viga mede de 30 a 42 m, com peso de até 90 t. Entre os outros pré-moldados, o avanço também é rápido e sempre há material em estoque, o que permitiu que 70% das obras civis, iniciadas em março, já estejam concluídas.

Mais de 1.500 árvores foram retiradas do canteiro central por onde passa o viaduto. Pela legislação, a cada árvore retirada, 10 devem ser plantadas. Três meses antes do início das obras, 15 mil mudas de árvores já haviam sido plantadas.

“Viadutos que passam sobre a cidade, sem interditar o tráfego”, destaca o Ministro dos Transportes e Comunicações, Enrique Cornejo Ramirez. “Graças ao sistema de pré-fabricados, a obra tem evoluído rapidamente, sem afetar a população e, com isso, a percepção é de que se faz uma obra de engenharia complexa, com seriedade e rapidez, na qual todos os envolvidos interagem para superar os desafios que surgem ao longo do caminho.”

A experiência contribuirá para a estratégia de transporte de massa de Lima, que prevê a licitação em breve da segunda fase desta linha 1, bem como a concessão desta primeira fase. Na sequência, virão outros tramos, parte de um sistema metroviário de 200 km. “A obra do trem elétrico traz características técnicas que serão referência para outros projetos a serem realizados no Peru e no exterior”, acredita Enrique. Nesse contexto, a Odebrecht tem a intenção de atuar no mercado metroviário peruano como investidora. “Essa obra cria as condições para isso”, afirma Carlos Nostre.

Porto seguro no Pacífico Sul

“Apesar de nossos 31 anos de atuação no Peru, nunca havíamos executado um projeto na capital. As obras do trem elétrico e do molhe sul do Porto de Callao, na região metropolitana de Lima, trouxeram para a Odebrecht, finalmente, a visibilidade que merecemos ter no mercado nacional, pois são vitrines, são projetos que interferem na vida das pessoas e que solucionam seus problemas”, afirma Jorge Barata, Diretor-Superintendente da Odebrecht Perú. “O crescimento do país, superior a 6,5% ao ano nos últimos 10 anos, e o aumento do nível de investimentos de 2% para 6% nos permitem sonhar, pois há condições de a Odebrecht contribuir para superar o déficit de infraestrutura do Peru”, completa Jorge Barata.
Galeria de Fotos
  • Viaduto que faz parte do projeto do trem elétrico: serviços sem interdição do tráfego
    Viaduto que faz parte do projeto do trem elétrico: serviços sem interdição do tráfego
  • Trabalho noturno em Lima: ritmo acelerado na obra para melhorar a vida dos moradores da capital peruana
    Trabalho noturno em Lima: ritmo acelerado na obra para melhorar a vida dos moradores da capital peruana
  • Ministro dos Transportes e Comunicações, Enrique Cornejo Ramirez
    Ministro dos Transportes e Comunicações, Enrique Cornejo Ramirez



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