25 de maio de 2013
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PETROQUÍMICA
"Eu sou verde"
Inaugurada em Triunfo a maior unidade industrial de eteno derivado de etanol do planeta
A nova planta da Braskem
Texto: Thereza Martins | Fotos: Mathias Craemer

Eram 2h12 da madrugada de 3 de setembro quando foi dada partida à operação da unidade de eteno verde da Braskem no Polo Petroquímico de Triunfo (RS). Naquele momento, cerca de 60 integrantes das equipes de operação e apoio estavam no local. A expectativa era imensa. O que aconteceu depois, dificilmente será esquecido por quem viveu aquela experiência.

“Estávamos apreensivos, o coração batia mais forte. Em seguida, houve uma explosão de alegria, abraços e lágrimas”, descreve Guilherme Guaragna, Diretor de Empreendimentos da Braskem, responsável pelo projeto no Rio Grande do Sul. “A motivação e a integração acompanharam a equipe durante todo o projeto e quando foi dada partida à planta o nosso sentimento era de realização por termos participado de um empreendimento pioneiro para a Braskem, para o Brasil e para a indústria petroquímica mundial.”

A inauguração oficial da unidade foi em 24 de setembro, com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Emílio Odebrecht, Presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, Diretor-Presidente da Odebrecht S.A., Bernardo Gradin, Líder Empresarial da Braskem, ministros, diretores da Petrobras, representantes dos trabalhadores e dos moradores de Triunfo. O Presidente Lula recebeu um capacete de proteção individual feito com o primeiro lote de polietileno produzido a partir do eteno derivado de cana-de-açúcar. O capacete simboliza os 580 dias de trabalho na construção da planta de Triunfo sem acidentes com afastamento.

“Para nós, essa marca é motivo de grande orgulho”, comemora Manoel Carnauba, Vice-Presidente da Unidade de Petroquímicos Básicos. “É mais uma demonstração, entre tantas que já tivemos, de que a segurança no trabalho faz parte da nossa cultura corporativa.”

Além desse, outros motivos de orgulho não faltaram. Carnauba cita o prazo desafiador para conclusão da obra – 16 meses, a partir de abril de 2009 – e o pioneirismo do projeto da maior unidade industrial de eteno derivado de etanol do planeta, que permitirá a produção de 200 mil t/ano de polietileno verde. Outro destaque é o fato de a nova unidade industrial ter sido construída com base em tecnologia desenvolvida no Brasil e, também, de ter possibilitado a formação de 283 jovens aprendizes, por meio do Programa de Qualificação Profissional Continuada – Acreditar (em parceria com o Senai). Foram ministrados oito cursos de formação, para eletricistas, soldadores, montadores, encanadores e carpinteiros. O aproveitamento direto na obra foi de 178 jovens do grupo.

Com o início das operações, a Braskem passa a fornecer ao mundo resina de origem renovável e avança em sua estratégia para 2020, de tornar-se líder mundial da química sustentável. No quesito da sustentabilidade, o balanço ambiental indica que a rota escolhida é o caminho do futuro: 1 kg de polietileno verde elimina de 2 kg a 2,5 kg de CO2 da atmosfera, desde a origem da matéria-prima nos canaviais até a produção do polietileno.

A cana-de-açúcar não é a única matéria-prima renovável utilizada mundialmente para a produção de biopolímeros (há também o milho e a beterraba), mas é a mais competitiva e eficiente em termos de aproveitamento energético, além de ser a única que, uma vez transformada em etanol, depois eteno e polietileno, conserva exatamente as mesmas características do polietileno de origem fóssil. Essa é uma grande vantagem para os clientes da Braskem. Os mesmos equipamentos que processam o polietileno convencional transformam o de origem renovável (polietileno verde) em plástico, sem necessidade de adaptações.

Essa característica encorajou ainda mais os clientes que já enxergavam no apelo verde um bom motivo para trabalhar com a nova resina termoplástica. A Braskem já registrou demanda para três vezes a capacidade da planta. No momento, porém, optou por vender até 80% da produção e estuda a possibilidade de ampliação de sua capacidade no Rio Grande do Sul ou em outro estado onde exista a possibilidade de integração da fábrica de eteno à de polietileno, com ganhos na cadeia produtiva. O sonho para o futuro é produzir também polipropileno verde e outros produtos a partir de fontes renováveis.

Clientes em todo o mundo
O processo que culminou com a inauguração da planta de eteno verde em Triunfo e a produção de polietileno de origem renovável foi uma experiência valiosa para os profissionais que dele participaram. Marcelo Nunes, Diretor de Biopolímeros, diz que o ritmo de viagens internacionais dos integrantes da área comercial aumentou em função dos contatos com clientes para apresentação da nova resina. “Desde o início do projeto trabalhamos lado a lado com nossos clientes, testando o produto e demonstrando suas qualidades”, relata.

Marcelo conta que a Braskem abraçou o projeto do polietileno verde para atender à demanda da Toyota Tsusho, trading company do grupo Toyota. Hoje, a Toyota Tsusho é o distribuidor de polietileno verde na Ásia, para onde serão destinados 25% da produção. Nos outros continentes, a comercialização da resina será de responsabilidade direta da Braskem. Além do volume destinado ao continente asiático, metade da produção irá para a Europa, 15% para os Estados Unidos e o restante para Brasil e países da América Latina. Na carteira de clientes com contrato de fornecimento assinado estão Johnson & Johnson, Natura, Procter & Gamble, Tetra Pak, Estrela, Petropack e Acinplas, entre outros. O polietileno verde será utilizado na produção de embalagens de protetores solares, cosméticos, cremes, produtos alimentícios e em outras diversas aplicações. A Braskem tem sido consultada sobre a possibilidade de apoiar projetos semelhantes ao do polietileno verde em países europeus.

Ciência, tecnologia e inovação
O projeto de polietileno verde é a síntese e o fruto de investimentos da ordem de R$ 500 milhões em inovação, ciência, tecnologia, treinamento, obras de engenharia e compra de equipamentos. Nessa história, a atenção dada à inovação, ciência e tecnologia é um capítulo à parte. A Braskem conta com cerca de 300 integrantes em seus centros de tecnologia e seus 18 laboratórios em São Paulo e Rio Grande do Sul. São doutores, mestres, profissionais graduados e técnicos. Além dessa equipe própria, a empresa mantém convênios e parcerias com institutos de pesquisa no Brasil e exterior.

Pelo menos duas das parcerias no Brasil estão focadas em biopolímeros. Uma delas com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), iniciada há cerca de três anos. Nos laboratórios do Departamento de Genética da Universidade, um grupo de engenheiros da Braskem trabalha lado a lado com pesquisadores universitários, seguindo a rota química que utiliza matérias-primas de fontes renováveis.

O mais recente convênio foi assinado no início de setembro, com o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas, para instalação de um núcleo de pesquisas da Braskem, com foco em biopolímeros. A empresa poderá utilizar equipamentos de ponta e estará em contato diário com profissionais de diferentes áreas do conhecimento, beneficiando sua capacitação e o desenvolvimento da competência interna da companhia. O LNBio está ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Apenas empresas inovadoras acreditam e investem em ciência e tecnologia como um diferencial competitivo para o futuro”, afirma Kleber Franchini, diretor do LNBio. Para o geneticista Gonçalo Guimarães Pereira, da Unicamp, “é preciso ter visão de longo prazo e acreditar nas pessoas para fazer investimentos de risco na pesquisa científica”.

Outro parceiro de ponta da Braskem é a Novozymes, empresa dinamarquesa líder mundial na produção de enzimas industriais. Em dezembro de 2009 as duas empresas assinaram contrato para o desenvolvimento de polipropileno a partir de cana-de-açúcar. Os primeiros resultados são esperados no prazo mínimo de cinco anos.

Enquanto aguarda o desenvolvimento dessa rota, a Braskem investirá US$ 100 milhões para construir uma planta de propeno verde em local ainda a ser definido, com capacidade mínima de 30 mil t/ano, para começar a produzir polipropileno verde em 2013, utulizando outra tecnologia já dominada pela empresa.

Todos em busca do mesmo objetivo

A Vice-Presidência de Tecnologia da Braskem está definindo um plano de investimentos que deverá estar pronto até o fim do ano, alinhado à Visão 2020 da empresa de ser “a líder global da química sustentável, inovando para melhor servir as pessoas”. O Líder Empresarial Bernardo Gradin tem reafirmado que a Braskem deverá ser a empresa industrial privada brasileira com maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento até 2015, dobrando o número de pesquisadores e técnicos dedicados à inovação, dos atuais 300 para mais de 600 pessoas.
Galeria de Fotos
  • A nova planta da Braskem
    A nova planta da Braskem
  • Momento da cerimônia de inauguração em Triunfo: a partir da esquerda, Pedro Francisco Tavares, Prefeito da cidade gaúcha, Bernardo Gradin, Emílio Odebrecht, o Presidente Lula, Márcio Zimmermann, Ministro das Minas e Energia, e Marcelo Odebrecht
    Momento da cerimônia de inauguração em Triunfo: a partir da esquerda, Pedro Francisco Tavares, Prefeito da cidade gaúcha, Bernardo Gradin, Emílio Odebrecht, o Presidente Lula, Márcio Zimmermann, Ministro das Minas e Energia, e Marcelo Odebrecht



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