Não há cuia nem bomba de chimarrão sobre a mesa, mas logo que Sérgio Brinckmann pronuncia as primeiras palavras, a inconfundível fala gaúcha se evidencia – mais no uso do verbo na segunda pessoa que no sotaque: “Queres um café?”
Texto: José Enrique Barreiro | Fotos: Dario de Freitas
Economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com pós-graduação em Administração Financeira e MBA em Finanças pela Universidade de São Paulo (USP), Brinckmann, desde abril de 2010, é o Diretor-Presidente da Odeprev Odebrecht Previdência, entidade que tem hoje cerca de 10.200 participantes e patrimônio de R$ 764 milhões.
Na Organização Odebrecht desde 1994, ele trabalhou na Copesul, na OPP Petroquímica, na Braskem e na então OII – Odebrecht Investimentos em Infraestrutura, de onde saiu para assumir a liderança da Odeprev. “Sempre estive voltado para Finanças”, diz.
Adaptado à vida em São Paulo, Brinckmann revela que de Porto Alegre, além da família e da companhia dos amigos, sente saudade apenas de estar no estádio Olímpico torcendo pelo Grêmio, seu time de coração.
Nesta entrevista, ele fala do desafio de reposicionar a Odeprev para atender às novas condições do ambiente financeiro no Brasil e dos projetos que estão em andamento na entidade de previdência privada da Organização.
Odebrecht Informa – Qual a sua visão da Odeprev?
Sérgio Brinckmann – A Odeprev é um sucesso. Tem tido um desempenho muito bom até hoje. Mas o ambiente financeiro no Brasil e a estrutura de pessoas da Organização Odebrecht mudaram. A Odeprev também está mudando para fazer frente a essas transformações.
OI – A que mudanças no ambiente financeiro do Brasil você se refere?
Brinckmann – Precisamos nos preparar para um cenário de juros baixos. A política de aplicações financeiras da Odeprev, extremamente conservadora, com 90% de seu capital investido em renda fixa, deu certo até aqui. Mas terá de ser diversificada, para que possa se adaptar ao novo cenário.
OI – Já foi definida uma nova estratégia de aplicações financeiras?
Brinckmann – Estamos estudando isso. Mas é certo que o perfil de nosso investimento vai mudar. A Organização Odebrecht ampliou muito o percentual de integrantes jovens, que demandam investimentos em títulos privados e em ações na bolsa, por exemplo. A carteira conservadora, ou ultraconservadora, da Odeprev, com 90% de seus recursos investidos em renda fixa, já começa a mudar.
OI – Como se dará essa mudança?
Brinckmann – Há uma série de projetos e melhorias que estão em gestação, mas que terão de ser analisados e aprovados pelo Conselho Deliberativo da Odeprev. Só então iremos divulgá-los.
OI – Você pretende fazer mudanças na relação com os fundos de investimento?
Brinckmann – Já fizemos, desde abril. Temos novos veículos de investimentos. Antes, comprávamos cotas de fundos abertos. Isso significa que éramos um cotista entre muitos outros, e não podíamos influenciar as decisões dos gestores desses fundos. O que fizemos? Resgatamos tudo, centralizamos a administração, custódia e controladoria dos ativos em um grande banco (o Itaú) e criamos fundos exclusivos: três de renda fixa e um de renda variável. Desenhamos os mandatos desses fundos e definimos, com o gestor, as nossas aplicações. Esse gestor, por sinal, pode ter seu mandato ajustado por nós, o que antes, com os contratos de adesão, não podia ocorrer. Tudo isso gerou melhor governança, significativa diminuição dos riscos dos investimentos e economia da ordem de R$ 2,5 milhões por ano. Esse novo modelo deve também melhorar a rentabilidade dos fundos, já que os instrumentos de gestão estão bem definidos e com baixo custo.
OI – Há outras carteiras de investimento em vista?
Brinckmann – Sim. Vamos abrir uma carteira de inflação, que estará sempre atrelada ao juro real, e outra de crédito privado, para investimento em debêntures e CDBs de empresas privadas.
OI – Quais os planos para a prestação de serviços aos participantes?
Brinckmann – Temos de prestar mais serviços a eles e encontrar um fundo que possa incorporar suas famílias. No plano interno, estamos nos reorganizando, investindo em um sistema operacional e em formas de comunicação mais próximas dos participantes.
OI – Há algum projeto para incorporação dos integrantes não brasileiros à Odeprev?
Brinckmann – Hoje, a Odeprev é só para brasileiros, estejam eles no Brasil ou em outros países. É uma questão legal, não podemos integrar estrangeiros. Mas já começamos a pensar em uma previdência mais ampla, que incorpore os não brasileiros, e vamos apresentar alternativas ao nosso Conselho. Assim como os jovens, os estrangeiros também têm aumentado muito sua participação na Organização.
OI – Qual o futuro da Odeprev?
Brinckmann – O futuro da Odeprev é crescer, adaptando-se às mudanças do ambiente econômico mundial e da Organização Odebrecht. O que estamos fazendo neste momento é exatamente isto: preparando a Odeprev para o crescimento, na linha da Visão 2020. A Odebrecht mudou muito, hoje temos um número muito maior de integrantes do que há 10 anos, com um perfil cada vez mais jovem, com mais pessoas fora do Brasil e um volume financeiro expressivo para administrar, obtendo melhores rendimentos e correndo o menor risco. Tudo isso requer uma mudança estratégica. É importante levar em conta ainda que o plano de previdência deve servir não apenas para apoiar os integrantes na formação de sua poupança para o pós-carreira, mas também como ferramenta de apoio na renovação das equipes. Um plano sólido e atraente pode ser decisivo na hora de um jovem de talento escolher a empresa em que vai ingressar.