Programa desenvolvido em Macaé (RJ) promove a inserção social por meio de atividades culturais e comunitárias
Jovens que integram o Escola em Ação: novas perspectivas
Texto: Rubeny Goulart
Desenvolvido desde 2007, em Macaé (RJ), com o objetivo de promover a inserção social em áreas carentes através de atividades culturais e comunitárias, o programa Escola em Ação é fruto de uma parceria entre a Odebrecht Óleo e Gás (OOG), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Secretaria de Educação do Município de Macaé. Já beneficiou diretamente mais de 1.500 pessoas, entre alunos das escolas envolvidas e pessoas das próprias comunidades do entorno, e hoje atende semanalmente mais de 400 participantes, distribuídos em sete escolas (que serão acrescidas de mais quatro em 2011). O Escola em Ação é uma iniciativa social que está transformando vidas, ao oferecer perspectivas de crescimento para muitos jamais experimentadas.
Participam do Escola em Ação 19 voluntários das próprias comunidades de Macaé, que atuam nos três projetos que compõem o programa: o Abrindo Espaços, voltado para atividades esportivas, culturais e recreativas; o Caia na Rede, de inclusão digital; e o de Qualificação Profissional, que prepara membros da comunidade para habilitações específicas do mercado de trabalho. O programa é administrado por um Comitê Gestor, que reúne representantes das empresas apoiadoras, da Secretaria de Educação do Município e da Organização Não Governamental (ONG) Instituto Crescer, o braço executor dos projetos.
O Escola em Ação nasceu sob inspiração do Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz, da Unesco, que privilegia o funcionamento das escolas públicas, localizadas em comunidades carentes, nos fins de semana, para atividades culturais, esportivas e de lazer. Em Macaé, o objetivo do programa, implantado em articulação com a Secretaria Municipal de Educação, é reduzir a convivência dos jovens com a violência do seu entorno social, incentivar o interesse pelo estudo e, ao mesmo tempo, integrar comunidade e escola. Hoje, o Abrindo Espaços funciona em quatro estabelecimentos de ensino da região.
O Colégio Municipal Botafogo, localizado numa das áreas mais carentes e violentas do município, foi dos primeiros a aderir ao Abrindo Espaços. Hoje, pelo menos metade dos seus 758 alunos frequenta, no contraturno das aulas e aos fins de semana, os cursos de balé, jazz, judô, capoeira e tricô ministrados na escola. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino, aumentou 40% e o colégio, que sofria com depredações contínuas, está mais preservado. “Há mais respeito e os alunos passam a maior parte do tempo na escola em atividades culturais”, diz a diretora da escola, Luziana Almeida, que atua na comunidade há mais de 22 anos.
No rastro do Abrindo Espaços, o Escola em Ação lançou, em outubro de 2010, o Caia na Rede, executado, até agora, em três escolas municipais macaenses. O projeto, que se espelha nos cursos de capacitação digital ministrados nos canteiros de obras da Odebrecht, foi aplicado pela primeira vez em São Roque do Paraguaçu (BA), pelo Consórcio PRA-1, e em menos de um ano habilitou mais de mil pessoas, entre trabalhadores, professores e alunos das escolas municipais da região.
Adaptado ao Escola em Ação, o Caia na Rede, realizado nas bibliotecas das escolas, com o apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Macaé, está aberto a alunos, professores e membros da comunidade. Através de uma parceria nascida em 2009, o programa acabou sendo reforçado com as parcerias da Microsoft, fornecedora dos softwares e do treinamento dos professores, da Dell e da IBM, que cedem os computadores, além do Sesi (Serviço Social da Indústria), responsável pelo módulo básico de introdução à informática. “A expectativa é de que, dominando o meio digital, alguns jovens atuem dentro dos seus bairros produzindo e veiculando informações de interesse comunitário”, explica Emile Machado, Coordenadora de Responsabilidade Social da OOG e representante da empresa no Comitê Gestor.
Na Escola Oscar Cordeiro, o Caia na Rede já tem nove alunos matriculados. A diretora da escola, Adelma José dos Santos Menezes, considera a inclusão digital um portal de oportunidades. “O domínio da linguagem e dos meios digitais levanta a autoestima dos alunos”, diz ela. “O Escola em Ação permite uma grande interação, inclusive com membros da comunidade que não frequentavam a escola”.
Os cursos de Qualificação Profissional, que completam o tripé de projetos do Escola em Ação, surgiram através de demanda das próprias comunidades de Macaé. Os primeiros cursos foram nas áreas de construção civil, caldeiraria, pintura elétrica e industrial. Até agora foram formados 453 jovens, todos da comunidade, e pelo menos 60% deles estão inseridos no mercado de trabalho.
Além de participarem dos cursos e atividades do Escola em Ação, os membros da comunidade interagem através do trabalho voluntário. A estudante Greicy Kelly, de 15 anos, professora voluntária na Escola Engenho da Praia no curso de biscuit, uma técnica de adorno aplicado em louças, garrafas, potes e outras peças, é uma “multiplicadora”, pela capacidade de formar outros voluntários. Um deles é o amigo José Tayan, de 15 anos, que é seu aluno e também ensina a técnica de biscuit na mesma escola. “Estou feliz em poder somar, ajudar as pessoas”, ele afirma. Mais do que somar, para o Escola em Ação o trabalho de voluntariado multiplica.
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Jovens que integram o Escola em Ação: novas perspectivas
Caia na Rede: instrumento para a atuação dos jovens em suas comunidades