Cetrel garante a sustentabilidade ambiental do Polo Industrial de Camaçari
A Cetrel, em Camaçari: empresa interliga e centraliza o tratamento de efluentes de todas as 90 indústrias do polo
Texto: Válber Carvalho | Fotos: Artur Ikishimao
Construído sobre um dos maiores aquíferos do país, o de São Sebastião, o Polo de Camaçari – o maior complexo industrial do Brasil – não seria um empreendimento ambientalmente sustentável se não existisse a Cetrel. Nos estudos para a criação do polo, na década de 1970, decidiu-se, de forma pioneira no país, que, em vez de cada empresa ter seu próprio sistema de proteção ambiental, uma única companhia estatal seria responsável pela operação de um sistema global de gestão do meio ambiente, o que acarretaria menos custo e maior eficiência.
Essa companhia foi, então, criada e recebeu o nome de Central de Efluentes Líquidos do Polo de Camaçari (Cetrel), hoje Cetrel S.A. e controlada pela Braskem. Situada a 45 km de Salvador, interliga e centraliza o tratamento de efluentes de todas as 90 indústrias existentes no Polo de Camaçari.
Em produção plena, o polo consome 12 mil m3/h de água e verte aproximadamente 1,2 a 1,5 m3/s de efluentes líquidos tratados através de seu emissário submarino. É a metade da sua capacidade nominal de vazão.
A Cetrel, que atua em Camaçari em parceria com a Foz do Brasil, recebe dois tipos de efluentes: as águas não contaminadas, pluviais em sua maioria, e os efluentes contaminados por compostos orgânicos de todo tipo e compostos inorgânicos, como sulfatos, nitratos, amônia e outros produtos nocivos ao ambiente, se não tratados devidamente.
“Isso nada mais é do que água poluída. Nosso trabalho é tratar rigorosamente esses efluentes, para minimizar os riscos quando os devolvermos ao meio ambiente”, explica Sérgio Tomich, líder dos Negócios de Desenvolvimento de Materiais e Gestão de Resíduos Especiais da Cetrel.
Emissário submarino
Com a ampliação do polo, nos primeiros anos da década de 1990, a construção de um emissário submarino para a disposição oceânica dos efluentes tornou-se necessária para a boa gestão ambiental. A obra foi realizada pela Odebrecht. Antes de serem lançados ao mar, a 4,8 km da costa, são removidos mais de 97% da carga biodegradável dos efluentes, um índice acima do que preconiza a legislação ambiental.
“Fizemos uma campanha de monitoramento para aferir como era o meio ambiente antes do emissário entrar em operação e após o início dos lançamentos. Firmamos um convênio com a Universidade Federal da Bahia e realizamos duas campanhas anuais de monitoramento com a expedição de relatórios em que se avalia a qualidade ambiental nesse ecossistema marinho”, salienta Eduardo Fontoura, Responsável por Laboratório e Monitoramento. Ele observa que “em 17 anos de funcionamento do emissário, a Cetrel nunca teve problemas com a comunidade nem com os vigilantes pescadores de Arembepe”. Os indicadores ambientais no ecossistema marinho são os mais positivos.
Hoje, a Cetrel é responsável pelo gerenciamento dos recursos hídricos de toda a região do polo, tanto das águas subterrâneas (lençóis freáticos e aquíferos) quanto das águas superficiais. A empresa faz o controle com georreferenciamento (monitoramento e produção) de mais de mil poços – imprescindível para uma região onde atuam várias empresas de extração de água mineral para consumo humano.
Sérgio Tomich explica que desde que a Braskem assumiu o controle da empresa, a Cetrel deixou de ser apenas uma “gestora de fim de tubo” e passou a prospectar novos negócios no ramo em que tem expertise reconhecida. Além do tratamento de efluentes líquidos contaminados e do monitoramento oceanográfico e dos rios, a Cetrel também atua em programas piloto de tratamento de água para reúso industrial, os quais a empresa vem desenvolvendo em parceria com a Braskem.
Durante a Conferência COP 16, realizada em dezembro de 2010, no México, que discutiu o tema Conservação da Biodiversidade no Mundo, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável selecionou os cases com as melhores práticas de sustentabilidade ambiental. “A Conservação da Biodiversidade no Ecossistema Marinho na Área de Influência do Emissário Submarino da Cetrel” foi um dos cases escolhidos do Brasil.
Em janeiro de 2011, foi assinada uma carta de intenções entre o Governo da Bahia, a Petrobras e algumas indústrias de fora do polo, para acabar com as emissões na baía de Todos os Santos. ”Além dessas emissões industriais e das emissões da Refinaria Landulfo Alves, quase 90% dos esgotos domésticos de Camaçari e Dias d’Ávila serão interligados ao emissário da Cetrel”, comemora Sérgio Tomich. As águas da maior baía do Atlântico Sul agradecem antecipadamente.