Mensagem do Presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A.

As relações entre Empresa, Estado e Sociedade são, cada vez mais, objeto de reflexão na maioria dos países emergentes, com o objetivo principal de aprimorá-las e direcioná-las para o bem comum.

Nós, da Organização Odebrecht, temos um ponto de vista muito claro sobre essa interação. Compreendemo-nos como parte de um todo social orgânico, cujo bom funcionamento depende de igual forma do desempenho dos empresários – responsáveis pela coordenação de pessoas e pela boa administração dos recursos materiais e financeiros necessários à produção de riquezas –, do desenvolvimento dos indivíduos que as produzem e consomem diretamente e da adequação das políticas e regras que regem as relações entre todos esses agentes.

Nessa interação sinérgica, o reinvestimento dos resultados obtidos pelas empresas é peça-chave para o desenvolvimento das sociedades, pois impulsiona iniciativas dos governos, sobretudo no campo da infra-estrutura, permitindo-lhes que concentrem seus recursos na melhoria dos serviços essenciais, entre os quais o saneamento básico e a educação, a saúde e a segurança públicas.

Não faltam exemplos históricos de desenvolvimento social financiado por empresas, orientado pelo Estado, em proveito de toda a sociedade. Ainda durante o Império, a cidade de Salvador, berço e sede de nossa Organização, viveu, na segunda metade do século XIX, uma onda de desenvolvimento que a colocou na vanguarda das capitais brasileiras. Os investimentos feitos em transporte urbano, abastecimento de água, saneamento e iluminação resultaram de uma bem-sucedida parceria entre o setor público e os empresários locais e foram muito além daquilo que o governo imperial poderia fazer sozinho.

Hoje, o Estado brasileiro vive situação similar à enfrentada pelo Império naquela ocasião, com limitação de recursos para investimentos em projetos prioritários que eliminem os gargalos que travam o crescimento econômico, particularmente nos setores de energia, transportes e saneamento básico. O Brasil, que nesta década destinou apenas 1% do PIB a obras de infra-estrutura, precisa investir, pelo menos, 3,2%, para manter o atual nível de crescimento, e cerca de 9%, para elevá-lo em quatro pontos percentuais e acompanhar o ritmo de países em franca expansão.

O desafio é grande e para superá-lo é imprescindível romper o círculo vicioso em que o baixo crescimento determina o baixo nível de investimentos, o qual, por sua vez, limita ainda mais o crescimento. Se o Estado não dispõe de recursos no volume necessário para empreender essa ruptura sem retornar a um outro círculo vicioso do qual escapamos há mais de uma década – o círculo inflacionário –, esta é a hora de orientar os recursos da iniciativa privada para investimentos em infra-estrutura. “Orientar”, nesse caso, significa atrair, e, considerado o compromisso inerente às empresas de preservar seu patrimônio e gerar valor para seus acionistas, essa atração se dá pela perspectiva de uma rentabilidade compensadora, compatível com o nível de risco assumido.

Em princípio, demandas reprimidas sempre sugerem boas oportunidades de negócio. No entanto, com longos prazos de maturação, os investimentos no setor de infra-estrutura estão também associados a níveis de risco mais altos e a uma absoluta necessidade de marcos regulatórios claros. A atração do capital privado para o setor está estreitamente ligada à estabilidade das regras e ao respeito aos termos contratados.

No Brasil e em vários outros países da América Latina, da África e mesmo da Europa, a Odebrecht tem sido parceira dos Estados em projetos de infra-estrutura e de desenvolvimento industrial (a exemplo dos investimentos programados para a Venezuela no setor petroquímico), sempre pautada pela busca do crescimento sustentável e da melhoria das condições de vida das comunidades em que atua.

Nosso desejo é produzir riquezas destinadas ao bem comum, num ambiente que nos permita exercer na plenitude nosso compromisso de servir – crescendo continuamente, criando oportunidades de trabalho, proporcionando aos integrantes de nossas empresas maiores desafios e o conseqüente compartilhamento dos resultados alcançados.

Emílio Odebrecht



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